IARA MORSELLI|ESTADÃO
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Morre aos 75 anos o ator Umberto Magnani

Ele estava na novela 'Velho Chico', na qual interpretava o padre Romão

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2016 | 11h24

Umberto Magnani viveu exatos 75 anos, idade completada na última segunda-feira, 25, quando o colega Gésio Amadeu, o Chico Criatura (dono do bar na novela Velho Chico), que o acompanhava nas gravações do dia, percebeu seu mal-estar e chamou por socorro. Estavam nos Estúdios Globo, em Curicica, zona Oeste do Rio, e o ator foi levado para o Hospital Vitória, na mesma região. Diagnosticou-se um Acidente Vascular Encefálico (AVE) hemorrágico e Magnani foi submetido a cirurgia, mas não resistiu e morreu nesta quarta, 27, pela manhã.

Casado com Cecília Maciel Magnani, o ator a quem o público vinha chamando de Padre Romão na novela das 9 deixa três filhos - Ana Julia Magnani, Beto Magnani, Graciana Magnani -, duas netas e mais de 40 personagens entre alguns filmes, várias novelas e minisséries e muitas sessões teatrais. O enterro será nesta sexta, 29, no Cemitério Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo, onde nasceu, às 9h.

A TV que o fez famoso só o conheceu em 1973, pela primeira versão de Mulheres de Areia, de Ivani Ribeiro, na Record. Àquela altura, o homem já acumulava alguns feitos no teatro. Formado pela Escola de Artes Dramáticas (EAD), da USP, em São Paulo, foi para o Teatro de Arena em 1968, substituindo Antonio Fagundes em Primeira Feira Paulista de Opinião, de Lauro César Muniz, Bráulio Pedroso, Jorge Andrade, Gianfrancesco Guarnieri, Plínio Marcos e Augusto Boal, com direção de Boal. Nos palcos não se limitava à boca de cena, participando de direção e produção, função que inaugurou em 1971, com Palhaços, de Timochenco Wehbi, sob direção de Emílio Di Biasi. Assim se deu também com A Capital Federal, de Artur Azevedo, com direção de Flávio Rangel e produção de Cleyde Yáconis; Réveillon, de Flávio Márcio e direção de José Renato; O Santo Inquérito, de Dias Gomes, sob direção de Flávio Rangel, e Honra, de Joanna Murray-Smith, dirigido por Celso Nunes.

Fez Frank V, de Friedrich Dürrenmatt, Um Homem Chamado Shakespeare, de Barbara Heliodora e Ana Amélia Carneiro de Mendonça, ganhou Troféu Mambembe e Prêmio Molière por Lua de Cetim, de Alcides Nogueira, e mais outro Troféu Mambembe e o Prêmio Governador do Estado por Às Margens do Ipiranga, de Fauzi Arap. Outro prêmio Governador do Estado veio por Nossa Cidade, de Thornton Wilder, dirigido e adaptado por Eduardo Tolentino, numa produção do Grupo Tapa. Subiu ao palco com o filho, Beto Magnani, em Avesso, resultado da tradução de Edla Van Steen para o texto de David Mamet Uma Vida no Teatro.

Tamanha produção nos palcos retraiu um pouco sua agenda no cinema. Fez o primeiro filme em 1976 - Chão Bruto de Dionízio Azevedo. Quase dez anos se passaram até o segundo longa, A Hora da Estrela, de Suzana Amaral (1985), seguido de Jogo Duro, de Ugo Giorgetti, Kuarup, de Ruy Guerra, Cronicamente Inviável, de Sérgio Bianchi, Cristina Quer Casar, de Luiz Villaça, e Quanto Vale Ou É Por Quilo?, de Bianchi, em 2005.

Também demorou quase dez anos para voltar à TV, entre Mulheres de Areia e Caso Verdade (1982), já na Globo, para nunca mais sair de cena, circulando entre SBT, Record e Globo, até a forçada despedida de padre Romão, o personagem da vez.

Ator ainda está nos próximos capítulos; novo padre vem aí

Muito solicitado no enredo de Benedito Ruy Barbosa, o conciliatório padre Romão estará em cena por mais uma semana, no mínimo. Quando o estoque se esgotar, dirão que ele foi chamado com urgência para ser padre emérito em outro lugar. Para substituí-lo, virá padre Benício, papel já destinado a Carlos Vereza.

Romão representava a volta de Magnani à Globo após dez anos. Em 2007, após ‘Páginas da Vida’, sua sétima novela de Manoel Carlos, autor que mais frequentou (fez ‘Felicidade’, ‘História de Amor’, ‘Laços de Família’, ‘Presença de Anita’, ‘Por Amor’ e ‘Mulheres Apaixonadas), foi para o SBT, e de lá para a Record. Esteve em duas das maiores obras já adaptadas para a TV: ‘Anarquistas Graças a Deus’ (1984) e ‘Grande Sertão: Veredas’ (85). Em um evento de lançamento de ‘Velho Chico’, antes da estreia, celebrou a produção: ‘se o público discutir em casa 10% do que ouvirá e verá na novela, já será uma vitória para o nosso país’. 

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