Juliana Coutinho/ Divulgação
Juliana Coutinho/ Divulgação

Marcos Palmeira vive um empresário de garotas de programa

Essa é a função do ator em 'A Segunda Vez que Te Conheci', série inspirada em Marcelo Rubens Paiva

Roberta Pennafort, Rio - O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2014 | 02h10

Há momentos em que desgraça pouca é bobagem. É assim com Raul: primeiro, ele é abandonado pela mulher, por quem é e continuará apaixonado. Jornalista experiente, que encara a profissão com romantismo, ele logo depois se vê preterido no trabalho em favor de um profissional mais novo e menos competente.

Na meia idade, desempregado, desabrigado, sozinho e amargurado, Raul vai morar no apartamento do melhor amigo, na Rua Augusta. É lá que sua vida tem uma virada inesperada: ele se aproxima de garotas de programa e se torna empresário delas.

A trama, de A Segunda Vez que Te Conheci, romance de Marcelo Rubens Paiva, colunista do Caderno 2, será levada à TV pelo Multishow, em série de quinze capítulos e com estreia em agosto. Marcos Palmeira é Raul, sujeito ético que, em vez de explorar, ajuda as prostitutas a tornar seu negócio mais rentável.

"Ele se descobre com talento para um novo ramo, um submundo do qual não fazia parte, e se torna sócio das meninas. É diferente do Mandrake, pois o Mandrake amava todas as mulheres, e o Raul ama só a dele", compara Marcos, referindo-se ao charmoso advogado carioca ao qual deu vida na série homônima, na HBO, indicada ao Emmy três vezes (e que poderá voltar à TV ano que vem).

Outra diferença é a ambientação: Mandrake e suas garotas circulam por Copacabana; Raul transita pelo circuito da prostituição de luxo paulistano, e acaba "abduzido" por esse universo, brinca o diretor César Rodrigues (o mesmo do sitcom do canal Vai Que Cola) - amigo do ator desde o começo de sua carreira, no teatro, nos anos 1980.

"É um personagem incrível, delicado, charmoso, interessantíssimo, mas que não quer crescer. Começamos a trabalhar o roteiro e não estávamos conseguindo traduzir a essência desse homem. Retomei a leitura do livro e demos outro rumo", conta o diretor. "Ele não quer ser cafetão, quer ajudar, e acaba vivenciando as histórias das garotas".

Ator e diretor estão encantados com as experiências na TV fechada, por causa da maior liberdade criativa e o esmero nas produções. Protagonista de novelas nos anos 1990 e começo dos 2000, Palmeira já não tem contrato de longo prazo com a TV Globo há dez anos (ganha por obra).

"Sou brasileiro, gosto de novela, vou fazer Rebu (a próxima das 23 horas). Mas hoje existem muitas possibilidades para atores, autores e diretores na TV fechada, e tenho que me dedicar à fazenda e ao armazém", diz Marcos, militante da agricultura e alimentação conscientes, que abriu há sete meses o Armazém Vale das Palmeiras, no Leblon, onde vende os produtos orgânicos que cultiva em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. "Ainda estou aprendendo a lidar com o comércio de rua. É tanta burocracia que tudo parece ser feito para a gente não conseguir."

Inacreditáveis 50 anos comemorados em 2013, ele conta que nunca se sentiu preso à condição de galã - quando duvidam de sua idade, confessa que sente uma "escovada no ego". "O Fagundes e o Tony Ramos (ambos de 65 anos) são galãs até hoje. São rótulos que colocam na gente. Hoje eu me sinto muito mais ator."

O ativismo o levou a se filiar à Rede, o partido de Marina Silva (ainda não registrado no Tribunal Superior Eleitoral por falta de assinaturas de apoio). Marcos foi sondado para ser candidato a governador do Rio e a senador pelo Estado, mas declinou de pronto.

"Posso ajudar nas discussões das questões ambientais de outras formas. Por mais que eu pudesse montar uma equipe, não tenho preparo para isso nem me vejo sentado do lado do Renan Calheiros e do José Sarney."

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