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'Mr. Robot' traz a nova face do ciberativismo

Em sua 2.ª temporada, série reflete a diversidade e o multiculturalismo que definem a vida americana

Jeremy Egner, The New York Times

23 Julho 2016 | 16h00

Cinematográficas e realistas, as cenas de hacking no techno-thriller Mr. Robot, do USA Network, não são fáceis de fazer. No set da série no Brooklyn, no início de julho, a antena de Wi-Fi de mentira em uma cena não parava de cair, a tela de um celular não ficava acesa e, em um momento tenso, um laptop caiu no chão.

“Espero que tenha garantia”, disse ao produtor o ator principal da série, Rami Malek, vestindo o moletom preto característico de seu personagem, Elliot Alderson. Tais momentos ressaltam a dificuldade de reproduzir o mundo tenso da série criada por Sam Esmail.

Estreando em meados do ano passado como uma curiosidade sombria em um canal conhecido principalmente por sujeitos bonitinhos de terno, Mr. Robot se tornou uma das séries mais aclamadas de 2015. Mr. Robot, interpretado por Christian Slater, é o líder de um grupo de hackers chamado fsociety, que recruta Elliot para destruir a empresa que ele é pago para proteger.

Inspirada em movimentos da vida real como Anonymous e Occupy, a história sobre programadores anarquistas em guerra com a cultura corporativa era a inversão hacktivista do clichê do Vale do Silício: os ativistas da “fsociety” de Mr. Robot procuravam transformar o mundo em um lugar melhor destruindo suas bases financeiras.

A primeira temporada ganhou vários prêmios por incorporar preocupações atuais, como a perda de privacidade em meio à tirania dos smartphones e das mídias sociais. Às vezes, a atualidade se refletia na tela – e entre os eventos do mundo real que a série estranhamente antecipou estão ataques corporativos embaraçosos (ao site Ashley Madison) e, mais tragicamente, a morte televisionada. (O fim da temporada em agosto, em que um executivo se mata ao vivo na TV, foi adiado por uma semana depois que um homem armado matou dois jornalistas na Virgínia durante uma apresentação.)

Além de Esmail, o maior responsável pela possibilidade de Mr. Robot ter só uma temporada muito boa ou ser uma série com algum poder de permanência é Malek. O ator revelação de 35 anos teve uma ótima atuação como Elliot – um hacker talentoso, que sofre de fobia social e é viciado em morfina – e é a cara do seriado em todos os aspectos.

O público assiste à trama em grande parte pela perspectiva instável e pouco confiável de Elliot. Seu olhar atento vibra com intensidade em um momento e vulnerabilidade no outro; manifesta fisicamente os temas fraturados e ansiosos de Mr. Robot tão explicitamente quanto o grosseiro e amuado Tony Soprano em Os Sopranos ou o esperto, mas problemático Don Draper em Mad Men.

Mas, ao contrário desses homens brancos e complicados, Malek, que como Esmail tem ascendência egípcia, representa uma era em que a TV, em programas como Orange Is the New Black e Fresh Off the Boat, está finalmente começando a refletir a diversidade e o multiculturalismo que definem a vida americana.

Em uma série com urgência moderna, ele é um galã urgentemente moderno, embora a frase o faça rir. “Cinco ou 10 anos atrás, eu nem seria considerado para o papel principal de uma série. Até mesmo as audições eram tipo: ‘De jeito nenhum’”, contou Malek.

A segunda temporada de Mr. Robot sofre duas pressões: será que vai conseguir manter a promessa da estreia? Os elogios vão se traduzir em uma audiência maior? Esmail vê os novos episódios como o início do segundo ato de uma história que ele espera que dure quatro ou cinco temporadas.

Quanto a Malek, que não sabia nada sobre a cultura hacker antes da série e permanece cético sobre o que considera a falsidade das redes sociais – uma vez postou fotos de si mesmo e outros atores em sua conta do Instagram, mas acabou apagando. Sua conta continua vazia.

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