Reprodução YouTube
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Masha e o Urso dançam 'Tico-Tico no Fubá' e fazem passeio pelo Brasil em desenho inédito no País

Famosos personagens do desenho infantil, que é exibido com sucesso aqui, fazem um passeio por um Brasil que existe no imaginário russo desde os anos 1920

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

04 de outubro de 2019 | 15h42

O dia está bonito e Urso está colocando a mesa do café no quintal, ouvindo um disco na vitrola, quando Masha chega eufórica contado que ele recebeu um telegrama do Brasil. É assim que começa o episódio É hora de trabalhar, mas carnaval é uma vez por ano, do famoso desenho russo Masha e o Urso, que faz sucesso no Brasil e no mundo. 

No telegrama, a dupla lê que Rosita está para chegar na Rússia. Rosita é a estrela do carnaval brasileiro que Urso conheceu quando eles trabalhavam no circo. Do encontro entre os dois, restaram retratos na parede, que ele mostra para a menina aos suspiros.

No dia em que a ursa chega, toda a turma está na estação a esperando com pompa e música. E então começa o Tico-Tico no Fubá, música de Zequinha de Abreu imortalizada na voz de Carmen Miranda. O desenho vira um clipe e os personagens fazem um passeio pelo Brasil - com todos os clichês.

A música fala do Brasil, do violão, do mar, do samba que é dançado no carnaval. Eles vão para o Rio e passeiam de barco pelo Amazonas. A música exalta ainda o futebol, fala do Maracanã e do sol da praia de Copacabana, e também do café forte.

Rosita é incansável, e os demais personagens não têm fôlego para acompanhá-la. Até que, para alívio de todos, ela ouve o apito do trem, sai correndo e a paz (quase) volta a reinar naquela distante floresta russa.

Ainda inédito aqui, o desenho pode ser visto no canal russo da Masha e o Urso no YouTube - em russo, claro.

Não é de hoje que o Brasil está no universo infantil russo, diz a tradutora e pesquisadora Daniela Mountian, que está na Rússia agora fazendo uma pesquisa sobre literatura russa e brasileira infantil dos anos 1920 e 1930 para seu pós-doutorado (USP-Fapesp).

“Em 1927, Samuel Marchak (1887-1964), que é tão conhecido na Rússia como Monteiro Lobato o é no Brasil, escreveu o conto em versos O Correio. No poema, um carteiro de Leningrado sai em busca do escritor Boris Jitkóv para lhe entregar uma carta, mas descobre que este partiu para Alemanha, na Alemanha que partiu para a Inglaterra e na Inglaterra para o Brasil. Então aparece o carteiro Dom Basílio rodeado de palmeiras e macaquinhos. No fim, Jitkóv é encontrado em Leningrado”, conta. 

“Marchak também traduziu um poema de Rudyard Kipling, The Beginning of the Armadillos (1900). A versão do russo, No Distante Amazonas, foi depois usada na trilha de um desenho animado, O Pequeno Ouriço Mais a Tartaruga (1981), que é conhecida na Rússia inteira: ‘No distante Amazonas, onde eu nunca estive, para onde eu nunca fui…’”, completa.

Daniela conta ainda que o pesquisador Valéri Sájin acredita que essa tradução que Marchak fez do poema de Kipling possa ter criado uma mentalidade do Brasil no imaginário dos russos nos anos 1920. E diz ainda que o poeta absurdista e mestre do nonsense Daniil Kharms (1905-1942), que foi colaborador de Marchak, escreveu em 1928 um conto chamado Sobre como Kolka Pánkin viajou para o Brasil e sobre como Pietka Erchóv não acreditou em nada. Na história, Pietka e Kolka fazem uma viagem imaginária pelo Brasil: 

– Pietka – disse Kolka –, olhe só que Brasil!

– E isto aqui é o Brasil? – perguntou Pietka.

– Seu tonto, será que você mesmo não vê? – disse Kolka.

 

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