JF Diorio/AE
JF Diorio/AE

'Minha vida não dá mais manchete', diz Daniela Cicarelli

Após dois anos fora do ar, apresentadora volta à MTV e diz estar mais madura

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2012 | 08h23

Após dois anos fora do ar, Daniella Cicarelli volta hoje a dar expediente na TV. Às 22 horas estreia o Provão MTV, game show que ela apresenta com o colega Thunderbird, na emissora que, há dez anos, apostou no carisma da modelo de Belo Horizonte que estourou na mídia em uma propaganda de refrigerante.

Seja por causa do casamento relâmpago com o ex-jogador Ronaldo ou de um vídeo íntimo com um namorado na praia, que virou febre na web, Cicarelli sabe bem o ônus de ser famosa. E, em entrevista por telefone ao Estado, diz voltar às origens mais amadurecida e low profile. Agora, aos 33 anos, após passagem pela Band, programas que não emplacaram no Ibope e meses na geladeira da TV, ela não planeja muito o futuro. Daqui a três meses, quando vencer seu contrato com a MTV, pode estrear um show de calouros com talentos bons e “talentos toscos” ou cursar Decoração na Escola Panamericana de Arte. “Gosto dessa liberdade de possibilidades.”

Há 5 anos, quando você saiu da MTV, os jovens pra quem você vai falar hoje tinham entre 9 e 12 anos. Ficou com medo de não se comunicar mais com esse público? De ter enferrujado?

Um pouco. Mas voltar pra MTV é como voltar pra casa. Só que tenho de conquistar uma geração nova. Será que ainda consigo falar com eles? É um desafio. Mas sou muito brincalhona, e jovem gosta dessa coisa despojada, da linguagem MTV, quase politicamente incorreta.

Seu contrato é o mais curto da MTV. Isso é trauma da geladeira?

Não. Achei interessante fazer contrato por temporada. Gostei dessa liberdade. Depois vou pensar: “Continuo na TV ou volto a ficar quietinha em casa?”

O que deu errado na Band?

Tudo na vida é experiência. Saí de lá numa boa. Mas faltou formato ao primeiro programa que tive lá em 2008, o Quem Pode Mais?. Ficava perdida. Tentaram uma série de reformas, trocaram equipe, diretor, cenário, provas... Muita coisa contribui pra um programa dar errado. E tem patrocinador, break comercial, merchandising... Uma hora você fala: “Esse formato não tá funcionando. É melhor parar de remendar e fazer algo novo.” Em 2009, fiz um jornalzinho de verão e, de 2009 a março de 2010, fiz o Zero Bala, formato da Endemol que eu adorava. Não que a Band tenha me matado por causa de ibope, mas eu tinha de dar mais resultado do que dava na MTV. E na MTV ninguém manda você fazer isso ou aquilo pra ganhar audiência.

O que é pior para quem passa pela chamada geladeira da TV?

Na geladeira, você ganha sem trabalhar. Não é o fim do mundo. Geladeira virou um drama. Tinha contrato durante 2010 inteiro, mas só tive programa de janeiro a março. Recebia meu salário e fazia faculdade. É melhor geladeira do que não ter emissora. E também acho ok ficar um ano sem emissora. O que não gosto é de ficar parada. Em 2011, fiz (trabalhos de) mestre de cerimônias em eventos, terminei a faculdade de Direito, fiz estágio, treinei triatlo... Não estou na TV nem na capa de revista? Sem problema. Porque isso cansa. Gosto desses ciclos.

O que te atraiu de volta à TV?

A proposta da MTV e, principalmente, voltar pra MTV. Era uma paixão mal resolvida. Agora estou feliz. E o Provão tem plateia, game, jovens... Isso fez meu olho brilhar. Só não voltei antes à TV porque, para fazer uma coisa que não tem nada a ver comigo, prefiro fazer nada.

Em 2005 e 2006, você se envolveu em muitas polêmicas e sua imagem foi superexplorada. Depois, as notícias eram sobre os programas que não deram certo, sobre a geladeira. Está preparada para voltar aos holofotes?

Hoje tenho 33 anos, sou casada (há um ano, com o empresário Frederico Schiliró), formada, amadureci. Naquela época, era solteira, saía de casa... Hoje, minha vida não daria nenhuma manchete.

Arrepende-se de ter exposto a sua vida? Faria algo diferente?

Não fico remoendo: “Por que em vez de fazer programa tal, não fiz programa tal? Por que em vez de ter ido a festa tal, não fiquei em casa?” Não adianta chorar pelo leite derramado. É olhar pra frente, pegar o que você aprendeu de bom e de ruim e seguir adiante. Hoje, por exemplo, eu desfilaria de biquíni na São Paulo Fashion Week (como fez em 2005)? Não. O jovem é mais espevitado. Quando você fica mais velho, fica mais pé no chão, calcula as coisas. Tem experiência na vida que te engrandece. Hoje amo ficar em casa e detesto sair à noite. Gosto dessa tranquilidade da vida low profile. Acalma minha alma. Prefiro mil vezes assim do que do jeito que era antes.

 

Game desafia 'Geração Restart'

Geração Restart também conhece rock clássico. É isso, pelo menos, o que mostra os primeiros programas gravados do Provão MTV, game show que estreia hoje às 20h, sob o comando de Daniella Cicarelli e Thunderbird. Numa batalha musical, duas escolas escolhem quatro representantes que entendam do assunto e também levam ao palco uma banda formada por alunos. “Só fiz questão de que houvesse tortas na cara”, diz Thunder. “Participei disso no programa do Gugu nos anos 90 e achei hilário.”

Entre as provas - difíceis para os incautos -, os participantes têm de adivinhar qual o nome do disco de determinada banda ou descobrir que clipe está passando, sem som, em até 7 segundos. O prêmio para tanto esforço parece desanimador se comparado a montantes de dinheiro oferecidos em outros programas: um troféu. Se ainda assim a turma de Ensino Médio quiser topar o desafio, basta inscrever a escola via site da MTV.

Provão MTV - Hoje, às 20h, na MTV. A princípio, serão 12 programas, sempre às segundas-feiras.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.