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Morre a atriz Marilu Bueno, aos 82 anos; relembre sua carreira

Única artista presente nas duas versões da novela 'Guerra dos Sexos' também ficou marcada como a Olímpia na peça 'Trair e Coçar, É Só Começar'

André Carlos Zorzi e Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2022 | 19h58

RIO DE JANEIRO - A atriz Marilu Bueno, de 82 anos, morreu no fim da tarde desta quarta-feira, 22, no Rio de Janeiro. Desde 2 de junho ela estava internada no hospital municipal Miguel Couto, no Leblon (zona sul do Rio), onde foi submetida a uma cirurgia no abdômen. Por conta de complicações no pós-operatório, ela teve de ser transferida da enfermaria para a UTI. Não foram divulgados detalhes sobre o quadro clínico da atriz.

Solteira e sem filhos, Marilu teve uma extensa carreira artística no cinema e na TV. Até a publicação deste texto não haviam sido divulgadas informações sobre o enterro da atriz.

Nome conhecido dos palcos e da televisão, esteve em produções como a peça Trair e Coçar É Só Começar, as duas versões da novela Guerra dos Sexos e, mais recentemente, em Salve-se Quem Puder, no horário das 7.

Em Guerra dos Sexos, viveu Olívia, a governanta da mansão dos protagonistas Otávio (Paulo Autran/Tony Ramos) e Charlô (Fernanda Montenegro/Irene Ravache), com quem tinha mais afinidade. Marilu Bueno foi a única atriz que esteve presente no elenco da versão de 1983 e de 2012, interpretando o mesmo personagem.

Em De Corpo e Alma (1992), fez a personagem Lacy Bianchi, casada com Domingos (Stênio Garcia) e mãe de Paloma (Cristiana Oliveira), que tinha uma doença cardíaca. Sua outra filha na trama, Yasmin, era interpretada por Danielle Perez, atriz que foi assassinada durante as gravações.

Em entrevista ao portal Ig, em 2012, relembrava: "Eu e Stênio gravamos as últimas cenas com a Dani ainda viva. O cenário era o quarto da personagem dela. O pior foi ter que voltar a esse mesmo cenário dois dias após o enterro. Era preciso. A novela precisava continuar. Fomos gravar 'morrendo'."

Já na novela Sem Lenço, Sem Documento (1977), viveu Gina Duran, que aspirava ser cantora lírica mas não conseguia emplacar sua carreira, casada com Heleno (Jaime Barcellos) e patroa de Cotinha (Ilva Niño), uma das quatro irmãs do enredo principal da trama.

Na Globo, onde estreou estreou em O Bofe (1972), também esteve em O Noviço (1975), Estúpido Cupido (1976), Partido Alto (1984) e A Gata Comeu (1985). Nesta última, interpretou Tetê, personagem que sempre brigava com o marido, Gustavo (Cláudio Corrêa e Castro), era mãe de Babi (Mayara Magri) e patroa de Nair (Marina Miranda).

Passou um período na Manchete, onde fez as novelas Tudo ou Nada (1986), Dona Beija (1986) e a minissérie A Rainha da Vida (1987), antes de retornar à Globo para o elenco da minissérie O Primo Basílio (1988).

Trabalhou em diversos programas da casa, incluindo alguns de Angélica, como Caça-Talentos (1996) e Angel Mix (2000), além de Brava Gente (2001) e O Quinto dos Infernos (2002). Teve outro período longe da emissora, quando foi para a Record, participando de Bicho do Mato (2006) e Chamas da Vida (2008).

Voltou à emissora carioca justamente para o remake de Guerra dos Sexos. Em 2014, viveu a mãe do Paulão da Regulagem (Evandro Mesquita) na última temporada de A Grande Família, e ainda integrou o elenco de Êta Mundo Bom (2016) como dona Narcisa. Pouco depois de sua participação no folhetim, foi resgatada por bombeiros após ser encontrada desacordada em sua casa, e passou algum tempo internada em estado grave.

Em Salve-se Quem Puder (2020) viveu Dulce, avó de Gabi (Nina Frosi), que recebia Mário (Murilo Rosa) em sua casa. Por conta da sua idade avançada e dos riscos da pandemia, acabou fazendo poucas cenas e com cuidados redobrados durante certo período das gravações.

No teatro, ficou marcada pela empregada Olímpia, de Trair e Coçar, É Só Começar. Lançada em março de 1986, a peça teve cerca de 11 atrizes no papel ao longo das duas décadas seguintes - ela esteve no papel no fim dos anos 1980. "Marilu Bueno foi uma das primeiras, conferiu um tom mais escrachado ao personagem", contava o autor Marcos Caruso ao Estadão, em 2006.

Em 1990, esteve no elenco de Rebeldades, peça dirigida por Marília Pêra e com direção musical de Rita Lee e Roberto de Carvalho, ao lado de Cristtine Nazareth, Sandra Pêra e João Bourbonnais. A trama mostrava um pacato casal carioca se encontrando com duas excêntricas amigas paulistas num mesmo apartamento. Também esteve presente em O Crime do Dr. Alvarenga, de 1999.

Longeva na profissão, é possível encontrar o nome de Marilu Bueno nas páginas do Estadão em 1958, quando integrou o elenco de O Canto da Cotovia.

No cinema, fez sua estreia no elenco de O Cupim (1960), filme com Oscarito e Sonia Mamede. Apareceu também em Menino Maluquinho 2 - A Aventura (1998) e O Homem do Ano (2003).

Mas o público mais recente deve se lembrar de Marilu como Zuleika, tia de Maria da Graça (Xuxa Meneghel) no longa Lua de Cristal (1991). Dona de uma gargalhada malévola e que bradava ser a síndica do prédio em que vivia, era a única parente da protagonista no Rio de Janeiro, apesar de não demonstrar muito carinho por ela. Sua atuação era claramente inspirada nas bruxas de animações clássicas, como Bela Adormecida e Branca de Neve- chega a oferecer uma maçã à personagem de Xuxa, e em outro momento, questiona: "Espelho, espelho meu: existe mulher mais bela do que eu?".

 

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