Divulgação/A&E
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'Como ator, não posso julgá-lo', diz Marco de La O, intérprete de El Chapo na TV

Protagonista do seriado sobre a ascensão, captura e fuga de Joaquín 'El Chapo' Guzmán fala sobre os desafios de humanizar um personagem tão controverso; a série, original Netflix, será exibida no canal A&E em abril

Clara Rellstab, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 06h00

Depois do sucesso de Narcos na TV fechada, o canal A&E volta a apostar em uma produção da Netflix sobre o narcotráfico para o seu cardápio de séries. A escolhida da vez é El Chapo, produção de Silvana Aguirre e Carlos Contreras que, como o título sugere, narra a história da ascensão, captura e fuga do líder do narcotráfico mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán.  

Com Marco de la O na pele de Guzmán, os nove episódios da primeira temporada de El Chapo narram a entrada de Guzmán no Cartel de Sinaloa. Já a segunda temporada, de 12 capítulos, começa com a fuga pirotécnica do narcotraficante, em 2001, da prisão de Puente Grande, cuja ampla cobertura na mídia alçou-o ao título de maior traficante de drogas do México.

“O El Chapo que vocês assistem na TV não é o Guzmán, é o que eu vendi para o público e o público comprou. Para mim, é uma versão muito válida, muito reconhecível, muito humana e as pessoas gostaram. E esse é o parâmetro que me deixa em paz. Como ator, não posso julgá-lo”, diz Marco de LA O, em conferência com jornalistas da América Latina e o Estado.

Catapultado pelo sucesso do personagem, o mexicano de La O estrelou, em 2019, o mais recente filme da franquia Rambo, “Rambo: Até o Fim”, ao lado de Sylvester Stallone. Enquanto rodava o mundo em divulgação ao longa, Marco de La O via as manchetes dos jornais mundo afora anunciar mais um desdobramento na trajetória do El Chapo: Em 17 de julho, Guzmán foi sentenciado à prisão perpétua por um tribunal federal em Nova York, nos Estados Unidos

El Chapo estreia no A&E no dia 7 de abril, às 22h. Sobre a construção de um personagem ainda vivo e em atividade e outras questões, leia os principais trechos da entrevista com Marco de La O.

Qual tem sido o seu desafio como ator ao interpretar um personagem que ainda está vivo e virando manchetes de jornal?

Criar um personagem da vida real e que ainda está em atividade é complicado, porque existem pessoas que sabem como ele é. Tivemos que ser um pouco cautelosos, nós nunca conseguimos justificar o que ele fez, mas tivemos que entendê-lo. O mais complicado foi entender sua humanidade e fazer com que as pessoas acreditassem nele. Eu li vários livros escritos sobre ele, mas nenhum me contou como ele andava, como ele falava, então decidi entrar na internet e olhar as imagens de suas capturas para fazer esse ser humano rir, chorar, andar, como você e eu. A coisa mais complicada foi tentar humanizá-lo.

Além disso, ele é um personagem icônico para o imaginário dos mexicanos...

É um desafio impressionante interpretar um personagem desse calibre. Não posso dizer que fiz sozinho, de jeito nenhum, eu estava acompanhado de uma equipe enorme na qual eu confiava. Foi uma amálgama perfeita para conseguir entregar uma série de primeiro calibre, uma série que pode ser comparada às melhores séries do mundo e é feita totalmente em espanhol! A série mostra uma realidade muito explícita do que vivemos no dia a dia da América Latina, uma mensagem de protesto que diz: já chega! Faz com que a gente perceba que estamos errados e que não devemos cometer os mesmos erros. É para isso que serve a arte.

Quais as principais semelhanças e diferenças entre o Guzmán e você? 

Ele era um cara que estudou até o terceiro ano do Ensino Médio, é uma pessoa inteligente e interessante. Posso dizer-lhe que muitas das coisas são minhas, com a exceção de que não sou um traficante de drogas. É claro que não estou justificando o que ele fez e o que parou de fazer. Como ator, não posso julgá-lo. Eu criei meu próprio El Chapo. O El Chapo que vocês assistem na TV não é o Guzmán, é o que eu vendi para o público e o público comprou. Para mim, é uma versão muito muito humana e que conquistou as pessoas. E esse é o parâmetro que me deixa em paz.

Por que o públicofica tão curioso com esse tipo de personagem tão controverso? 

Eles são poderosos, são personagens que o público pode te odiar ou venerar. Você fica em um limite, correndo um risco muito latente. Mas é exatamente o que os atores fazem: assumir riscos. E quanto maior é o desafio, melhor é para o ator. Queríamos fazer uma versão mais popular do que pensávamos ser El Chapo e as pessoas a receberam bem. No final das contas, o público é quem faz seus próprios critérios de valor sobre o que é bom ou ruim.

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