MTV ergueu um patrimônio pop

Acústicos lançados pela emissora criaram um gênero pop imbatível

Julio Maria - O Estado de S. Paulo,

15 Junho 2013 | 03h00

A MTV não é mais a mesma há muito tempo. Mais precisamente no início dos anos 2000, quando passou a renegar a música a um segundo plano e ativar sua produção de programas humorísticos. O VJ ficava maior do que o cantor e a empresa investia em si mesma, suspirando de paixão cada vez que se olhava no espelho. Esqueceu que os moleques queriam saber mais do som do Audioslave ou do Marcelo D2 do que dos gracejos de Marcos Mion. Antes disso, porém, lá pelo começo do ano de 1990, a MTV ergueu um patrimônio à música pop brasileira chamado Acústico MTV.

A ideia trazida da matriz norte-americana se tornou um gênero e deixou pegadas gigantes na música do País. Tudo começou com um piloto feito em 1990 com o então em alta Marcelo Nova, justamente no ano em que a emissora chegou ao Brasil.

Depois disso, gravou um programa com Legião Urbana, em 1992, que só lançaria em 1999, e passou a funcionar como um elixir da juventude a carreiras em declínio. O Capital Inicial viveu sua ressurreição em 2001, depois de passar pelos estúdios da emissora e fazer um desplugado com Kiko Zambianchi cantando Primeiros Erros.

Um estrondo que levou a banda a conhecer um público que não tinha e a fazer o Rock in Rio daquele mesmo ano com pinta de Rolling Stones. Antes deles, os Titãs experimentaram do mesmo efeito. Depois de anos na sombra, venderam 1,7 milhão de cópias em 1997 e chegaram a lançar um segundo disco um ano depois, nos mesmos moldes.

Antes que a fórmula fosse esgotada, a emissora marcou seu maior gol ao conseguir levar para seus estúdios o cantor Roberto Carlos, depois de uma longa negociação com a Globo, dona do passe do Rei. Gravou o maior especial que fez em seus 22 anos de projeto – o último foi no ano passado, com Arnaldo Antunes – mas sofreu um golpe do destino. Depois de ter liberado a participação do cantor, a Globo impediu que a versão do programa em DVD fosse comercializada. Quem viu o programa, viu. Quem não viu, tudo bem. A MTV perdeu a guerra para uma estratégia que ela mesma criou: a cultura do videoclipe. E o YouTube chegou para fazê-la sumir do mapa. Até Robertão, que não é encontrado em DVD, está lá, com o show gravado na MTV na íntegra par ser visto por todo o planeta.

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