Joaquin Sarmiento / AFP
Joaquin Sarmiento / AFP

Na Colômbia, a volta das gravações de novelas em meio à pandemia

'Café com Aroma de Mulher', adaptação da famosa trama escrita nos anos 1990 por Fernando Gaitán, está sendo gravada no município de Chinchiná, Caldas, centro-oeste do país

Juan Sebastián Serrano, AFP

31 de dezembro de 2020 | 10h01

BOGOTÁ - Dezenas de camponeses de máscara permanecem imóveis ao sol do meio-dia em uma plantação de café no centro da Colômbia. De repente, uma voz exclama: "Tire a máscara, vamos gravar!". As novelas ressuscitam em uma das grandes referências do setor na América Latina, após a paralisação pela pandemia. 

Café com Aroma de Mulher, uma adaptação da famosa novela escrita nos anos 1990 pelo colombiano Fernando Gaitán, está sendo gravada no município de Chinchiná, Caldas, centro-oeste do país.

As novelas são produzidas com assepsia, testes de coronavírus, lotação restrita nos sets de gravação, máscaras, roupas antivirais, orçamentos apertados pela crise e um risco permanente, fatores muito distantes do romantismo que caracteriza suas histórias.

Todos os cuidados se fazem necessários em um contexto, onde o distanciamento social enfrenta suas dificuldades, pela natureza próprias das produções audiovisuais. Maquiadores, figurinistas e atores dependem da proximidade física para fazer seu trabalho, e dezenas de pessoas se aglomeram no estúdio para iluminar e gravar cada sequência.

Dada a impossibilidade de distanciamento, toda a equipe de Café é submetida a um teste de PCR às segundas-feiras. 

Embora a maioria durma na fazenda onde a novela é filmada, a filmagem não é uma bolha. Todos podem sair nos dias de folga para ver suas famílias.

Segundo produtora-executiva de Café, Yalile Giordanelli, o teste regular tem "custos enormes", mas é necessário: um contágio poderia forçar o isolamento de alguns dos atores e atrasar toda produção, a um preço ainda maior.

Demissões

Em maio, quando o país atravessava o segundo mês de um bloqueio que paralisou as filmagens, o dia do retorno das gravações ainda parecia muito remoto.

"Quando pudermos realmente começar a gravar é porque tudo passou, porque tem uma vacina", disse à AFP à época Guillermo Restrepo, assessor da presidência do canal RCN, onde esta novela será exibida.

Em setembro, no entanto, as restrições impostas pelo governo desde 25 de março foram flexibilizadas, e as produtoras iniciaram uma retomada gradual aos estúdios, sob rígidos protocolos.

Hoje, a Colômbia acumula 1,5 milhão de casos de covid-19, com mais de 42.000 mortes. 

Segundo a Associação Nacional de Meios de Comunicação, o confinamento ordenado pelo governo no final de março obrigou a RCN e sua concorrente Caracol a paralisarem 38 produções.

Muitos dos 270 funcionários de Café estavam gravando quando a notícia caiu como uma bomba. 

"Disseram para recolhermos tudo, para ir para casa, mas naquela época era provisório (...) Com o passar do tempo, foi ficando um pouco desolador", lembra a maquiadora Adriana Ortiz.

Segundo ela, o canal manteve o contrato durante os meses de inatividade, embora com salário reduzido. 

Vários de seus colegas não tiveram a mesma sorte. De acordo com o Departamento Administrativo Nacional de Estatística, o setor de artes e entretenimento foi um dos mais afetados pela pandemia. No total, 203.000 empregos foram destruídos entre outubro de 2019 e o mesmo mês de 2020.

 

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