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Menino Maluquinho vira animação 2D na TV

Previsão é que os desenhos do personagem criado por Ziraldo há 35 anos cheguem à telinha entre 2016 e 2017; autor se envolveu em polêmica por crítica a ‘excesso’ de personagens gays na TV

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

08 Maio 2015 | 03h00

RIO - Livro, gibi, série de TV, filme, peça de teatro e, agora, o Menino Maluquinho vai virar animação. Criado por Ziraldo há 35 anos, o garoto com fogo no rabo e vento nos pés vai continuar jogando bola com os amigos e tomando bomba no colégio, mas no século 21 ele tem à mão videogame, celular e todos os gadgets com os quais as crianças convivem intimamente. 

A produtora Oca Filmes, que concluiu a compra dos direitos do livro no início do ano, trabalha não só na transposição do Maluquinho para a animação 2D, mas também do Bebê Maluquinho e do Bichinho da Maçã (este deve ser usado em vinhetas e programetes). A previsão é que os desenhos cheguem à TV – a emissora ainda não foi divulgada – entre 2016 e 2017.

O menino e sua versão bebezinha continuarão sem nome. “Se ele se chamasse André, só os Andrés iriam se identificar. O livro é sobre essa instituição maravilhosa que é a criança, sobre sentimentos. É um jeito de ser. Tanto que nenhuma menina jamais me pediu para que escrevesse Menina Maluquinha”, discorre o autor. “Ele sofre igual a todo mundo, tem saudade, tristeza, é agitado. É um menino do nosso tempo, e vai viver o que as crianças vivem hoje, mas de forma maluquinha.” Em parceria com Ziraldo, estão sendo desenvolvidas as sinopses para os 26 episódios da primeira temporada, que deverão ter duração de 11 minutos. O piloto já está sendo gestado. O público-alvo vai dos 5 aos 11 anos – essa é a idade estimada do Maluquinho. Já o bebê, em 3D e com minipanela na cabeça, deve ter desenhos de três e a seis minutos e será voltado à faixa de 0 a 5 anos.

“Será tudo bem fiel às ilustrações originais. As aventuras do Maluquinho têm apelo a crianças de qualquer lugar do mundo. O jogo de futebol é o mesmo, mas agora o menino pode marcar com os amigos pelo WhatsApp”, conta a produtora Ana Paula Catarino, que recebeu de Ziraldo vasto acervo de ilustrações, que servirão de base para os novos desenhos. A Oca Filmes planeja também a criação de jogos, aplicativos para celular e outros produtos licenciados.

O livro é o maior sucesso infantojuvenil de Ziraldo desde 1969, quando saiu seu primeiro título para crianças, Flicts, ainda bastante adotado em escolas. Já foram vendidos mais de três milhões de exemplares. Em eventos literários, Ziraldo é cercado por crianças com o Maluquinho nas mãos. Os dois filmes baseados no personagem e sua turma, de 1995 (dirigido por Helvécio Ratton) e 1998 (de Fernando Meirelles), somaram cerca de 800 mil espectadores.

O menino impossível, que solta pipa, faz versinhos para as namoradas e se empanturra de bolo na casa da avó, cresceu com liberdade impensável nos arriscados anos 2010. Mas não se deixou tolher. Para Ziraldo, que hoje poderia ser seu bisavô (está com 82 anos), ele não cresce. “Assim como o Calvin é o menino americano, solitário, triste, o Maluquinho é o menino brasileiro, alegre e cheio de amigos.” 

Crítica a ‘excesso’ de personagens gays na TV vira polêmica 

Cartunista, um dos fundadores do Pasquim, com trajetória profissional de seis décadas associada ao humor, à esquerda e à liberdade de expressão, Ziraldo criticou a presença “hiperdimensionada” de personagens gays em novelas da TV Globo e causou polêmica nas redes sociais.

“Fernanda Montenegro não tem direito de fazer apologia do afeto homossexual. Fãs dela estão estarrecidos. E mesmo que ela estivesse pensando em ajudar as mães dos homossexuais... Mas qual é a porcentagem de mães de homossexuais?”, disse em entrevista no Festival Literário de Poços de Caldas, em Minas, há dois fins de semana. 

Ao ‘Estado’, na quarta, 6, Ziraldo declarou: “Você acha que esse é meu pensamento? Fui mal interpretado. Até minhas filhas me interpretaram mal. Não sou maluco, não fiquei doido. Falo demais e sem pensar. Não preciso explicar nada para quem gosta de mim e conhece minha vida toda. E às pessoas que detesto, como diz a música do Noel Rosa (Último Desejo), pode dizer que não presto”. Na entrevista em Minas Gerais, o autor disse que aceitar a homossexualidade em Ipanema é uma coisa. Aceitar a homossexualidade em Caratinga (cidade mineira onde nasceu) é outra. “O problema da homossexualidade é que ela está hiperdimensionada. A TV Globo acha que está fazendo um grande serviço ao modus vivendi, ao dar chance aos homossexuais de assumirem a sexualidade deles”.

Ao falar ao ‘Estado’, por telefone, Ziraldo não quis se estender mais sobre a questão. / R.P.

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