Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters

Minifestival exibe o humor ácido do Monty Python

Canal Viva apresenta dois filmes do grupo britânico e um documentário sobre sua obra e influência

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

10 Julho 2016 | 06h00

Humor irreverente é com eles mesmos. O grupo Monty Python ficou famoso por suas comédias malucas, sem qualquer preocupação com o politicamente correto, numa época, aliás, em que essa nefasta terminologia não estava ainda na moda. O Canal Viva, a partir deste domingo, 10, começa a exibir, na faixa das 20h, o Especial Monty Python, com dois filmes do grupo e um documentário sobre a trajetória dos humoristas.

Uma minimostra, que dá ideia da estética, e por que não dizer, da ética, dessa equipe de humor subversivo, mas deixa de fora sua obra-prima, O Sentido da Vida. O grupo é formado por seis integrantes: Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin, Terry Gilliam e Terry Jones.

A estreia do minifestival será com Monty Python em Busca do Cálice Sagrado, de 1974, e que foi o primeiro realizado com roteiro 100% inédito do grupo. Sátira sobre a Idade Média, conta a saga do Rei Arthur, que procura cavaleiros capazes de acompanhá-lo em busca do Santo Graal. Em situações hilárias, que incluem uma dança cancã dos cavaleiros, o mito do Graal é sumariamente desconstruído.

No domingo seguinte, dia 17, será a vez de A Vida de Brian que, para muitos críticos, é uma das melhores comédias do grupo. Desta feita, a veia satírica recai sobre a obsessão de Hollywood com os temas bíblicos e com a vida de Jesus. Não sobra muita coisa da mitologia cristã depois da sátira dessa turma. Na Judeia, a sociedade convive com a pobreza, a corrupção e a desordem, até a chegada do Messias. Brian nasce no mesmo dia que Jesus e, por isso, os Reis Magos se equivocam de endereço. Em outra cena, Jesus prega para a multidão, mas, como não dispõe de um microfone eficaz, apenas a primeira fila escuta o que o Senhor tem a dizer. O tom ácido da paródia é levado ao extremo quando os crucificados entoam, em coro, que se deve levar o melhor desta vida.

No dia 24, será apresentado o documentário Monty Python Conquista a América. O filme mostra como o grupo conseguiu conquistar os Estados Unidos até se tornar um fenômeno de bilheteria. E não apenas sucesso de público, mas de fertilização cultural. Para mostrar a força do trabalho dos Pythons sobre a cultura americana, o doc colhe depoimentos de personalidades como Judd Apatow, Hank Azaria e Paul Rudd, que revelam a influência recebida do grupo sobre os próprios trabalhos.

A força dos Pythons é sua filiação à linha que vem dos irmãos Marx e provoca risos ao levar uma situação aos limites do absurdo. Em filmes históricos trabalham muito com anacronismos, deslocando gadgets contemporâneos para a Antiguidade, o que não chega a  ser original (até Os Flintstones fazem mesma coisa). Mas a maneira como o fazem é bastante criativa. E engraçada. No Brasil sente-se sua presença em grupos como Asdrúbal Trouxe o Trombone e Casseta e Planeta. Humor absurdo é universal.

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