Morre aos 101 anos a atriz e humorista Dercy Gonçalves

A humorista estava internada desde a madrugada deste sábado, 19, com sintomas de pneumonia grave

Da Redação, Alexandre Rodrigues e Roberta Pennafort

19 de julho de 2008 | 17h52

A atriz e comediante Dercy Gonçalves, de 101 anos, morreu na tarde deste sábado, 19, no Rio. Ela foi levada para o Hospital São Lucas, em Copacabana, bairro onde morava, durante a madrugada. Segundo nota divulgada pelo hospital, Dercy chegou à unidade com sinas de "uma pneumonia comunitária grave", que, segundo os médicos, evoluiu rapidamente para um quadro de "sepse pulmonar e insuficiência respiratória".  Veja também:'Dercy era um exemplo de força', diz Adelaide ChiozzoGaleria de imagens da humorista   A atriz faleceu às 16h45, informou o hospital. Até o início da noite, a filha de Dercy, Dercimar, e amigos próximos à família não haviam se pronunciado sobre o velório e o sepultamento da atriz. Provavelmente ela será enterrada em Santa Maria Madalena, sua cidade natal, no Norte Fluminense. Apesar de sua longevidade, Dercy pensava na morte. Ela comprou um túmulo no cemitério da cidade e decorou a lápide de acordo com seu gosto.  O governador Sérgio Cabral e o prefeito Cesar Maia decretaram luto oficial no Estado do Rio e na capital em homenagem à atriz. Cesar Maia também afirmou hoje que vai buscar um logradouro ou equipamento público para batizar com o nome da atriz. Em Santa Maria Madalena, a festa da padroeira da cidade foi interrompida com a morte de Dercy. A notícia foi anunciada no sistema de som e a festa foi suspensa. O prefeito da cidade, Clementino da Conceição, decretou luto oficial de sete dias. O velório da atriz será no próximo domingo, 20, na Assembléia Legislativa do Rio. Na segunda-feira, 21, na cidade natal de Dercy, Santa Maria Madalena, acontece o enterro. Memória Dercy Gonçalves nasceu Dolores Gonçalves Costa, na cidadezinha Santa Maria Madalena, no Estado do Rio, em 23 de junho de 1908/07. Nos anos em que lá viveu, Dercy colocou em polvorosa a pacata cidade, mesmo tendo no pai, um português de nascimento, a figura da severidade, do conservadorismo e da educação rígida. Sob as barbas dele, revelou bem cedo sua vocação artística.  Não raro, à noite, enquanto a família dormia, a já irriquieta Dercy costumava ir defronte ao espelho, molhava na boca papel de seda escarlate e com ele coloria as faces. Certa vez, o pai a pegou no pulo. Acordou altas horas da madrugada e percebeu a luz acesa no quarto das filhas. Abriu a porta e viu Dercy, de pé, com um vermelhidão no rosto e pó de carvão ao redor dos olhos, representando para as irmãs. O flagrante rendeu uma das maiores surras da vida dela. Mas Dercy continuou as peraltices. Era alegria dos clientes da alfaiataria do pai, cantava escondida, arranjou o primeiro namorada. A população da cidadezinha, escandalizada com as atitudes consideradas pouco aconselháveis para uma menina de família, logo a apelidou de "pola negri".  Dercy ia contra tudo o que se possa esperar dela. Até mesmo quando o que se espera é muito escracho e deboche, ela é capaz de surpreender. Quando questionada por uma repórter de uma equipe de TV sobre o amor, Dercy respondeu categoricamente: "O amor não existe, o único amor que existe é o amor de mãe e filho, o resto é tudo sacanagem. Deus criou o sexo para que gerássemos filhos. Sexo é reprodução. As pessoas é que arranjaram um frenesi em torno disso. Eu nunca fui chegada em sexo." Não era de se esperar que uma atriz que fugiu de casa aos 17 anos, começou sua carreira no circo e ficou famosa por ser desbocada a ponto de fazer corar as platéias mais despojadas, tivesse tal atitude. Seu último longa é Oceano Atlantis, de 1993, mas Dercy participou de outros projetos depois disso, entre curta-metragens e peças de teatro. (com Adriana Del Ré, d'O Estado de São Paulo) 

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