Steve Schofield/Amazon Studios
Steve Schofield/Amazon Studios

Na série ‘Fleabag’, atriz se comunica diretamente com telespectador

Protagonista e criadora da série, que agora estreia a 2ª temporada, a britânica Phoebe Waller-Bridge conta para a câmera, com humor ácido, suas dificuldades e frustrações; assista ao trailer

Mariane Morisawa, Especial para o Estado

31 de maio de 2019 | 03h00

LOS ANGELES - Phoebe Waller-Bridge está em todo lugar. É a roteirista de Killing Eve, ganhadora do Globo de Ouro de atriz de drama para Sandra Oh, foi contratada para mexer no roteiro do próximo filme de 007, por enquanto chamado de “Bond 25”, e agora estreia a 2.ª temporada da série que a projetou, Fleabag, disponível na Amazon Vídeo.

Na série, ela é a personagem-título, de nome verdadeiro desconhecido, que parece independente, livre, divertida e segura de si, tocando um café com pouco sucesso, vivendo aventuras sexuais e tentando se relacionar com a irmã, Claire (Sian Clifford), quase seu oposto.

Entre os diálogos, Fleabag se dirige para a câmera, fazendo comentários ou expressões faciais. Mas a suposta comédia tem um fundo dramático: Fleabag, na verdade, está lidando com a morte da mãe, de câncer, e da amiga, num suicídio. “Nunca vi como comédia”, disse Waller-Bridge. “Para mim sempre foi uma tragédia disfarçada de comédia, ou vice-versa, que é guiada pela personagem.”

Apesar do sucesso de crítica e público, Waller-Bridge levou um tempo para fazer a 2.ª temporada – a 1.ª, de seis episódios, foi ao ar em 2016. Na verdade, ela nunca achou que haveria uma 2.ª leva de capítulos. “Tinha certeza de que não e tinha muito orgulho da minha integridade artística por não voltar”, afirmou. “Mas aí tive a ideia para a segunda série.” 

Ela foi surgindo meio sem querer, em um caderno que a roteirista e atriz mantinha quando estava fazendo Killing Eve. Curiosamente, é muito sobre religião. “Foi subconsciente, mas realmente teve ressonância comigo a ideia de uma ateia tentando encontrar sentido num mundo em que tudo parece tão confuso. Quanto mais eu pensasse em religião e o que ela significa hoje, mais relevante me parecia ter em algo.”

Assim nasceu o personagem do padre (vivido por Andrew Scott). “Alguém que realmente acredita em algo e tem esperança e fé e pratica os bons princípios cristãos parecia algo que valia a pena explorar numa época em que poucos bons princípios são explorados.” O padre é alguém que desafia Fleabag. “Era alguém que ela não poderia reduzir a uma anedota, como faz com tantos outros personagens na série. Alguém que estava no mesmo nível que ela, mas era diferente.” Isso tem a capacidade de fazê-la enxergar o mundo de outra maneira. “Acho que a série é sobre o impacto que humanos podem ter uns nas vidas dos outros.”

A britânica Phoebe Waller-Bridge está com o moral tão alto que, além da ganhadora do Oscar Olivia Colman, que volta para a 2.ª temporada, participam também Fiona Shaw e Kristin Scott-Thomas. “Saber que a Kristin Scott-Thomas riu com a 1.ª temporada de Fleabag me alegrou”, disse a roteirista. Ela conta que esta, definitivamente, é a temporada final de Fleabag. Com o sucesso de Killing Eve e novos trabalhos como “Bond 25”, o tempo deve ter ficado escasso. 

 

 

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