Morre Carlos Manga aos 87 anos

Morre Carlos Manga aos 87 anos

Foi pioneiro como diretor de televisão e cinema

Cristina Padiglione, Fabio Grellet e Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2015 | 19h55

Atualiazada às 21:40

O diretor de cinema e TV Carlos Manga, de 87 anos, morreu nesta quinta-feira (17), em sua casa, no Rio de Janeiro. A notícia foi divulgada pela atriz Fernanda Paes Leme, que prestou uma homenagem ao diretor por meio do microblog Twitter, e depois confirmada pela Central Globo de Comunicação. Até a noite de desta quinta-feira, não havia informações sobre a causa da morte. Durante 32 anos, de 1980 a 2012, Manga trabalhou na Rede Globo, onde foi diretor ou produtor de novelas.

Bancário que gostava de cinema, levou sua paixão para a Atlântida Cinematográfica, onde começou como almoxarife, até virar contrarregra, assistente de montagem, e por fim, ocupar lugar de destaque. Fez sucesso na era de ouro das chanchadas e corou sua trajetória como diretor de O Homem do Sputinik, um clássico com Norma Bengell, Oscarito e Cyll Farney.

Na TV, fez de minisséries e novelas a programas da linha de shows, como Chico City, de Chico Anysio, e Domingão do Faustão, onde não deixou boas lembranças. Foi sob sua gestão que o programa tropeçou no episódio mais polêmico de sua história, o sushi erótico, que levava uma modelo ao palco, nua, coberta por menu japonês que era, aos poucos, ingerido por três convidados.

Manga encerraria ali sua trajetória nos auditórios, mas deixa boas referências na TV com títulos como o remake de Anjo Mau (1997), Torre de Babel (1998), Eterna Magia (2008) e algumas das mais primorosas minisséries de seu tempo, como Agosto (1993), de Rubem Fonseca, Memorial de Maria Moura, baseada na obra de Rachel de Queiroz, e Um Só Coração, seu último trabalho, de 2004, de Maria Adelaide Amaral.

José Carlos Aranha Manga nasceu no Rio de Janeiro em 6 de janeiro de 1928. Começou a vida como bancário, mas, como gostava muito de cinema, logo conseguiu outro emprego, na Atlântida, a principal produtora de filmes brasileiros na metade do século passado. Lá, dirigiu clássicos do gênero, como Nem Sansão Nem Dalila e Matar ou Correr, ambas estreladas por Oscarito.

O humorista, aliás, tornou-se uma das principais referências em suas comédias. Célebre por fazer imitações (Getúlio Vargas era um de seus clássicos), o ator nascido na Espanha montou uma grande parceria com Grande Otelo. 

Sucesso de público, mas alvo de pauladas da crítica especializada, Manga só foi reconhecido anos depois, quando seus filmes (e outras chanchadas) se tornaram cult e objeto de estudo, como na já clássica obra de Sergio Augusto, colunista do Estado, Este Mundo É um Pandeiro, lançado em 1989, pela Companhia das Letras. 

“Demoraram a me reconhecer porque eu sempre me preocupei em ser popular, e a crítica brasileira prefere incensar filmes que poucos veem”, dizia Manga que, na televisão, logo ganhou a fama de mago por causa do sucesso de suas produções - Um Só Coração, por exemplo, a sétima produção do gênero comandada por ele, atingiu uma média de 33 pontos de audiência nas duas primeiras semanas, um feito para a época. 

Um de seus últimos trabalhos foi comandar o humorístico popular Zorra Total. 


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