Divulgação/TV Globo
Divulgação/TV Globo

'Maneco não facilita nada', revela Mateus Solano

Duas vezes no ar, ator fala como se desdobra entre os gêmeos Jorge e Miguel de 'Viver a Vida'

Alline Dauroiz, de O Estado de S. Paulo,

21 de novembro de 2009 | 16h00

Há exatamente um ano, Mateus Solano nem era conhecido do grande público. O ator brasiliense só viu a fama despontar após viver o galã Ronaldo Bôscoli na minissérie Maysa, em janeiro deste ano. Logo que o teste para esse papel acabou, o autor Manoel Carlos e o diretor Jayme Monjardim o convidaram para Viver a Vida, que seria seu primeiro papel de destaque em novelas.

 

Hoje, aos 28 anos, Mateus é o rei do horário nobre. Nos últimos dois meses, desde que a trama estreou, não consegue sequer marcar uma consulta ao médico: sua vida é inteiramente dedicada aos gêmeos Jorge e Miguel.

 

Além de gravar várias vezes a mesma cena, todos os dias, o ator tem recebido os roteiros com pouca antecedência. De madrugada, costuma responder a perguntas de jornalistas por e-mail. Ao Estado, ele conta (por telefone, após um mês de negociação) como consegue se dividir em dois, na novela e na vida.

 

Estou tentando marcar esta entrevista há séculos, mas sua agenda é uma loucura. Quantas horas você grava por dia?

 

Não tem uma média certa, mas quase todos os dias gravo cenas dos dois personagens. Então tem toda aquela troca de figurino, maquiagem... Gravo de segunda a sábado e, às vezes, aos domingos. Fico à espera do roteiro sair, o que tem acontecido em cima da hora. Mas sabia que ia ser assim.

 

Teve de fazer curso para aprender truques na hora de gravar?

 

Toda a técnica, aprendi durante as gravações. Para a diferenciação dos personagens, fiz toda uma preparação com a (preparadora de elenco) Patrícia Carvalho, um mês antes de a novela começar.

 

Foi fácil diferenciá-los?

 

Não. No começo, eu estava fazendo um personagem e pensando como o outro agiria. Aprendi muito mais depois que a novela estreou.

 

Tem algum truque que ajude a entrar e sair dos personagens com mais facilidade?

 

Cabelo, figurino, maquiagem ajudam muito na hora de passar de um para o outro, porque é sempre uma transição muito rápida. Quando ponho um terno, faço aquele cabelinho com caminho de rato (do Jorge), não tem como me confundir. E quando faço aquele cabelo desgrenhado, dou uns tapas na cara e olho para o espelho, digo: "Meu Deus, é o Miguel!".

 

Você passou algum tempo com gêmeos durante a preparação?

 

Não. Tentei imaginar como seria ter alguém igual a mim, o quão chato pode ser você ser igual a alguém desde criança. Pensei também como deve ter sido para o Jorge escutar a vida inteira o quanto o Miguel é divertido.

 

Que técnicas são usadas para que os dois apareçam juntos?

 

Sempre que falo comigo mesmo, estou falando com o Gabriel Delfino (na foto acima). Ele não é um dublê de corpo, é um ator que tem de interpretar para eu reagir. Preciso dele, porque além de uma continuidade de gestos e roupas, existe uma continuidade de intenções.

 

Acha que a interpretação do Gabriel é parecida com a sua?

 

Ele até se esforçou para chegar em uma espécie de imitação, mas falei: "Preciso que me diga com verdade, para que eu reaja com verdade. Para ter uma caricatura de mim mesmo, é melhor fazer sozinho". Meu trabalho está no olhar do outro.

 

E os truques de câmera?

 

Para cada tipo de cena tem uma câmera diferente. O que a gente mais usa é o Wipe, um recurso antigo, em que a tela é dividida em duas e a câmera fica parada. Tem também um recurso novo, o motion control. Parece plano sequencia, de mim para mim. O esquema é muito complicado de explicar, de entender (risos).

 

Qual foi a cena mais difícil de fazer até agora?

 

A luta entre os irmãos, em que um dá uma chave de braço no outro, e uma perseguição no banheiro, nos primeiros capítulos. Na cena da chave de braço foi usada a câmera red replacement. O Gabriel pôs uma máscara azul, que foi substituída pelo meu rosto. A gente não tem usado muito esse recurso, porque é muito complicado.

 

Como você foge do maniqueísmo? Um é superbacana e o outro é bem mala...

 

A gente teve que deixar bem claro no início, para o público diferenciá-los, mas com o tempo as características vão se misturando. O Maneco (o autor Manoel Carlos) nunca facilitou para mim. Ele põe o Miguel para cuidar da Renata (Bárbara Paz), uma atitude responsável, mais Jorge de ser. E põe o Jorge para ser descontraído no trabalho, algo que combina com o Miguel. O tempo todo o Maneco me dá os dois lados, para um não ser só o alegre, fanfarrão e o outro, só o chato, fechadão. Gosto de trabalhar as sutilezas.

 

Já tem seu gêmeo preferido?

 

Não. Se tem alguém que não pode ter preferência, esse alguém sou eu. Simpatizo demais com o Jorge, entendo a forma sisuda e séria dele ser. E entendo o Miguel também.

 

Você não gosta muito do rótulo de galã, não?

 

O Miguel é um galã, o Jorge é um galã. Mas eu sou só um ator lutando para fazer os personagens mais diferentes. Se é para viver um personagem só, vivo o Mateus Solano, que já é difícil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.