Mocinhas, gêmeas e concorrentes

Loiras, modernas, ricas e preocupadas com causas sociais, elas usam até corte de cabelo parecido. Bonitas e interpretadas por atrizes charmosas, Carolina (Juliana Silveira) e Lara (Mariana Ximenes) carregam nas costas o fardo de ser a heroína romântica de suas novelas. Carolina anda de bike pelas ruas do Rio, à procura de menores e bombeiros carentes em Chamas da Vida. Lara é a pequena órfã milionária que balança entre um aprendiz de gigolô e um operário com alma de artista em A Favorita.No vôo cego das duas moças, Carolina sai ligeiramente na frente. É uma heroína romântica ao pé da letra. Seu romance com o bombeiro Pedro (Leonardo Brício) é um dos eixos condutores da novela de Cristianne Fridman. A partir do encontro dos dois, vão se mesclando as tramas paralelas, como em toda boa novela à moda convencional. Nenhum problema com isso. Afinal, não se inova um gênero a cada meia hora. Inserida em uma trama que privilegia mais a luta entre duas mulheres feitas, a mimada Lara Fontini parece mais perdida que cego em tiroteio. Deve ser proposital: os olhares ressabiados de Lara em relação a Flora (Patrícia Pillar) mostram que a menina é a reserva moral da família rendida à vilã disfarçada de anjo. Enquanto isso, a gangorra sentimental de Lara fica em segundo plano, o que é uma pena. A personagem não decidiu se gosta mais dos arrepios que sente com Halley (Cauã Reymond) ou do carinho que experimenta com Cassiano (Thiago Rodrigues). Falta amor nessa novela: Rita e Diduzinho, por onde andam? Alicia ficou a ver navios e o triângulo Lorena-Cida-Átila ainda não eclodiu. Augusto César é um chato e o Zé Bob só chora.Na trama da Record, tem amor e sexo à vontade. Até mesmo a mocinha Carolina, a bordo de uma lingerie sedutora, cai matando em cima do bombeiro. Outras personagens entregam-se à saliência, sem esquecer da camisinha - o que rende dez pontos a favor pra novela. E sem desviar do importante merchandising social, de combate à pedofilia pela internet. A tal cena com a camisinha fluiu natural e nem teve o didatismo pouco convincente de "oh, veja, é muito importante usar preservativo". Ninguém liga a TV pra receber lição de moral, mas não custa dar recados de forma inteligente. Se for entre beijinhos, melhor ainda.

Mário Viana, mvianinha@hotmail.com, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2008 | 00h21

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