Marcos D'Paula/ Estadão
Marcos D'Paula/ Estadão

Manoel Carlos: 'Temos que estar cada vez mais antenados às exigências do público'

Em entrevista exclusiva ao 'Estado', o autor de novelas como 'Por Amor' faz suas reflexões sobre o gênero

Renato Vieira e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2013 | 08h28

Criador das Helenas mais famosas do Leblon, Manoel Carlos tem 62 anos de televisão no currículo. A estreia foi com 17 anos, na antiga TV Tupi, onde trabalhou como ator, produtor, diretor e roteirista. "Em Família", a próxima trama de Maneco com estreia prevista para 20 de janeiro na Rede Globo, pode marcar sua aposentadoria do universo dos folhetins diários. A pedido do Estado, ele fez uma pausa na produção do novo trabalho para falar um pouco sobre sua experiência com as novelas. Sua dica para iniciantes na carreira é reciclar temas clássicos da dramaturgia com habilidade e aproveitar o avanço técnico da indústria televisiva do País. "O arsenal de recursos que temos à disposição para criar e executar programas de ficção e jornalismo nos permite dar asas à imaginação, de maneira quase ilimitada". Leia a entrevista feita por e-mail:

Quais são as principais mudanças na produção de telenovelas ao longo dos 50 anos?

Manoel Carlos - As mudanças relevantes são as que ocorreram na área de produção propriamente dita, com as novas tecnologias. O que se consegue hoje, tecnicamente, era impensável há 50 anos.  O arsenal de recursos que temos à disposição para criar e executar programas de ficção e jornalismo nos permite dar asas à imaginação, de maneira quase ilimitada. Mas se nos referirmos ao conteúdo, as mudanças são pontuais. Ousa-se mais, por exemplo,  com a ausência da censura prévia. Os temas-tabus foram reduzidos. Cenas de sexo foram anexadas com mais frequência e seus limites foram ampliados. Aumentou-se a tolerância. Mas não acredito que isso tenha contribuído para o aprimoramento da criação de histórias ou tenha favorecido as novelas ou, de um modo geral, a teledramaturgia.

Qual é o futuro da telenovela no Brasil?

Manoel Carlos - Estar cada vez mais antenados com as exigências do público e não apenas ceder às suas preferências.  O que sempre vai sofrer mudanças é a visão pessoal de quem cria e produz cada história. Ainda somos poucos autores, mas percebe-se que vem uma turma brava por aí.  Espero que eles consigam dar os passos que nós, veteranos, não conseguimos.

Quais são os espaços para renovações neste formato?

Manoel Carlos - Trabalhamos na TV Globo com ampla e irrestrita liberdade para criar e produzir. Não somos tolhidos e ninguém nos diz o que devemos fazer. Não apenas por liberalidade, mas porque ninguém tem, verdadeiramente, a fórmula para se alcançar esta ou aquela renovação.  

Quais as características de obras antigas que podem ser recuperadas para os tempos atuais?

Manoel Carlos - Não há receitas para isso. Nem limites. Uma mesma história pode ser reciclada várias vezes. Grandes temas não envelhecem e nem cansam, mas o reaproveitamento deles não depende apenas do talento de quem escreva, mas de habilidade, de prática, de conhecimento que se tenha do veículo.

 

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