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Mostra ibero-americana começa nesta 2ª em São Paulo

Espetáculos teatrais da Argentina, Uruguai, Colômbia e Peru terão entrada gratuita

Beth Néspoli,

07 de março de 2010 | 14h32

Embora venha se ampliando, ainda é raro o intercâmbio cultural entre o Brasil e seus vizinhos latino-americanos. Oferecer ao público a oportunidade de conferir, numa mesma semana, espetáculos teatrais da Argentina, do Uruguai, da Colômbia e do Peru, e com entrada grátis, é iniciativa que merece ser aplaudida. Pois espetáculos desses países, e ainda da Espanha, Portugal, Cuba, México e também do Brasil integram a programação do 3º Festival Ibero-Americano de Teatro de São Paulo, que começa nesta segunda-feira, 8, no Memorial da América Latina.

 

Vale conferir. Mostras brasileiras como as de Londrina e de Porto Alegre, nas quais a presença do teatro sul-americano é comum, já comprovaram que pode haver muita qualidade na cena dos vizinhos. "Já trouxemos alguns bons espetáculos, mas acho que nosso maior ganho é a regularidade, ter conseguido chegar à terceira edição, mesmo com orçamento curto, e assim sedimentar esse festival no calendário da cidade", diz Fernando Calvozo, diretor artístico da Fundação Memorial, idealizador do projeto.

 

Uma análise da programação aponta uma diversidade de linhas e estéticas, ecletismo que tem como aspecto positivo a possibilidade de atrair, e agradar, diferentes públicos. Rodando, da Argentina, por exemplo, parece ter potencial para agradar ao espectador que busca a chamada experimentação cênica. O ator Germán Rodríguez, também autor do texto em parceria com Alejandro Acobino, narra histórias que se cruzam como se lesse um roteiro de cinema. "Se alguém me diz que vou ver isso no teatro eu não acredito; se creio, não vou; e não indo, perderia um dos melhores espetáculos portenhos em cartaz", escreveu o crítico argentino Ignacio Apolo sobre esse solo.

 

Gris Mate, da Espanha, foi criado pelo autor Iñaki Rikarte a partir da fotografia de um homem que aponta uma seta para o céu. No palco, três seres estranhos, um estudante, um engraxate e um cabeleireiro, falam sobre a morte de Deus num texto em que o significado está além das palavras. Da Colômbia vem a montagem de um texto do venezuelano Gustavo Ott, sobre um casal burguês que revela seus preconceitos desde a escolha no nome do filho: "Esse não, parece nome de negro, ou de judeu, ou de pobre". Promessa de crítica radical com pitadas de humor negro. Há ainda o mexicano Tom Pain, cujo cenário é um cubo de gelo, texto de Will Eno já visto no Brasil em solo do ator Guilherme Weber, sob direção de Felipe Hirsch.

 

Há também comédias de ampla aceitação, como Lost in Space, de Portugal, ou O Homem das Cavernas, do Brasil. E peças com carreira de sucesso, como A Alma Boa de Setsuan, com Denise Fraga, ou As Viúvas, do Tapa, esta dirigida pela atriz Sandra Corveloni.

 

Lima Duarte abre a mostra nesta segunda-feira, 8, com um solo escrito especialmente para ele por Chico de Assis, autor que estará numa das mesas de debate. "A novidade hoje é um teatro híbrido. Até o drama foi inoculado pela perspectiva da estranheza e do distanciamento de Brecht", diz.

 

Programação paralela

 

Na programação paralela haverá um lançamento editorial importante, na quinta-feira, 11. A Imprensa Oficial publica os primeiros dez volumes da coleção Primeiras Obras, com peças de autores jovens, todos ligados ao movimento teatral da Praça Roosevelt, como Sérgio Roveri, Otávio Martins e Rudifran Pompeu. Nove artistas foram contemplados com um volume próprio e o décimo, Dramamix, reúne 30 textos curtos de diferentes dramaturgos.

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