Zé Paulo Cardeal/Divulgação
Zé Paulo Cardeal/Divulgação

Minissérie 'Felizes para Sempre?' mostra casais em crise envolvidos em um crime passional

Dirigida por Fernando Meirelles, nova produção da Globo tem inspiração em 'Quem Ama Não Mata', exibida dos anos 1980

João Fernando, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2015 | 16h00

Não bastasse o mistério do ‘quem matou?’, o ‘quem morreu?’ terá igual importância em Felizes para Sempre?, que estreia amanhã, às 22h40, na Globo. Dirigida pelo cineasta Fernando Meirelles e escrita por Euclydes Marinho, a minissérie de dez episódios é inspirada em Quem Ama Não Mata, escrita por ele mesmo em 1982. Cinco casais interligados e com problemas diferentes têm a vida abalada e se envolvem em um crime passional que só será solucionado no último capítulo.

“A primeira versão foi um dos meus trabalhos que mais deram certo. Remake é chato, pensei que poderia reescrever com novos casais. O título talvez seja um vontade de me libertar do Quem Ama Não Mata”, filosofa o autor, que batizou os personagens com os atores da produção antiga. Por conta dos novos tempos, ele acredita que a dinâmica dos relacionamentos da minissérie é outra. “As relações evoluíram. Há 32 anos, as coisas eram mais contidas. Hoje, as pessoas estão mais livres e soltas”, analisa Euclydes.


A estabilidade dos casais começa a entrar em colapso quando Marília (Maria Fernanda Cândido) e Cláudio (Enrique Diaz), que fazem terapia juntos para salvar a relação, resolvem fazer uma brincadeira a três e contratam os serviços da garota de programa Danny Bond (Paolla Oliveira). A situação se embola quando Cláudio sugere que o irmão adotado Joel (João Baldasserini) também recorra à prostituta para se divertir. 

O jovem está prestes a se separar de Susana (Caroline Abras), que conheceu em uma clínica de reabilitação. Além disso, tem atritos com o Cláudio e recorre à ajuda de Danny para destruir a vida de Cláudio. Os dois têm ainda uma conexão com o irmão Hugo (João Miguel). Junto, o trio tem uma empresa envolvida em esquemas ilegais e corrupção em Brasília, onde a história se passa. A trama original acontecia no Rio de Janeiro.

A aparente felicidade fica por conta dos cabeças da família, Norma (Selma Egrei) e Dionísio (Perfeito Fortuna). Alegres em celebrar os 46 anos de matrimônio, eles também se deixam seduzir por outros. Enquanto a mãe de todos fica encantada por um colega mais jovem no trabalho, o patriarca vê renascer uma paixão antiga por Olga (Cássia Kis Magro). “Espero me tornar um dos maiores galãs velhos”, brinca Perfeito. 

O último dos casais e que mais deve chamar a atenção é o formado por Daniela (Martha Nowill) e Danny, cujo nome real na trama é Denise. A primeira não sabe que a namorada se prostitui. Antes, não havia um par homossexual na antiga trama de Euclydes. “Não é para dar importância ao casal gay. É só mais um casal. Naquela época, não havia gay. A veadagem foi inventada nos anos 1990”, diverte-se.

ENTREVISTA : Adriana Esteves

De volta à TV mais de dois anos após o sucesso da Carminha de Avenida Brasil, Adriana Esteves encarna Tânia, mulher de Hugo (João Miguel). Cirurgiã plástica, ela toma anticoncepcional sem que o marido, que quer outro filho, saiba.

Carminha ainda está no imaginário do público. Como você vê o impacto da Tânia?

A Carminha eu não fiz para causar impacto. Os trabalhos novos são para que as pessoas apreciem e para que eu acredite no que estou fazendo. Olho para trás e vejo que é mais um personagem na minha trajetória que me engrandece. Achei interessante voltar à televisão fazendo um projeto menor e diferente. Eu tinha curiosidade de trabalhar com o Fernando Meirelles.

Por que a Tânia mantém um relacionamento infeliz?

Acho que tantas coisas podem fazer a gente manter um casamento. Falar que o amor acabou é tão relativo. Quantos casamentos a gente conhece em que a pessoa não ama, mas é amada? Escolheu ficar ao lado de alguém que a ama. Isso pode acontecer também.

A dramaturgia serve para as pessoas viverem o que não podem. Você acha que o público quer ver casais em crise na TV?

Você acha que não? Acho que a arte tem essa função de fazer você colocar para fora alguma coisa que está sentindo, refletir sobre isso. Será que as pessoas não têm vontade de olhar a crise de um casal e refletir sobre a sua própria crise ou valorizar um estado de falta de crise? O que que é para sempre? O para sempre é agora. O meu é assim

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