Marcelo Adnet fala da retrospectiva 'A Gente Riu Assim' e do fim do 'Tá no Ar'

Marcelo Adnet fala da retrospectiva 'A Gente Riu Assim' e do fim do 'Tá no Ar'

Ao 'Estado', o humorista falou também sobre o sucesso das imitações dos candidatos à Presidência e dos ataques que sofreu na internet

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2018 | 03h00

Marcelo Adnet está num momento de partidas e chegadas. Ele se despede de 2018 apresentando, com a ex-mulher, a atriz e humorista Dani Calabresa, o especial A Gente Riu Assim, que vai ao ar na Globo, nesta quinta, 20, após O Sétimo Guardião, e também está em meio às gravações da 6.ª e última temporada do Tá no Ar, que estreia dia 15 de janeiro (leia mais abaixo). Ao mesmo tempo, ele se dedica à finalização de seu novo filme, com nome provisório de Pulo do Gato – primeiro longa da carreira em que assina o argumento –, que deve ser lançado no ano que vem. “O roteiro é do Lusa Silvestre, mas acompanhei todo o roteiro, estrelei o filme e coproduzi também, junto com a Casé Filmes, e tem direção de Felipe Joffily. Não é uma comédia tradicional, é um filme que tem uma dimensão dramática grande”, explica Adnet, ao Estado.

E, com o fim do Tá no Ar, o ator diz que terá tempo para pensar em outros programas – além de voltar a gravar uma nova temporada da Escolinha do Professor Raimundo

A Gente Riu Assim é uma das retrospectivas exibidas pela Globo este ano. Haverá aquela tradicional, focada nas principais notícias de 2018, que vai ao ar no dia 28, e esse especial, que faz uma revisão do ano, só que pelo humor, mesclando os melhores trechos de Zorra, Tá no Ar, Escolinha e Choque de Cultura, cenas gravadas especialmente para o programa e imagens jornalísticas.

Para Adnet, a sacada do projeto é justamente equilibrar jornalismo e humor. “Porque a retrospectiva é normalmente pesada, trágica”, compara. “O rir das coisas, o levar as coisas no humor, mesmo que tenha sido um dos anos mais difíceis dos últimos tempos, é uma maneira de encará-las. Então, acho que, mesmo nos momentos de adversidade, manter o humor é uma maneira de sobreviver”, completa ele que, além de apresentar o especial, também faz parte do elenco. 

O convite partiu do amigo Marcius Melhem, que passou a ser responsável pelos projetos de humor da casa – e que, no especial, assina a supervisão artística ao lado de Daniela OCampo. “Fiquei muito feliz de trabalhar de novo com a Dani (Calabresa), sou fã dela, tenho o maior carinho por ela, e foi muito legal a gente poder ter essa parceria nessa retrospectiva, lembrando os tempos de MTV”, diz Adnet que, após a separação, já tinha dividido a cena com ela na Escolinha.

No especial, os dois vão reproduzir os papéis dos apresentadores de um programa de retrospectiva tradicional. Mas, claro, com texto repleto de humor. Haverá ainda participação especial de atores como Emilio Dantas e Fernanda Paes Leme, e haverá encontro de elencos dos humorísticos da casa. “Foi falado de tudo: eleição, Copa, João de Deus, os grandes temas do ano, algumas coisas com mais destaque, como eleições, novo governo, outras passando mais rapidamente, como Copa.”

E, por falar em eleições e humor, Adnet protagonizou neste ano um projeto unindo essas duas vertentes e que fez sucesso na internet. Foi o Tutorial dos Candidatos, feito para o jornal O Globo, com vídeos em que o humorista imita os candidatos à Presidência – e explica a imitação. “Não sabia imitar os candidatos a presidente, eu só arranhava um Eduardo Paes, o resto fui descobrindo, estudando”, conta, que fez as gravações em sua casa, num esquema simples, à la youtuber. “Eu queria dividir com as pessoas as coisas que eu tinha descoberto sobre as imitações de cada um. Aí criei o tutorial.”

Adnet conta que recebeu telefonema de Marina Silva para elogiá-lo. “Ela me ligou imitando eu imitando ela: ‘Democraticamente’.” E, por causa da imitação, o ator também sofreu ataques de eleitores de Jair Bolsonaro. Não de todos, Adnet ressalta, mas de uma parcela. “Não são todos, tem eleitores do Bolsonaro que gostaram muito, que gostam de mim e do meu trabalho”, diz. “Mas um grupo de eleitores do Bolsonaro, sim, me atacou, alguns espontaneamente, outros de maneira orquestrada, tem um monte de robô no meio.

A gente não sabe o que é uma pessoa, o que é uma máquina. Só que, na internet, essa coisa de ‘não sabe’, ‘não é sério’, isso tem que ter um limite, que é a lei. Quando comecei a ler comentários do tipo: ‘Vou dar um tiro na sua cara’, ‘vou matar você’, pensei ‘isso é crime’.” Como o tom foi se agravando, ele abriu processo contra quem o ameaçou de morte. “Acredito estar fazendo um trabalho legal, que não é ofensivo a ninguém, que ajuda inclusive o debate político, e não preciso ter minha vida ameaçada por conta disso.” 

 

Ator se despede de ‘Tá no Ar’, que chega à última temporada em janeiro

Um dos melhores humorísticos da Globo dos últimos tempos, o Tá no Ar: a TV na TV chega à 6.ª e última temporada em 2019. A nova leva de episódios do programa – que, desde o início, tem um formato dinâmico, simulando o zapear da TV – começa a ir ao ar no dia 15 de janeiro. Para Marcelo Adnet, um dos criadores do programa, ao lado de Marcius Melhem e Mauricio Farias, o clima é de despedida, mas também de expectativa para novas frentes. Adnet conta que, como ele, Marcius e Maurício Rizzo, além de participarem do elenco, trabalham também na redação do Tá no Ar, eles passam praticamente o ano inteiro dedicados à atração. 

“Adoro o programa, sou muito fã, poderia ficar mais dez anos fazendo, mas, ao mesmo tempo, a gente já estava combinando isso há uns 2 anos pelo menos, porque precisamos fazer outras coisas”, afirma. “Amo o projeto, mas acho que é hora – principalmente agora com o Marcius subindo para esse novo posto (responsável pelos projetos de humor) – de alçar vários outros voos, com vários outros programas, em vez de a gente ficar abraçado a um projeto que toma um ano inteiro.”

Na derradeira temporada, personagens marcantes como Tony Karlakian (Adnet), Rick Matarazzo (Marcius Melhem), Jorge Bevilácqua (Welder Rodrigues), Obirajara Dominique e o Militante (ambos também de Adnet) têm lugar de destaque, mas o programa segue o ritmo frenético de sempre, com várias cenas, convidados especiais e números musicais. 

Assim como Fernanda Lima, Adnet tem uma linha de pensamento progressista. Por isso, ele tem receio de Tá no Ar ser alvo de campanha de boicote como supostamente ocorreu com Amor & Sexo? “Não acho que seja um risco, é uma homenagem a pessoa boicotar seu programa, ir para rede”, responde. “Se alguém fizer isso, vou rir (risos).”

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