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‘Masters of Sex’: o que mudou, se é que mudou?

Na 2ª temporada, série trata da pesquisa da dupla Masters e Johnson sobre a sexualidade de 1957 até a década de 1990

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2014 | 11h05

Pisar no cenário de Masters of Sex é como fazer uma miniviagem ao passado. Os móveis de pés palito em voga no fim dos anos 1950, os eletrodomésticos, a casa de contornos modernistas de Bill Masters (Michael Sheen) e sua mulher Libby (Caitlin Fitzgerald) são um contraponto ao entorno do estúdio da Sony em Culver City, cercado por avenidas com grande fluxo de automóveis cheios de confortos contemporâneos como bancos aquecidos, sensores de distância, computador de bordo e rádio por satélite. Mas o seriado criado por Michelle Ashford, que está na sua segunda temporada na HBO, faz pensar se, de lá para cá, mudamos mesmo tanto assim.

Masters of Sex trata da pesquisa desenvolvida pelo médico William Masters e Virginia Johnson (Lizzy Caplan, indicada para o Emmy de melhor atriz) sobre as respostas fisiológicas de homens e mulheres ao ato sexual, de 1957 até a década de 1990. Virginia, uma ex-cantora divorciada mais de uma vez, mãe de dois filhos, sexualmente liberal, é inicialmente contratada como sua secretária e depois se torna assistente do ginecologista e obstetra. As coisas se complicam um bocado quando os dois passam a fazer sexo, oficialmente pelo bem do estudo. Mas a convivência entre os dois fica mais complexa e indefinível à medida que a segunda temporada avança. “O relacionamento está bem mais sombrio, eles precisam enfrentar as consequências de tudo o que fizeram na primeira temporada”, explicou Caplan em entrevista. “Porque sexo é complexo, é difícil separá-lo das emoções.”

É essa a descoberta de William Masters, um homem rígido e impenetrável, e Virginia Johnson, que se gaba de ser uma rara mulher na época a separar sexo e amor. “Essencialmente, a série é sobre intimidade e a dificuldade de se relacionar”, contou Michael Sheen. Seu personagem era inicialmente incapaz de demonstrar qualquer emoção, mas começam a aparecer algumas fissuras nessa fachada. “Eu tinha interesse em mostrar como as pessoas mudam, se é que mudam. No caso dele, é mais intrigante porque tem muito medo de se expor, de se mostrar vulnerável”, afirmou o ator. 

Como cada temporada tem 12 episódios, é possível explorar essa transformação de forma mais lenta e, acredita Sheen, realista. Há outros motivos para tanta mudança: ele agora é pai de um bebê com quem tem dificuldades de se relacionar e, demitido do hospital da Washington University em St. Louis após chocar seus colegas com vídeos do ato sexual, agora trabalha no Gateway Memorial Hospital. Seu chefe é um sujeito bastante desagradável, Dr. Douglas Greathouse (Danny Huston), que não se inibe ao fazer piadinhas sobre a pesquisa do ginecologista. “É como se fosse um rei no exílio”, explicou o ator.

A reação dos médicos nos hospitais exemplifica como o sexo era visto na época. Pouco se sabia sobre seu funcionamento, especialmente no caso das mulheres, que começavam a conquistar seu espaço, inclusive no mercado de trabalho. Mas Michael Sheen, que também é um dos produtores, não tinha interesse nenhum em fazer o que chama de “peça de museu”. “Quero que o seriado fale sobre minha vida agora”, disse. Ele acredita que nem tudo mudou tanto assim – a começar pelas frequentes perguntas que precisa responder sobre a dificuldade de fazer cenas de sexo. “É só interpretação. É interessante que as pessoas fiquem embaraçadas com nudez e sexo, que fazem parte da vida.” Para ele, a sociedade ocidental está empenhada em comercializar tudo, em definir tudo com marcas. “Há muita vergonha envolvida no sexo, hoje em dia não nos sentimos à altura das expectativas, porque nos vendem essa imagem de pessoas perfeitas fazendo sexo perfeito. E isso cria muita insatisfação.” 

Para Lizzy Caplan, Masters of Sex pode tanto gerar reflexões sobre nossa evolução desde os anos 1950 como sobre quanto ainda temos de caminhar, inclusive na aceitação das mulheres em cargos de poder. “Se você é mulher e descobriu como ser poderosa e ouvida sem que a chamem de mandona e vaca, por favor, me diga como faz.” 

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