MARCIO FERNANDES/ESTADAO
MARCIO FERNANDES/ESTADAO

Na Record, Xuxa reclama da Globo: 'Para cantar, tinha de pedir permissão'

Após assinar contrato com a nova emissora, apresentadora conta ter sofrido restrições em seus programa

João Fernando, O Estado de S. Paulo

05 Março 2015 | 18h21

(Atualizada às 20h18) “Chupa, Rede Globo!”, gritavam os 150 fãs de Xuxa selecionados para vê-la assinar o contrato com a Record, na sede da emissora, na tarde desta quinta, 5. “Eu tenho uma história com a Globo de boas lembranças. Não vou apagar, não tem como. Não acho legal falar mal da casa onde vivi esse tempo todo”, disse a loira, que passou 28 anos lá.

Entretanto, a apresentadora reclamou da emissora ao dizer que sofria restrições. “Aqui, eu posso cantar no meu programa, lá eu não podia. Para cantar músicas do (DVD) Só para Baixinhos, eu tinha de pedir permissão”, relembrou. “Nesses últimos quatro anos, eu estava bastante presa. Agora, estou solta. Era um programa para a família e o foco não poderia ser a crianças. Queria fazer assistencialismo, mas não podia porque eles têm o Criança Esperança.”

Apesar de a Record ter anunciado a contratação no mês passado, Xuxa contou que estava há quase dois anos conversando com a emissora e só começou a mudar de ideia quando iniciou a negociação com Marcelo Silva, vice-presidente artístico e de programação do canal. “Sou turrona para mudar as coisas. Fui muito feliz na Manchete e na Globo. Tenho certeza de que serei feliz aqui.”

Segundo ela, a decisão de mudar é a liberdade. “O que me motivou é poder fazer o que quero, o que sonho. A casa vai me dar todas as possibilidades”, aposta a gaúcha, que quis saber o que poderia fazer antes de assinar o contrato. “Perguntei se poderia levar crianças e bichos”, contou, antes de ser interrompida por um fã. “E os gays?”, questionou ele, ignorado por ela. Ao longo da entrevista coletiva, os admiradores da loira gritavam e faziam intervenções.

A primeira ideia é que Xuxa tenha um programa de entrevistas no estilo da norte-americana Ellen DeGeneres, que recebe artistas e anônimos de maneira mais descontraída. “A vontade é ser uma inspiração da Ellen, mas não copiar. Ela tinha uma repórter-mirim e aqui disseram que também posso.”

Entretanto, nada do formato está definido. “Saindo daqui, vou ter uma reunião para montar a equipe. A vontade da Record é que eu esteja no ar em dois ou três meses”, revelou, sem dar certeza de que o plano se realizará. “Se vai ser diário ou semanal, a gente não sabe. Quero que tenha música, entrevistas, brincadeiras e também algo do que esteja acontecendo. Eles me deixaram pegar profissionais daqui e trazer outros de fora.”

Durante as negociações, outras ideias foram cogitadas. “Ele (Marcelo) falou que, se eu não quisesse esse projeto, eles guardariam. Fala como ‘Marcelo que ele te escuta’”, brincou, numa referência ao Fala que Eu te Escuto, programa religioso exibido na madrugada. 

Xuxa afirma ter carta branca para escolher os convidados, inclusive religiosos que não costumam aparecer na Record, ligada à Igreja Universal. “Quero padre Marcelo (Rossi) e o padre Fábio (de Melo), enumerou. “O padre Marcelo foi convidado a participar de um programa da Record e se recusou. Nenhum cantor ou artista que veio aqui foi questionado sobre religião. Não existe preconceito na casa”, defende Marcelo Silva.

Este ano, em que a Globo completa 50 anos, existe a dúvida se Xuxa será citada durante as comemorações, já que a loira foi uma das principais estrelas da emissora. “Nem pensei nisso. Estou pensando no que fazer na Record. Na Telefé (TV argentina), fiz dois programas e me chamaram para o aniversário de 25 anos deles. Depende de quem vai contar essa história. Não posso responder por eles (Globo)”, minimizou.

A apresentadora quis reforçar que não tem problemas com a antiga casa. “Tenho tanta lembrança boa de quando vivi lá que não tenho como ter mágoa. Fiz muita história e muitos amigos. Mesmo vindo para cá, eles disseram que vão estar ligadinhos em mim”, provocou.

Ainda sem data de estreia, cinco empresas, incluindo uma agência de viagens e uma construtora, já fecharam um acordo para anunciar nos intervalos do futuro programa da loira, segundo Walter Zagari, vice-presidente comercial da Record. “Eu falei para ele quero fazer merchan legal, em que eu possa pegar os produtos. Não pode ser cigarro, bebida e carne vermelha. Nem o meu cachorro come.”

A mudança de emprego vem sendo assimilada lentamente pela loira. “A minha ficha não tinha caído. Hoje, quando estava me arrumando para vir, avisaram que havia uma repórter da Record lá embaixo. É difícil ainda, é diferente”, contou, reproduzindo o sorriso amarelo que fez quando soube que teria de dar uma entrevista com uma profissional da nova empresa. O canal, aliás, fez estardalhaço por causa da chegada da nova contratada. À tarde, foram transmitidas imagens ao vivo da chegada do jatinho que a trouxe do Rio para São Paulo e um helicóptero acompanhou sua entrada na sede, na Barra Funda. 

 

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