Cleones Ribeiro/Divulgação
Cleones Ribeiro/Divulgação

Marina Person busca outro público no 'Cultura Retrô'

Apresentadora, cineasta e ex-VJ fala da estreia de seu novo programa na TV Cultura

Thaís Pinheiro, O Estado de S. Paulo

24 Abril 2011 | 16h41

Com quase 20 anos de carreira em um mesmo lugar, não é demais dizer que Marina Person está para a MTV assim como Hebe Camargo para o SBT, guardadas as devidas proporções, claro. E, se até Hebe se desligou de Silvio Santos, chegou a hora de a VJ também se arriscar em outro endereço - ou, por que não, outros endereços? Nesta quinta-feira, às 20h45, ela estreia Cultura Retrô, programa inicialmente criado para Heródoto Barbeiro, que vai vasculhar todo o acervo de vídeo da TV Cultura e relacioná-lo ao presente. Ao Estado, Marina fala sobre suas perspectivas.

Você completou a maioridade na MTV, foram 18 anos, não é?

Pois é, acredita? Comecei como produtora, o que fiz por dois anos e, depois, fiz teste para apresentar. Eu gostava muito de trabalhar lá, tenho um super carinho, mas tem uma hora que você tem de mudar, né? Já tinha um tempo que até queria mudar, mas estava sem coragem, dava uma puta insegurança.

E tinha planos depois que acabou seu contrato?

Quando saí, não queria fazer nada. Só tocar um projeto meu, na minha produtora e do meu marido (Gustavo Rosa de Moura), a Estúdio Duas Águas, e continuar com a parte de cinema. A princípio, não aceitei o convite da Cultura, mas eles foram me seduzindo e acabei aceitando. Primeiro, pela reformulação do canal, essa coisa de trazer pessoas de fora, renovar. Depois, porque o assunto principal do programa é o acervo da emissora, que, além de ter 40 anos, tem coisas muito boas, programas históricos, como o Ensaio, e o Roda Viva.

Durante esses anos na MTV, você deve ter recebido propostas de outras emissoras.

Recebi, mas não foram muitas coisas bacanas, que me fizeram ficar sem dormir. Teve um convite do Fantástico, em 2001, que fiquei muito em dúvida. Era pra ser repórter especial, fazendo matérias como as do Zeca (Camargo), de comportamento. Praticamente fui, mas a MTV me segurou com o Menina Veneno, algo que eu queria. Na época, ia colher frutos de um trabalho que vinha fazendo, e na Globo teria de começar do zero.

Você se tornou a cara da MTV nesses anos. Como encara essa mudança de público, de perfil?

Estou superansiosa, e era isso o que eu queria. Falar para um outro público, me comportar de outro jeito, mudar de assunto. Tem uma hora que precisa mudar mesmo. O segredo de ter ficado tanto tempo na MTV é que a gente estava mudando sempre, a cada 2, 3, 4 anos. Fiz programa ao vivo, gravado, jornalismo, comportamento, humor, dramaturgia, tanta coisa! Estou esperando pegar um público que nunca viu MTV, que não se identifica com aquela programação.

Mas o público da MTV ainda a aborda na rua?

Sim... Tem gente que não sabe que eu saí e fala: "Adoro o Top Top". E o Top Top não está no ar há quatro meses. Tem gente que fica triste... É muito bom o retorno.

Você tem perspectiva de apresentar outros programas na Cultura?

A nossa produtora está colocando vários pilotos na roda, sabe?! Acabei de fazer um piloto de um programa de entrevistas - em que entrevisto a Alice Braga -, e a gente vai oferecer pra Cultura, GNT, Globo News... esses canais que têm o perfil. Tem outro sobre música, que está pronto. Esse modelo de produção independente está funcionando, porque a produtora entrega tudo pronto para a emissora, que só tem de pagar pelo produto fechado. É um mercado que está muito pulsante.

Então você pode oferecer e apresentar esses produtos em outros canais?

O meu contrato com a Cultura, que é de um ano, prevê uma não-exclusividade. Se der certo em outro lugar, tudo bem...

Com a Marília Gabriela é assim...

Mas ela é única. Quem sabe eu chegue lá... A Gabi é uma marca própria, aonde ela vai, carrega o público dela. Vamos ver como o público da Cultura se comporta, né?

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