Nada de espadas, tatamis ou sushis

Figura constante nas vendas do tipo Shoptime, o ator Carlos Takeshi já fez, sim, muitos tipos nipônicos na TV, no cinema e até dublou Jaspion, aquele do seriado japonês. Mas, há muito tempo, quer deixar os personagens caricatos de lado. Missão quase impossível. O Estado conversou com o ator e descobriu que a casa dele não é feita de papel de arroz.Por que ainda há tanto estereótipo em relação ao oriental?Acredito que o japonês ainda não é considerado brasileiro, talvez porque fisicamente somos bem diferentes. Existe um certo preconceito, mas não negativo. Não somos aceitos como fazendo parte de qualquer lugar. O negro é considerado brasileiro, em qualquer personagem.Os brasileiros vêem o oriental com certa diferença, então.Vira e mexe alguém pergunta quando vim pro Brasil (risos). Eu nasci aqui, meus avós é que vieram para cá. Na minha casa não tem tatami, não como sushi todo dia, não sento no chão. A TV faz as pessoas acreditarem que somos assim.O japonês da novela é o japonês da vida real?Não. Quem não é japonês não sabe que quem manda na casa é a mulher, ela não é uma gueixa submissa como imaginam. Acho chato essa coisa do oriental ter de falar errado, com sotaque. O Ken Kaneko fala assim, mas ele é japonês.Você já recusou papéis que seguiam esse perfil?Hoje já posso recusar muito mais do que no começo. Uma vez me chamaram para fazer uma propaganda. Quando cheguei lá, a piada era a comparação entre o preço do produto e o tamanho do pênis. E não aceitei.Os profissionais de TV se queixam da falta de atores orientais. Essa carência se explica?Demorou muito para o oriental entrar nessa área, mas me disseram que na Globo há uma lista de tipos. Há os gordos, os japoneses e os "normais". Quando vão procurar alguém para fazer o médico, não vão na lista de japoneses, mas na de atores comuns. Então, é difícil ser chamado para papéis normais. Mas ainda são poucos atores que estão sempre trabalhando.Os orientais têm alguma característica na hora de atuar?Tem de tudo, drama, comédia. O problema é a visão que o ocidental tem dos descendentes.

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