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Minissérie na Globo contextualiza carreira de Elis Regina

'Elis – Viver É Melhor que Sonhar' dá nova cara ao filme de 2016, dirigido por Hugo Prata e com Andreia Horta no papel principal

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

07 de janeiro de 2019 | 03h00

RIO — Elis Regina está de volta à TV. Estreia nesta terça-feira, 8, a nova minissérie da Globo Elis – Viver É Melhor que Sonhar, uma readaptação do filme Elis, de 2016, de Hugo Prata. O diretor e a atriz Andreia Horta voltam às funções: novas cenas foram filmadas e a produção ganhou uma cara nova com a ajuda dos roteiristas George Moura e Guel Arraes. São quatro episódios, exibidos até o dia 11 de janeiro, após O Sétimo Guardião.

O longa biográfico – que traz na conta 36 festivais de cinema ao redor do mundo, e 34 prêmios, nas contas do diretor – vira um documentário dramatizado ao incorporar minidocumentários para contextualizar a época da carreira da cantora, bem como depoimentos de personagens fundamentais na vida dela, como Miele (produtor morto em 2015, interpretado por Lúcio Mauro Filho) e Milton Nascimento (que não aparece na parte ficcional da trama).

Novas cenas também foram acrescentadas à dramaturgia, entre elas uma entrevista (montada de um compilado de entrevistas reais de Elis) que aqui serve como fio condutor da narrativa da série – e lembra aquela clássica aparição no programa Jogo da Verdade, da TV Cultura, dias antes de sua morte.

O encontro entre Elis e Rita Lee – quando esta estava presa em 1976, e as duas ainda não se conheciam – também é reconstruído, com Mel Lisboa no papel de Rita. O hoje célebre encontro com Tom Jobim em 1964 também aparece: o maestro, então responsável pelo musical Pobre Menina Rica ao lado de Vinicius de Moraes, recusou a cantora ao considerá-la ainda “muito provinciana”.

Prata conta que não havia uma intenção de transformar o filme em série quando da produção, entre 2015 e 2016: a novidade foi recebida com entusiasmo, porém, pela oportunidade de acrescentar conteúdos e questões de contexto, explica. “Uma curiosidade é que quando filmamos há três anos nos deparamos com falas e questões da Elis que se faziam contemporâneas, mas que agora são ainda mais necessárias e fazem mais sentido, como a defesa dos direitos da mulher, do artista, o poder da palavra, todo esse aspecto cultural”, disse o diretor ao Estado, na apresentação da série à imprensa em dezembro, no Rio.

“O filme é um produto hermético, sempre senti falta de mais contexto histórico, porque ela viveu e trabalhou num tempo de muita ebulição cultural. Com a série, podemos entrar mais nessas portas. Guel (Arraes, roteirista) me disse que tínhamos que ter a sensação de estar assistindo a um produto com várias janelas abertas”, comenta ainda o diretor.

Andreia Horta – vencedora do Kikito de melhor atriz em Gramado pelo filme – volta a viver a cantora, agora na TV. “É uma plataforma que distribui para o País inteiro, também por streaming, é ideal chegar em larga escala assim às pessoas.”

Ela conta que um dia, nas filmagens para a TV, encontrou Mel Lisboa já caracterizada no camarim, e chorou. Pelo teaser exibido aos jornalistas, só o encontro entre as duas, na tela, já vale o novo trabalho.

George Moura, outro roteirista que se juntou ao projeto para a TV, tem um palpite de que o formato docudrama funciona melhor na TV aberta do que em outras plataformas porque, na programação da Globo, o Jornal Nacional precede a principal novela da noite. “Fico com a sensação de que se misturar ficção e realidade, não causa estranheza”, arrisca.

Com outras produções no mesmo sentido, como o Linha Direta e o Por Toda a Minha Vida (do qual produziu um episódio sobre Elis), Moura também acredita que o filme ganhou uma “atualização aguda com os novos tempos que pintaram”. 

“De alguma maneira, como artistas, tiramos proveito disso no seguinte sentido: é sempre bom ver onde erramos no passado para não repetir, ao menos, os mesmos erros no presente”, diz, referindo-se ao ambiente político do Brasil dos anos 1960 e 70 e o de agora.

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