SERGIO CASTRO/ESTADÃO
SERGIO CASTRO/ESTADÃO

Maria Adelaide Amaral: 'Nunca tive fascinação pelas novelas das 9'

Parceria com Vincent Villari fez autora aceitar retorno ao horário nobre da Globo

Gabriel Perline, O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2016 | 05h00

Os sucessos de Ti Ti Ti (2010) e Sangue Bom (2013), ambas da faixa das 19h, além das excelentes séries e minisséries de seu currículo, promoveram Maria Adelaide Amaral ao horário nobre da dramaturgia da Globo, seleto time preenchido por autores que emplacaram histórias de audiência significativa para a emissora. Grupo que muitos novelistas almejam entrar. Exceto Maria Adelaide. 

Autora de A Lei do Amor, seu primeiro trabalho como titular de uma ‘novela das nove’, ela já visitou o horário como colaboradora de Cassiano Gabus Mendes (1929-1993) em Meu Bem, Meu Mal (1990), e de Silvio de Abreu em A Próxima Vítima (1995). Vincent Villari, parceiro de longa data, foi sua principal motivação para aceitar a ‘promoção’ oferecida pela Globo.

“Nunca tive muita fascinação pelas novelas das nove. Declarei várias vezes que não faria questão de escrever uma. Só estou fazendo A Lei do Amor porque esse menino, o Vincent, está do meu lado. Ele é muito bom, é maravilhoso”, disse ao Estado. “Eu sou uma pessoa idosa. Não dou conta de fazer uma novela deste porte sozinha. Antigamente, uma novela das oito tinha 20 páginas de roteiro. Hoje tem mais de 30 e dura muito mais tempo no ar. Além disso, tem que ter mais de 50 personagens, um monte de núcleos... Não dá! Além disso, é importante dar oportunidade a novos talentos. E o Vincent é um grande talento. Tenho a impressão de que este seja o último trabalho dele comigo, pois certamente irão chamá-lo para algo solo”, comentou. “Ela está de saco cheio de mim, por isso está me elogiando muito”, brincou Vincent.

A ida de Maria Adelaide Amaral para as 21h faz parte de uma estratégia da emissora em devolver à faixa as histórias de maior carga dramática, que apostem em histórias com cenários mais próximos à realidade do telespectador, e interromper da sequência de universos complexos estabelecidos pelas tramas antecessoras, fator visto pela Globo como principal responsável pela redução significativa da audiência no horário. Por enquanto, a novela ainda não apresentou bons índices, e é raro quando atinge média superior aos 30 pontos na Grande São Paulo. No sábado (24), por exemplo, marcou 15,3 pontos, pior média de uma trama em véspera de Natal.

“As pessoas acham que falar sobre amor é muito fácil, mas não é. Entender as motivações de cada ser humano e deixar isso bem contado em uma novela é um trabalho muito complexo”, defende Maria Adelaide. “O amor não é só essa coisa cor de rosa, e é difícil porque não se trata só das limitações individuais. Quanto mais ricos os personagens, mais ricas são as relações. Você não precisa recorrer a universos complicados para ter uma história. Todas as novelas falam sobre amor, mas os personagens não estavam demonstrando o que eles sentiam. E aqui os nossos personagens demonstram”, completa Villari.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.