Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Marina Ruy Barbosa faz sucesso como a protagonista de 'Totalmente Demais'

Atriz fala sobre a ascensão meteórica da carreira

Adriana Del Ré, O Estado de S. Paulo

10 Abril 2016 | 05h00

Marina Ruy Barbosa cresceu diante dos olhos do público. Hoje com 20 anos, a atriz carioca é vista em produções da Globo desde os 9. Muitas crianças talentosas passaram (e ainda passam) pelo mesmo processo. Com desfechos distintos. Para algumas, a carreira não resiste à chegada da adolescência. Para outras, o avanço da idade vem acompanhado de bons papéis. É nesse último caso que se enquadra Marina. No ar na novela das 7, Totalmente Demais, de Rosane Svartman e Paulo Halm, a atriz ocupa o posto de protagonista com louvor. Sua mocinha, Eliza, foi bem-aceita pelos espectadores. Isso se reflete ainda no ibope: só em São Paulo, a média de audiência do folhetim é de 26 pontos, marca que não era alcançada na faixa de horário por essas bandas desde Cheias de Charme. 

“É uma trama que fala sobre transformação, sobre esperança. A gente está vivendo numa época em que tem muita coisa dando errado, então, você tem uma fuga nesse horário, pode pensar em coisas boas e de uma maneira leve”, diz Marina, em entrevista ao Estado, do Rio, ao justificar esse sucesso. “A novela trata, sim, de assuntos mais pesados, só que de uma forma positiva. Minha personagem sofre assédio e disse não a esse assédio. É uma maneira de alertar as meninas a não ficarem caladas, que a culpa não é delas.” 

A atriz se refere ao início da trama, quando Eliza foge de casa, após uma tentativa de abuso do padrasto, Dino (Paulo Rocha), e parte em busca de uma vida melhor no Rio. Chega a morar nas ruas, ganha trocados vendendo flores e, mesmo arredia, aceita o amparo de um desconhecido, Jonatas (Felipe Simas). O ponto de virada da personagem ocorre quando é descoberta por Arthur (Fabio Assunção), dono de uma agência, que quer transformá-la em uma grande modelo e fazer com que vença um concurso. No melhor estilo gata-borralheira que vira princesa. Ou numa referência clara à mendiga Eliza, em My Fair Lady, que se torna uma dama graças a um culto professor. “Quando recebi os capítulos, tinha medo porque sou uma mocinha na trama, e as mocinhas normalmente sofrem muito. Será que vão achar a Eliza uma mocinha chata?”, diz. “Mas o público entendeu os dilemas da personagem: por que ela estava sofrendo, as motivações para sair de casa, a luta dela nas ruas. Entenderam o lado bruto da personagem, ela começou sem muita educação, na defensiva.”

Com o tempo, e a proximidade do fim do tal concurso, a aparência de Eliza foi lapidada, mas não sua essência de garota doce, romântica e sonhadora. Um desafio e tanto para a atriz, que teve de trabalhar com essas nuances com muito cuidado. Marina conta que começou a se envolver com a trama antes do início das gravações, com o auxílio do preparador Eduardo Milewicz. “A gente se reuniu com todo o elenco, até para criar mais intimidade”, diz. “Eu também estudo com uma psicanalista as minhas cenas e ela me ajuda a prestar atenção nessas coisas - por que a personagem está mudando, o que está motivando ela a isso, por que ela tem medo, os traumas que ela sente - para não ficar aquela coisa superficial. Vai criando uma base de uma história de vida da personagem.”

Em grego. Até chegar à sua protagonista Eliza, Marina seguiu um caminho ascendente. Ainda criança, a atriz fez sua primeira novela, Começar de Novo, em 2004, como Aninha, que era muda. A atriz brinca que, para compensar a falta de falas na sua estreia, no folhetim seguinte, Belíssima, de 2005, ela tinha diálogos até em grego. 

E como ela, tão pequena, foi para a TV? “Eu estudava em um colégio de freira aqui no Rio e fazia teatro aos sábados. Era uma atividade extra, mas eu levava aquilo muito a sério, gostava muito. Foi uma coisa natural: eu estava no teatro, me chamaram para fazer um teste na TV, insisti com meus pais. Não era algo que eles queriam muito, mas, ao mesmo tempo, sentiam que era isso que eu queria. Não estava me atrapalhando no colégio, a minha mãe sempre me acompanhava, porque eu era menor de idade. Com 10 anos, assinei um contrato longo com a Globo.” 

A atriz chegou a passar no vestibular de Comunicação Social na PUC-Rio - queria fazer cinema -, mas os trabalhos na TV foram lhe exigindo exclusividade. Depois de Começar de Novo e Belíssima, participou ainda das novelas Sete Pecados, em 2007, e Escrito Nas Estrelas, em 2010. Mas foi em Morde & Assopra, de 2011, que ela teve um dos momentos de destaque na carreira como a vilã Alice, que cunhou o bordão “vira-lata” ao se dirigir a seus desafetos. “Eu estava com 15 anos, já não era mais criança. Foi um papel mais maduro que fiz.”

Subiu mais um degrau em Amor à Vida, na qual chamou a atenção como a frágil Nicole, em 2013. E roubou a cena como Maria Ísis, a sweet child do Comendador (Alexandre Nero), em Império, em 2014. No início da novela, a real importância da personagem era uma incógnita. Mas, aos poucos, o autor Aguinaldo Silva mostrou a que Maria Ísis veio.

“Eu sabia que era uma personagem importante, porque estava ali sempre com o Alexandre, com a Lilia Cabral. Eu sabia que tinha um peso até para mim como atriz. Ela se envolvia com um cara bem mais velho, era amante dele. Mas inicialmente a gente nem sabia como seria do meio para o final, se ela ia ficar com o Comendador”, lembra. “Eu estava nervosa antes de a novela estrear, com medo de como ia ser a reação do público, de eu me perder, de ela ser uma lolita.”

Além de atuar, Marina tem outro prazer: se dedicar aos cinco gatos que tem em casa. Filha única, seu pai é empresário e sua mãe trabalha com moda. E, mesmo após tanto tempo conhecida do público, há quem ainda ache que ela tem parentesco com o autor Benedito Ruy Barbosa. Ela esclarece que é, sim, tataraneta do escritor e político Ruy Barbosa, mas não tem ligação familiar com Benedito. “O pai do Benedito era admirador do Ruy Barbosa e aí colocou o nome dele de Benedito Ruy, um nome composto, e o Barbosa era o sobrenome da família. Muita gente acha (que são parentes). Eu superadmiro o Benedito.” 

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