Claudette Barius/HBO/EFE
Claudette Barius/HBO/EFE

‘Mosaic’ é um experimento de Steven Soderbergh

Série de suspense da HBO foca na morte de escritora e no esforço de 4 anos feito pela lei e civis para descobrir a verdade

Mariana Morisawa/Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2018 | 06h00

NOVA YORK - Steven Soderbergh nunca foi de se acomodar. Em seus mais de 30 anos de carreira, ele fez filmes mais comerciais como Onze Homens e Um Segredo e projetos arriscados como Che, em duas partes. Anunciou a aposentadoria do cinema e foi fazer uma série quase de terror de época sobre um cirurgião viciado em The Knick.

Voltou ao cinema com Logan Lucky – Roubo em Família e já rodou um filme de horror com um telefone celular. Retorna à televisão com um conceito novo, em Mosaic, lançado primeiro nos Estados Unidos como um aplicativo interativo em que o usuário podia escolher que personagem e linha narrativa acompanhar.

No resto do mundo, Mosaic, da HBO, estrelada por Sharon Stone, chega apenas no formato de série linear. No Brasil, os seis episódios começaram a passar desde segunda, 22, às 23h, até dia 26, quando serão exibidos os dois últimos em sequência. 

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Na trama de mistério, Sharon Stone é a escritora de livros infantis Olivia Lake, que vive num cobiçado pedaço de terra nas montanhas nevadas de Utah. Temendo envelhecer e ficar sozinha, ela leva para casa o aspirante a artista Joel Hurley (Garrett Hedlund), que faz pequenos serviços na propriedade em troca do aluguel – ou, pelo menos, é o que ele pensa, já que a série brinca com os diferentes pontos de vista.

Olivia se envolve com um vigarista profissional chamado Eric Neill (Frederick Weller), contratado para convencê-la a vender sua propriedade. Ela termina assassinada.

“É um projeto de investigação, rodado como um documentário”, disse Stone em entrevista ao Estado, em Nova York. “Estamos vendo uma mulher numa perspectiva muito crua. Não é uma mulher de mentira. É ela com todos os seus pensamentos, emoções, para mim é um reflexo do que está acontecendo, de como o mundo está mudando.” 

A atriz, que trabalhou com alguns dos grandes nomes do cinema, como Martin Scorsese, adorou a experiência com Soderbergh. “Ele é empolgado, brilhante, superpreparado. Sua equipe sabe o que tem de fazer, não há tempo perdido. Sabemos a direção que estamos indo. Não tem loucura nenhuma. É um grande líder.” 

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Soderbergh famosamente opera a câmera em seus filmes e usa a luz do ambiente, sem perder tempo com o reposicionamento de luzes artificiais para cada cena. Move-se muito rapidamente, fazendo apenas uma ou duas tomadas de cada cena. Faz a edição na cabeça e, ao fim do dia, monta o que filmou. Frederick Weller, que tinha participado de dois episódios de The Knick, contou que a experiência é surpreendente no início. “Não havia lugar para os atores se sentarem, nem monitores. Ele operava a câmera. Não tinha marcação de cena. Ele achava os atores. É divertido, não tem espera.” 

No caso de Mosaic, os atores foram convidados diretamente, sem teste, e receberam apenas as partes do roteiro pertinentes a seus personagens. “É realista, porque a gente não sabe os detalhes da vida das pessoas ao nosso redor”, disse Devin Ratray, que interpreta o investigador do assassinato de Olivia. Também havia uma questão prática: como, além dos seis episódios, os atores precisavam aprender os diálogos levemente diferentes para as avenidas narrativas do aplicativo, que conta a história de perspectivas diferentes, era muita coisa para decorar, mais de 500 páginas de roteiro. 

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A reportagem do Estado teve oportunidade de ver os episódios da versão linear e explorar o aplicativo. A série da HBO apresenta bem o mistério, mas demanda bastante atenção para captar as nuances, as idas e vindas no tempo e as diferentes perspectivas, que são atenuadas.

O aplicativo isola a narrativa em pedaços de 20 e poucos minutos, deixando mais claros os diferentes pontos de vista. Pequenas janelas no meio da história dão oportunidade para o usuário explorar o espaço ou o detalhe das obras de Joel, por exemplo. Como todo experimento, a primeira vez nunca é perfeita, mas há potencial. 

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