Mundo das séries seduz cineastas Alfonso Cuarón e Robert Rodriguez

Diretores estreiam ‘Believe’ e ‘Um Drink no Inferno’, enquanto Scorsese prepara piloto com Mick Jagger

Clarice Cardoso, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2014 | 16h00

Alfonso Cuarón levou quase cinco anos para terminar Gravidade, que lhe rendeu sete Prêmios Oscar, incluindo o de diretor. No processo que define como "quase interminável", teve a ideia para série sobre uma criança com poderes sobrenaturais. Nascia Believe, que estreia quarta, às 20 h, no Warner.

"Para começar, queria fazer um projeto em que as pessoas não estivessem flutuando", brincou em entrevista à AP. "Quis criar, acima de tudo, algo profundamente emocional."

Para o projeto, ele se juntou a JJ Abrams (famoso por Lost e Star Trek), que conhece há mais de 20 anos e com quem já queria trabalhar. Abrams logo topou levar adiante a história de Bo (Johnny Sequoyah), a menininha de 10 anos que nasceu com poderes especiais: pode levitar, mover objetos com a mente, controlar a natureza e prever o futuro. O que ela não pode é entender como seus dons a põem em risco.

 

Órfã, vive em perigo, mas tem um protetor atento, Winter (Delroy Lindo). No primeiro episódio, ele tira do corredor da morte Tate (Jack McLaughlin), que alega ser inocente, e dá a ele a responsabilidade de cuidar da menina como um pai. Do outro lado do jogo está Roman Skouras (Kyle MacLachlan), um bilionário cujas intenções não estão ainda muito claras.

A sequência inicial, com Bo cantarolando, logo lembrará o cinéfilo de Filhos da Esperança, e comprova que o que o primeiro episódio traz de mais interessante é sem dúvida Cuarón. Ele constrói cenas com sutileza e belos planos para dar o pontapé inicial numa história que não é exatamente inovadora, e cujos personagens ainda precisam ser aprimorados. Não vai dirigir outros capítulos, mas, como cocriador, não deve simplesmente deixar a série de canto.

Por outro lado, falta de envolvimento não é nem de longe algo de que se possa acusar o cineasta Robert Rodriguez, que adaptou seu clássico cult Um Drink no Inferno para uma série que estreia também na quarta no Netflix. Os ecos do estilo de Cuarón em Believe parecem tímidos se comparados ao que se vê aqui.

Ao menos no primeiro episódio, Drink é Rodriguez puro, com a marca de seus filmes de baixo orçamento: jorros de sangue, diálogos espirituosos e tiroteios vertiginosos em belos ângulos. Não é à toa. Rodriguez dirigiu diversos episódios da produção, que é parte de um projeto que inclui o canal de TV El Rey, lançado nos EUA no fim do ano passado.

É inevitável e até injusto comparar a atuação de D.J. Cotrona e Zane Holtz à de George Clooney e Quentin Tarantino, mas coube a eles reviver os personagens do longa de 1996, os irmãos que deixam um rastro de sangue por onde passam.

Quando a série começa, eles estão fugindo para o México depois de assaltarem um banco e a situação numa loja de bebidas vai mal. Tudo se passa ali dentro, em um confronto estonteante que deve dar o tom do que virá. Dali, eles vão para a fronteira até um bar de strippers no qual vivem vampiros.

"Nossa próxima produção original atingirá um público mais amplo", disse o diretor à AP, que afirma querer falar diretamente com "homens jovens e mulheres duronas". Rodriguez confirma que está se doando totalmente a Um Drink. "Faço tudo menos ligar a TV por você", brinca.

Futuro grandioso. Um aclamado cineasta com projeto para a TV é Martin Scorsese, que prepara um aguardado piloto para a HBO. Ainda sem título, o que se sabe é que ela será coescrita por Terence Winter (Boardwalk Empire e O Lobo de Wall Street) e terá como pano de fundo a cultura roqueira de NY dos anos 1970. Um dos idealizadores e produtores executivos é ninguém menos que Mick Jagger, e o elenco já tem Olivia Wilde e Bobby Cannavale.

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