Carole Segal/Syfy
Carole Segal/Syfy

Na 2ª temporada, ‘The Magicians’ está mais sombria

Série que estreia no canal Syfy na quarta embarca na magia, mas trata também de temas graves como estupro

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

01 Maio 2017 | 03h00

NOVA YORK - Quem começou a assistir a The Magicians na esperança de ser um substituto para Harry Potter já sabe que, de semelhança, só mesmo uma escola de bruxaria – aqui, uma universidade, Brakebills. “Estamos explorando como seria ter mágica no mundo real”, diz o ator Jason Ralph, que interpreta o protagonista, Quentin Coldwater, em entrevista ao Estado em Nova York. “Tentamos descobrir as ramificações disso aqui e agora, em Nova York, espero que com personagens com os quais as pessoas podem se identificar hoje em dia”, afirma o norte-americano de 31 anos.

A segunda temporada estreia no canal Syfy na próxima quarta-feira, às 21h. A trama é retomada minutos após os eventos do capítulo final da temporada anterior, em que todos os personagens principais – além de Quentin, Alice (Olivia Taylor Dudley), Eliot (Hale Appleman), Penny (Arjun Gupta) e Margo (Summer Bishil) – foram praticamente mortos pela Besta, depois de Julia (Stella Maeve), amiga de infância de Quentin, traí-los. Julia fez um acordo com a Besta para matar Reynard, o deus que a estuprou. “Ela está tentando segurar as pontas, está muito ferida”, afirma Stella Maeve. “A maneira fácil de lidar com o sofrimento é se vingar do homem, do deus, que fez isso com ela. Mas, no fundo, é mais complexo e mais profundo que isso.” 

A atriz acredita que é preciso tratar de assuntos sérios como o estupro. “Acho que o resto do mundo faz um bom trabalho ao falar mais abertamente desses temas. Não é assim nos Estados Unidos. Mostrar numa série de televisão é nossa maneira de tentar criar um fórum para conversar sobre isso e oferecer mais segurança para as pessoas denunciarem.” 

O recurso de fazer Julia ser violentada e então aparentemente tornar-se uma vilã foi bastante criticado na primeira temporada por um público cansado de ver o estupro como único instrumento narrativo para avançar a história de uma personagem feminina, sem muitas vezes nem mostrar suas consequências. Mas Maeve acredita que não vai ser assim com The Magicians. “Acho que os escritores têm a intenção de que não seja esquecido, que apareça ao longo de toda a temporada. Porque o estupro não é algo que simplesmente se esquece. Para mim, é importante. Tenho pessoas na família que sofreram abuso sexual. Precisamos falar sobre isso.”

A série também ficou conhecida por lidar com a sexualidade de maneira bem aberta – num dos episódios, Quentin, no início de um relacionamento com Alice, a trai com Margo e Eliot ao mesmo tempo. “As pessoas fazem sexo, pelas razões erradas e pelas certas. E isso pode complicar tudo. Por que não faria parte dessa história?”, avalia também Jason Ralph. 

Apesar de continuar tratando de dilemas bem humanos, a segunda temporada vai embarcar na fantasia, com os personagens passando bastante tempo na terra mágica de Fillory. “A magia toma conta e acaba atrapalhando a vida de todo mundo”, diz Olivia Taylor Dudley, que, conhecendo agora as possíveis consequências dos poderes mágicos, não os desejaria para ninguém. Claro que eles rendem bem para uma série de televisão. “Na segunda temporada os fãs vão enlouquecer porque temos as cenas Game of Thrones espetaculares, mas sombrias.” 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.