Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Monica Iozzi ganha seu primeiro papel principal na TV na série ‘Vade Retro’

A atriz, que despontou no ‘CQC’, fala da carreira, polêmicas nas redes e de seu papel em nova série

Entrevista com

Monica Iozzi

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

26 Março 2017 | 03h00

Monica Iozzi fez fama na TV, após sua entrada no extinto programa CQC, na Band, mas foi no teatro que ela se encontrou primeiro como atriz. Assim, nada mais simbólico quando ela decidiu marcar no Espaço Parlapatões, em São Paulo, o encontro com a reportagem do Estado, para falar sobre sua nova personagem na televisão, Celeste, na série Vade Retro, da Globo em coprodução da O2 Filmes, que estreia na segunda quinzena de abril. Será a primeira protagonista da atriz na telinha, numa produção que carrega outros atributos importantes: é de autoria de Fernanda Young e Alexandre Machado, tem o veterano Tony Ramos também como protagonista e conta com a direção do premiado Mauro Mendonça Filho. 

Bateu o peso da responsabilidade? “Isso é engraçado, eu meio que comecei a me dar conta dessa questão do protagonismo na hora que a gente acabou”, garante Monica. “O trabalho foi levado de um jeito que eu nunca me senti pressionada a ir nesse lugar, de ‘você é a protagonista’. O elenco é pequeno, é tudo tão rico, ficou tão trupe que eu não me senti muito como protagonista, não senti essa cobrança assim. O que acho que me ajudou muito. A maior preocupação que eu tinha é que a Celeste tem várias fases, inclusive de aparência, e a gente não fez tudo cronologicamente. Eu, às vezes, gravava de manhã uma cena do episódio 1, à tarde, do 12, e no fim do dia, do episódio 7.” 

Na trama, ela vive a advogada Celeste, cujo escritório vai de mal a pior, e vê na entrada de um cliente, o empresário de sucesso Abel Zebu (Tony Ramos), como sua tábua de salvação. Seria ele o próprio diabo? É o que vai se descobrir – ou não. 

Na coxia do Espaço Parlapatões, a atriz Monica Iozzi, de 35 anos, diverte-se lembrando das peraltices artísticas que ela, a irmã e a prima armavam na infância, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Dos programas de rádio que escreviam e registravam num gravador. Da peça que apresentaram para a família. O talento e a criatividade levaram Monica para o teatro e, de lá, para o CQC, na Band. Do programa, ela saiu para voltar a atuar e, em questões de dias, já recebia convite para ir para a Globo, onde fez sucesso na bancada do Vídeo Show e agora interpreta sua primeira protagonista na TV. 

Você foi convidada para fazer Vade Retro quando ainda estava na bancada do Vídeo Show

Eu estava no Vídeo Show devia fazer uns 7 meses – fiquei lá um ano. Aí a gente estava apresentando um prêmio, eu e o Ota (Otaviano Costa). Ganhamos prêmio, o Mauro Mendonça Filho ganhou com Verdades Secretas e, no final, ele veio me dar um abraço. A gente não se conhecia e ele disse: ‘preciso falar com você’. Duas semanas depois, tivemos uma reunião. Ele disse: ‘a Globo me falou que você quer muito voltar a atuar, eu vi seu trabalho na novela (Alto Astral), o filme que você fez, vi pouca coisa, mas, do que conheço de você, pode dar certo’. Saí do Vídeo Show em fevereiro de 2016, tive umas feriazinhas e começamos a preparação em maio. 

Quando você saiu, surgiram boatos de que não queria mais fazer o Vídeo Show. Você não podia falar desse projeto na época?

Não, porque estava numa fase muito inicial. O Vídeo Show surgiu muito de surpresa. O Boninho me ligou numa terça, fizemos o piloto na quinta e estreamos na segunda. Num intervalo de poucos dias, descobri que eu ia ser apresentadora de um programa ao vivo e ia ter de morar em definitivo no Rio. E eu ainda estava fazendo a novela. Quando o Maurinho me convidou, o texto (da série) ainda estava nos últimos tratamentos. Teria de se pensar nessa transição. A gente não quis chamar muita atenção para isso. Só esclareceremos tudo na minha despedida. 

O Vídeo Show deu uma patinada após sua saída. Fizeram várias tentativas de apresentadores...

Acho que é assim: comigo e com o Otaviano (Costa), o pessoal via um programa na sexta e um completamente diferente na segunda. Éramos apresentadores, atores até, jogando, e isso deu uma inovada tão grande. Acho que eu e o Ota tivemos uma conexão tão rápida. Então, qualquer transição seria difícil, e acho que a gente no Brasil tem uma dificuldade grande de lidar com mudança. Isso no geral. Lembro de sentir isso no CQC. Acho que qualquer pessoa que entrasse para me substituir tinha uma bucha ali para resolver. Sem falsa modéstia, não sei se tão diretamente pela minha saída, mas o jogo meu e do Otaviano ficou tão redondinho. Eu me divirto assistindo. Acho que Sophia (Abrahão) foi superbem. 

Voltando à Vade Retro, a série tem um pouco do filme Advogado do Diabo

Como é um tema que não é muito tratado, muito menos na área de humor, a gente tende a puxar essas referências, para tentar entender um pouco melhor o que é. Mas acho que, fora essa relação de um ser humano comum sendo seduzido pelo diabo – no caso do filme, seria Keanu Reeves e Al Pacino, e aqui somos eu e Tony –, não vejo muita coisa parecida. Claro que fala da ganância humana, mas é um outro lugar. Vade Retro é uma proposta muito nova, os acontecimentos levantam discussões sobre muitas coisas, às vezes engraçadas, às vezes complicadas. 

Como o quê?

Todo episódio meio que tem um tema de fundo, às vezes não é tão claro, mas para a gente é. Tony começa sempre fazendo uma palestra, porque essa é uma das coisas que o personagem dele faz. É um desses caras riquíssimos que dá palestra pelo mundo inteiro. A gente tem muito os sete pecados capitais rondando essa atmosfera. A história é: um homem poderoso, sem escrúpulos, vaidoso, rico. Esse homem, por uma série de motivos, se sente atraído pela minha personagem, que é a Celeste, uma jovem advogada. Ela tem um escritório que está indo mal, está estagnada num namoro de três anos, a mãe pediu para passar três dias na casa dela e já está lá há meses. Nesse momento, esse homem sedutor apresenta um mundo novo para a Celeste. E não é porque ela é uma pessoa boa que não é ambiciosa. É muito legal ver a trajetória dessa personagem, porque quem nunca deu passo e se arrependeu em seguida? 

E o personagem de Tony Ramos é realmente o diabo?

Isso não é claro. Mas, se alguém disser ‘esse homem é o diabo na Terra’, talvez você acredite.

Como foi a experiência de gravar uma série?

Com a série, a gente já tem a obra completa. Podemos ter a 2.ª temporada, mas esta eu sabia de onde minha personagem saía e aonde ia chegar. Na novela, você vai descobrindo a personagem conforme o tempo passa, e as coisas podem ir mudando. No teatro, você vai ter alguns meses para construir isso e, com a repetição do apresentar, você mergulha no personagem. Toda apresentação é única e vai ensinar a você alguma coisa. 

E o que o CQC deu para você como aprendizado? 

Primeiro, lidar com a câmera, que era uma coisa que eu nunca tinha feito. Eu era muito de teatro, então desenvolvi uma certa intimidade com a câmera. Foi minha primeira relação com o improviso. Lógico que a gente tem exercícios de improvisação na faculdade, nos processos de criação para teatro, mas o CQC me testou de jeito que acho que fui ao limite. Ele me deixou mais safa, mais sagaz.

Você usa as redes sociais para expor sua opinião. Há um filtro seu, de até onde pode ir nas opiniões? 

Escrevo nas minhas redes sociais o que eu escreveria se eu fosse uma professora como minha irmã, por exemplo. É uma necessidade minha, que é o que eu converso com minha família, com meus amigos. São coisas que mexem comigo, que me deixam indignada. Mas em vez de ter meus amigos e minha família lendo, tem uma galera. Falo tudo o que eu quero. Talvez o único cuidado que eu tenha é de não alimentar a parte agressiva das pessoas. Se a pessoa xinga, a comunicação simplesmente não se dá. Mas eu converso com pessoas que têm opiniões divergentes. Se eu não estivesse escrevendo para tantas pessoas, talvez eu fosse mais direta, mais irônica. 

Você foi condenada a pagar R$ 30 mil no processo movido pelo ministro Gilmar Mendes (ela criticou no Instagram a decisão dele de dar habeas corpus ao médico Roger Abdelmassih, condenado por crimes de estupro). Você recorreu?

Recorri e perdi. Tenho de pagar 30 mil. Até machuca sabe, é muito injusto, não é porque foi comigo, se fosse com qualquer outra pessoa, abre um precedente que é perigoso. A não ser que seja um crime, que tenha proferido palavras de ódio, preconceito. Eu, como cidadã, tenho direito de questionar a decisão de um juiz. Eu gostaria de não pagar, mas talvez eu simplesmente seja obrigada.

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