Estevam Avellar/ TV Globo
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Nada de Cadinho resta em Borges

Sujeito sensato entre personagens que buscam o eldorado, ator compõe trio amoroso da novela ‘Além do Horizonte’

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2013 | 15h34

Agora ele é Thomaz. Traja figurino de advogado sócio de grande escritório, é monogâmico, casado há 25 anos com Inês, personagem de Maria Luisa Mendonça, tem filho criado e enfrenta uma crise no relacionamento, com alguma nostalgia do grande amor de juventude, Heloísa, papel de Flávia Alessandra. Apesar do aparente melodrama embutido na definição do novo papel de Alexandre Borges em novela, obra do folhetim Além do Horizonte, que estreia amanhã, na Globo, o ator garante que Thomaz não é um sujeito frustrado ou de mal com a vida.

“Há um melodrama no sentido do triângulo amoroso, mas acho que o mais forte da novela é que Thomaz sabe mais coisas do que fala. Esse suspense da novela é o que mais me motiva”, diz ao Estado. Primeira novela solo de Marcos Bernstein e Carlos Gregório, Além do Horizonte trata basicamente da busca pela felicidade, o que implica gente que some no mundo e troca tudo por comunidades alternativas.

Thomaz não é um desses, ao contrário: é o sujeito centrado que serve de porto seguro a quem perdeu a âncora, no caso, a mocinha da história, claro, sua amada Heloísa. É ela quem se apresenta então como viúva de Luis Carlos, ou LC, desaparecido há dez anos e dado como morto. Quando a novela começar, saberemos que LC não morreu, mas vive em algum lugar, longe da civilização, em busca do tal Eldorado preconizado pela trama. “O envolvimento do Thomaz com o desaparecimento do LC é maior do que ele diz”, adianta Borges.

Se o personagem não reserva ao ator a mesma dose de humor de Cadinho, polígamo que fez fama em Avenida Brasil, também não se pode tratá-lo como um almofadinha conservador. Se bem que, admite Borges, rindo, “todos nós vamos nos tornando um pouco conservadores ao envelhecer”.

Thomaz, LC, Helô e Inês eram amigos de um mesmo círculo na juventude. A trama não esclarece, a princípio, por que Thomaz se casou com Inês e Helô, com LC. “Ele é o advogado da família do LC, um grande milionário que resolveu largar tudo e recomeçar em outro lugar. O Thomaz ficou segurando a onda da família toda, inclusive dos negócios.” Para que o leitor já saiba: LC deixou uma carta para a filha, Lili (Juliana Paiva), que só será lida por ocasião de sua maioridade, onde o pai esclarece seu sumiço.

“A novela apresenta mais perguntas do que uma coisa mal resolvida. O que você deixa de fazer no trabalho, no amor, na sua vida familiar ou afetiva, para ser mais feliz? Qual é o limite dessa busca? A novela vai levantando perguntas, que são universais, e contando histórias de pessoas que desapareceram. Enquanto isso, a gente vai levando.”

Sem pausa. Com intervalos curtos entre uma novela e outra, Borges até consegue trabalhar em cinema e teatro entre um folhetim e outro. Logo depois de Avenida Brasil, apresentou uma versão do reality show O Mundo Sem Mulheres, da BBC, no Fantástico, enquanto cumpria turnê da peça Eu Te Amo e de um recital de poesias bancado pelo Sesi. Em 2014, ele estará nas telonas como Carlos Lacerda, principal adversário de Getúlio Vargas no filme Getúlio – Últimos Dias, de João Jardim, com Tony Ramos.

Na contramão da maioria dos atores bem estabelecidos, não se queixa de fazer novela, ao contrário: “Eu adoro fazer novela. Na verdade, eu não gosto é de ficar parado.”

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