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Mikkelsen recria seu próprio Hannibal

Na segunda temporada da série, vencedor da Palma de Ouro dá mais força à sua versão do canibal eternizado por Hopkins

Clarice Cardoso e João Fernando, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2014 | 02h10

A história pode ter evoluído, mas o conselho de não comer enquanto um episódio de Hannibal estiver no ar continua valendo. Na segunda temporada, que começa hoje, às 23 horas, no AXN, a série continua com as cenas em que o protagonista passa a faca em suas vítimas, além de outras situações em que é preciso ter estômago para ver corpos da maneira a que só legistas estão acostumados.

Personagens como Hannibal não requerem muita introdução, o que é ao mesmo tempo bom e ruim para a produção. Bom porque já se trata de um protagonista conhecido do público e ruim pelo mesmo motivo. Imortalizado por Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes, o canibal é vivido aqui por Mads Mikkelsen, ator não menos competente. Venceu a Palma de Ouro em Cannes pela sua atuação em A Caça, drama dinamarquês indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

O talento de Mikkelsen está em não tentar emular a vilania que Hopkins imortalizou. Se comparado ao que se vê hoje, o Hannibal da primeira temporada está quase apagado como o psiquiatra que começa a ajudar Will Graham (Hugh Dancy), um investigador que presta serviços ao FBI e se envolve demais com os casos, sofre de excesso de empatia, começa a ter alucinações.

Os caminhos dos dois se cruzam nas cenas dos crimes e no consultório. Hannibal tece uma teia psicológica que torna o detetive cada vez mais emocionalmente dependente de si. Ao mesmo tempo, ao continuar com seus crimes, deixa Will mais obcecado em encontrar o autor de tantas vilanias.

Quanto mais envolvido Will está, mais Mikkelsen cresce no papel de Hannibal, que já não é mais comparável àquele do filme. O ator dinamarquês tem a força de criar um personagem seu, com atitudes, expressões e motivações próprias. Entre o risco de ficar à sombra de Hopkins e o de tentar dela fugir, encontrou um caminho do meio em que brilha em um dos melhores thrillers psicológicos da TV atual.

No primeiro episódio da segunda temporada, é possível perceber a mudança na maneira de agir de Hannibal, mais expressivo e menos calado. Como um brinde para o telespectador, os minutos iniciais dão um gosto do que acontecerá no futuro, em que é exibida uma cena de uma sangrenta briga entre o protagonista e Jack Crawford (Laurence Fishburne) na cozinha do canibal. Após a sequência, um letreiro entrega que a situação acontecerá meses depois.

A partir daí, recomeça a relação de confiança de Crawford com o vilão, que aumenta sua influência nas estratégias do FBI. Ao mesmo tempo, a agência de inteligência tenta resolver a situação de Will, internado em um manicômio, sob suspeita de ser o responsável pelos crimes cometidos por Hannibal Lecter. Preso, o detetive continua a ter alucinações, que lhe dão mais certeza de que seu antagonista é um assassino.

A prévia do julgamento de Will permeia o primeiro episódio, em que o elenco principal se divide entre quem acredita ou não no detetive. Seus colegas mais leais, como Beverly (Hettiene Park) seguem confiando na intuição dele e pedem ajuda para desvendar novas mortes. Desta vez, Hannibal desenvolve uma técnica em que conserva partes dos corpos de suas vítimas em uma daquelas cenas em que é melhor deixa a luz da sala acesa.

HANNIBAL
A segunda temporada estreia 
hoje, às 23 horas, no AXN

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