Marília Pêra volta à TV com 'Pé na Cova', inspira série e grava CD e docudrama
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Marília Pêra volta à TV com 'Pé na Cova', inspira série e grava CD e docudrama

Programa criado por Miguel Falabella estreia quarta temporada no dia 29 e já tem a quinta garantida

Entrevista com

Marília Pêra

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2015 | 02h04

Prepare seus ouvidos para uma nova temporada do equivocado glossário de Darlene, a maquiadora de defuntos da funerária do Irajá comandada por seu ex-marido, Ruço (Miguel Falabella), em Pé na Cova. Criação do próprio Falabella, o seriado põe sua 4.ª temporada no ar a partir do dia 29, com 12 episódios, enquanto já acaba de gravar mais 12 edições para uma 5.ª temporada, a ser exibida em 2016. Marília Pêra, que há um ano e meio chegou a ficar afastada do expediente em razão de um desgaste ósseo nos quadris, não se contém de satisfação ao falar de "Miguel", como chama o amigo, que planeja escrever um novo seriado para ela. Enquanto isso, a atriz ainda entra em estúdios para gravar um CD de "canções de amor", como ela define, vira alvo biográfico de um docudrama dirigido por Daniel Filho e aguarda o sinal de Jorge Takla para subir aos palcos com uma adaptação da peça Longa Jornada Noite Adentro, de Eugene O'Neill.

"Miguel comprou o meu passe total", disse Marília ao Estado, em entrevista por telefone. "Ele é meu coronel. Miguel é tão criativo, fala de tantas coisas que pretende fazer, que tem uma hora que você nem acredita. Já li e ele já me falou que, imediatamente após Pé na Cova, vai escrever uma série para mim. Serei a protagonista. E continuo mulher do Miguel. É uma mulher, esposa de um cara que se envolve em corrupção e também mexe com assuntos sexuais, sinistros. O cara vai preso, a mulher é praticamente uma santa. E o que fica a vida dessa mulher, depois que descobrem que esse homem tão poderoso se envolveu em coisas tão horríveis, é um castelo que vai caindo."

Falabella também já deu palpite no repertório que leva Marília de volta aos estúdios, boa cantora que é, a convite da Biscoito Fino. Kurt Weill será contemplado em uma das faixas, por sugestão do amigo, ao lado de Tom Jobim, Edu Lobo, Johnny Alf, entre outros, ainda em definição. O trabalho serve como ponto de partida para o docudrama que Daniel Filho produzirá em torno da atriz. "Ele filmaria isso, minha gravação do CD, desde o momento em que entro no estúdio. O registro começa aí e depois faço as entrevistas", conta.

De sua Darlene, Marília guarda afeto pelos erros gramaticais com que brinca em cena e colhe os frutos da popularidade. "O público que mais fala comigo é o D e E. Se eu passar por faxineira, o retorno é certo. Não só isso, como aquele DVD do Roberto Carlos (Elas Cantam Roberto, do qual participou) o que tem de garçons, manobristas, ascensoristas, que viram aquele DVD, é impressionante. Esse público adora Pé na Cova", completa.

Entre equipe, elenco e autor, a atriz pede um parêntese especial para render suas homenagens à diretora Cininha de Paula, sem a qual Pé na Cova não teria a meritocracia e todos os efeitos que alcança.

O amor de Darlene e Ruço é o que importa para Marília Pêra em Pé na Cova, de Miguel Falabella. E ela conta que não muda o texto do autor, sempre vigilante, a seu lado. Eis um resumo da nossa conversa.

O que esperar de Darlene agora nessa nova temporada?

Acho que a série toda vem mais engraçada. Eu não diria mais leve, porque tem sempre um romantismo, uma coisa lírica do Miguel, mas ela vem muito engraçada, com a Darlene, a Luz Divina, a Adenóide, mesmo a filha, Odete Roitman e Marcão, Juscelino. Vai ter essa, que entra agora, e mais uma. Já gravamos 24 episódios, até a sexta temporada.

Teria fôlego para mais temporadas ou acaba na hora certa?

Acho que a televisão tem uma força tão avassaladora, e o sucesso do Pé na Cova é tão palpável que, claro, se continuasse por mais três, quatro, cinco, temporadas, teria fôlego, sim. Eu não sei é se o Miguel quer. Miguel, como todo criador, cria e quer ir embora para fazer outra coisa.

Esse modo de a Darlene falar vem no texto ou foi você quem criou, sob a bênção do autor?

O Miguel está ali comigo o tempo todo, não faço uma cena que não seja com ele. Nos ensaios, ele vai acompanhando, lendo o roteiro, porque eu ensaio sem texto nenhum. Ele vai verificando no texto dele se os outros dizem o texto dele corretamente. Só se mudar muito, que é coisa que eu não faço, ele corrige. Senão ele deixa ir. Agora, esse jeito de a Darlene falar não vem escrito, não. É uma coisa que eu inventei, que é 'crínica'. Inventei porque eu vejo que pessoas assim, como manicure, gente do trato diário, percebo que cometem esse tipo de troca. Acho mesmo que a gente no Brasil fala um português truncado, vejo muita gente dizer 'e aí o pessoal foram', 'a gente vieram', esse tipo de coisa.

Acredita que quem a ouve consegue fazer uma autocrítica?

Eu acho que quem fala assim normalmente nem vê que há uma brincadeira ali. É uma brincadeira, como sempre fiz com todos os personagens que interpretei na vida, pegando uma corzinha, quem quiser entender entende, quem não entende, tudo bem, a série é engraçada de todo jeito.

Qual será o destino de Darlene?

O que vem muito forte dela, para mim, como alma do personagem, é o enorme amor que ela sente pelo Ruço. A âncora da história é o grande amor que os dois têm, um pelo outro. Isso permanece, mesmo que ele transe com outras pessoas e ela diga que vai tomar um caldo com não sei quem. Por trás disso tudo, tem um afeto enorme, um respeito enorme, é engraçado, né?

Quando começa a gravar o CD?

Estou começando a gravar na Biscoito Fino, a Katy Almeida Braga, que é uma das donas da Biscoito, me convidou e adorei a ideia. Fiquei um pouco assim: 'Meu Deus, mas eu vou cantar o quê?'. Mas a minha irmã está me ajudando a ver repertório. Resolvemos que seriam músicas de amor. Logo, o Miguel, que é um enxerido, falou: 'Põe o Kurt Weill. Então, entra o Kurt Weill, por culpa do Miguel, mas há muitos compositores também, Johnny Alf, Dolores Duran, Tom Jobim, Edu, muitas músicas lindas.

Quando sai?

É para o comecinho do ano que vem, com certeza vai se transformar num show e o Daniel Filho quer fazer comigo um docudrama, com o CD entrando aí no filme também.

Você foi homenageada em Gramado e citou que gostaria de fazer mais cinema. O que falta?

Todas as vezes que ganho um prêmio, fico dizendo que queria fazer mais cinema, mas é verdade. Sou uma atriz que não faço muito cinema. Você imagina, se eu fosse americana, francesa, italiana, o que faria de cinema? Mas aqui não tem. Talvez junte também essa minha característica de não empreender burocraticamente para fazer as coisas. Acho que cinema também tem que buscar o livro, a ideia, se associar a alguém...

Não gosta de produzir?

Não faço, é muito raro fazer. É tão complicado arranjar dinheiro para produzir. Tem que ser um excelente burocrata e tenho esse defeito: não sou uma boa burocrata, eu me enrolaria toda nas leis. Hoje, se você se associa a alguém, busca grupos de pessoas que cheguem lá, é mais fácil fazer, mas tenho uma certa preguiça artística. Na televisão é diferente, tem o respaldo da própria indústria.

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