Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Marcos Palmeira ressuscita o advogado Mandrake

Telefilme da série estreia na HBO no 2.º semestre

Roberta Pennafort - O Estado de S.Paulo,

07 de fevereiro de 2012 | 21h32

RIO - Quando vestiu pela primeira vez o terno de Mandrake, o advogado criminalista sedutor, obsessivo e astuto saído dos livros de Rubem Fonseca, Marcos Palmeira ganhou fios brancos na sala de maquiagem. Sete anos, duas novelas, uma peça, seis filmes e uma filha depois, o ator volta a Mandrake já mais grisalho, ainda que não aparente ter 48 anos.

De janeiro e até março - inclusive no carnaval -, sob o sol cruel de verão e a direção de Zé Henrique Fonseca, filho do escritor e idealizador do projeto, ele grava Mandrake, o telefilme, que será exibido em duas partes na HBO, emissora que produziu os treze episódios da série em 2005 e em 2007. A estreia deve ser no segundo semestre.

A equipe é a mesma, a qualidade da imagem é de cinema (era película, agora é digital). Mandrake é que aparece com novos conflitos, reflexivo, com a autoestima e a credibilidade em baixa - e um caso nada fácil para frente, que envolve adultério e assassinatos. As locações são carioquíssimas, como ele: a praia, o centro antigo, a região dos inferninhos de Copacabana.

Se você morreu de pena de ver Marcos ser capado na estreia de As Brasileiras, na Globo, semana passada, por uma ciumentíssima Juliana Paes, pense nessa cena também digna de compaixão: dia de céu limpo, meio-dia, e ele de terno preto e gravata apertada, repetindo mais de dez vezes, com o ator Henrique Taxman, uma tomada sem uma sombrinha sequer. O único refresco era uma brisa eventual.

Nos intervalos, eles tiravam o paletó e se viam as camisas encharcadas de suor. Nada abalava a disposição do protagonista: "Amadureci como ator nesse meio tempo. Estou muito feliz, acho a série incrível. Gosto do fato de não ser politicamente correto, a patrulha é muito chata".

Foi na segunda-feira, dia em que os termômetros chegaram a apontar 41 graus, que o Estado acompanhou a gravação. O cenário era a mansão na Barra da Tijuca escolhida para ser a casa de João Paulo Birman, o ricaço vivido por Carlos Alberto Riccelli que é o cliente da vez. É Mandrake mais uma vez nas altas rodas, assim como na Avenida Prado Junior das prostitutas e dos cafetões.

Esther Góes faz a distinta Sra. Birman; Claudia Ohana, a amante que decide se fazer presente. Ela é depositária de parte do segredo da trama. "Conheço bem o universo do Rubem Fonseca, sou fã, e vi alguns episódios da série. Gosto muito do clima noir, da estética", conta Claudia.

Os personagens que convivem com as idiossincrasias do doutor Paulo Mendes seguem com ele: Leon Wexler (Miéle), o sócio no escritório de advocacia da Cinelândia, Bebel (Erika Mader), sua garota, Raul (Marcelo Serrado), o amigo que o ajuda nas empreitadas detetivescas, que em geral passam por mulheres, extorsões e desvios de conduta em geral.

Zé Henrique, que sempre teve o apoio do pai na empreitada ("ele assiste, comenta, acha que o Marquinhos faz muito bem e não reclama de nada"), escreveu os primeiros episódios com base nas peripécias de Mandrake em livros como Lúcia McCartney (1967) e A Grande Arte (1983), e em Mandrake, a Bíblia e a Bengala (2005). Depois passou a criar histórias originais.

A do filme foi encomendada há seis meses pela HBO, que agora banca a produção (em parceria com a produtora de Zé, a Goritzia), tamanho foi o sucesso da série, que concorreu duas vezes ao Emmy. "Eu estava doido para que essa volta acontecesse. Marquinhos faz o personagem até dormindo, já tem o tom", diz o diretor, que vislumbra a retomada da série.

A HBO não confirma. Em janeiro, foram disponibilizadas para locação as duas temporadas; em junho, os DVDs chegam às lojas para venda.

Entrevista - Marcos Palmeira, protagonista de 'Mandrake'

"Fiz pressão pela volta o tempo todo"

Em mais de 20 anos de carreira, ele já foi pantaneiro, pescador, filho de fazendeiro - e em novelas do horário nobre. Mesmo na TV fechada, Mandrake grudou forte em Marcos Palmeira, a ponto de ele ser assim chamado quando abastece o carro ou passeia em Buenos Aires. O papel lhe rendeu até convite para o cinema francês.

Tinha saudade do Mandrake?

Tinha. Fiz pressão pela volta o tempo todo. Foram anos de expectativa, pensando: "Agora vai!". Tudo o que fiz até agora foi ocupar meu tempo para esperar pelo Mandrake. A série tem fôlego. Quando acabou meu contrato com a Globo, não renovei por causa disso.

A que você credita o sucesso da série?

É uma proposta diferente, nova, interessante como linguagem. Tem um descompromisso, não está atrás de ibope. É uma série que arrisca, que me coloca em outro lugar como ator. O diretor francês Gilles de Maistre me chamou depois de assistir (filmado no Brasil, 'Jusqu’au Bout du Monde, 'Até o Fim do Mundo', já está pronto).

O que há de você nele?

Também sou apaixonado pelo Rio e gosto do submundo carioca por onde Mandrake transita. E ele critica a Justiça.

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