Christopher Saunders / Amazon Studios
Christopher Saunders / Amazon Studios

Museu critica Amazon por série ‘Hunters’

Instituição de Auschwitz diz que, ao inventar atrocidades ficcionais ligadas ao Holocausto, atração incentiva o negacionismo

Alan Charlish/Reuters, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 07h00

 O Museu de Auschwitz criticou a Amazon por tratar com ficção o Holocausto em sua série Hunters, lançada no serviço de streaming Amazon Prime Video, e por vender livros de propaganda nazista.

Setenta e cinco anos após a libertação do campo de extermínio nazista de Auschwitz pelas tropas soviéticas, líderes mundiais e ativistas vêm pedindo ações contra o crescente sentimento antissemita.

Hunters, estrelada por Al Pacino, apresenta uma equipe de caçadores de nazistas na década de 1970 em Nova York que descobrem que centenas de nazistas fugiram para os EUA.

A série enfrenta, porém, acusações de mau gosto, principalmente por representar atrocidades ficcionais nos campos de extermínio nazistas, como um jogo de xadrez humano no qual as pessoas são mortas quando uma peça é retirada.

“Inventar um jogo falso de xadrez humano não é apenas uma tolice perigosa e uma caricatura. Também acolhe futuros negacionistas”, tuitou o Museu de Auschwitz. “Honramos as vítimas preservando a precisão factual.”

O Museu de Auschwitz é responsável pela preservação do campo de extermínio nazista no sul da Polônia, onde mais de 1,1 milhão de pessoas, a maioria de judeus, foram assassinados em câmaras de gás ou morreram de fome, frio e doenças.

A Amazon, também criticada por vender livros antissemitas, não respondeu à solicitação da Reuters para comentar o assunto.

A agência de notícias estatal polonesa PAP citou a Amazon, dizendo que, como plataforma de venda de livros, estava ciente da censura de livros e acreditava que era importante garantir o acesso a eles, incluindo aqueles que podem suscitar polêmicas. Na sexta-feira, o museu retuitou uma carta do Fundo Educacional do Holocausto para a Amazon pedindo que os livros infantis antissemitas do nazista Julius Streicher, que foi executado por crimes contra a humanidade, fossem removidos da plataforma.

“Quando você decide lucrar com a venda de propaganda nazista antissemita, publicada sem nenhum comentário ou contexto crítico, é preciso lembrar que essas palavras levaram não apenas ao Holocausto, mas também a muitos outros crimes de ódio”, escreveu o Museu de Auschwitz no Twitter. Em dezembro, a Amazon retirou produtos decorados com imagens de Auschwitz, incluindo decorações de Natal, depois que o museu se manifestou contra.

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