Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2009 | 00h43

Vilã levando a pior em novela das 9 é tão clássico quanto delicioso de ver, ainda mais na semana daquele "não aponte esse dedo sujo para mim, cangaceiro" bradado no Senado. É uma sensação reconfortante de que ao menos na ficção a impunidade não é regra. Mas não estou me sentindo assim tão vingada desta vez, com a comentadíssima surra que a Melissa Cadore (Christiane Torloni) deu na Yvone (Letícia Sabatella), em Caminho das Índias - e não tem nada a ver com o monte de sangue jorrando da boca da bonita depois de apenas meia dúzia de tabefes.

É que qualquer um do elenco poderia bater na Yvone, menos a Melissa. É a suja batendo na mal-lavada! Nós sabemos que a Yvone é a psicopata desgraçada que transformou o Raul (Alexandre Borges) no catador de papelão mais charmoso da TV. Mas a Melissa não sabe de nada - bateu na Yvone pura e simplesmente por causa de um conjunto de joias que o marido Ramiro (Humberto Martins) deu à vilã. Perua fútil que só se preocupa com as aparências e em arrancar presentes do marido, a personagem de Torloni não quer saber se o casamento vai bem ou se Ramiro está feliz ao seu lado. Para ela, o que importa é assegurar que moscas varejeiras tipo a Yvone fiquem longe do seu milionário. Para cima dele, o adúltero em si, nenhuma palavra, bronca nenhuma.

E a novela segue, até o capítulo em que a Norminha (Dira Paes) é pega em flagrante por Abel (Anderson Muller), o marido traído, com a boca toda borrada num pagode das quebradas da Lapa. Há de se tirar o chapéu para a maneira como Glória Perez, a mais antropóloga dos autores de novela, maneja os dois núcleos da trama neste caso. Norminha é humilhada por Abel diante da vizinhança, vê seus sutiãs voando pela janela. Ramirinho leva apenas uma mordida no bolso.

Ou seja: se o homem trai, a amante apanha; se a esposa trai, a esposa apanha. Uma frase dita por Abel resume o caso. Depois de muito xingamento, Norminha pede que ele jogue sua mala, para que ela recolha as roupas da calçada e vá embora. "Mala? Quem comprou essa mala, Norminha?", questiona ele - quem está pagando está podendo. Norminha será uma cabrocha de sorte se não morrer feito a Dedina (Helena Ranaldi), adúltera da novela anterior, A Favorita, que morreu, "punida" com uma toxoplasmose. Tike!

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.