Aline Massuca/Estadão
Aline Massuca/Estadão

'Malhação' festeja 20 anos com ibope em alta

Série global dedicada ao público jovem estreou em abril de 1995

ADRIANA DEL RÉ, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2015 | 02h05

Em 24 de abril de 1995, estreava na Globo a novelinha Malhação. O cenário era uma academia de ginástica, onde se desenrolavam os encontros e desencontros do casal central Héricles e Bella, interpretados por Danton Mello e Juliana Martins. Uma espécie de soap opera voltada aos adolescentes. À época, outras emissoras também lançavam olhar para esse público. A MTV já estava a todo vapor desde 1990, quando inaugurou suas atividades na tevê aberta. Era praticamente a única fonte de música em formato audiovisual. Na TV Cultura, a série Confissões de Adolescente já falava das dores e das delícias de ser adolescente. No SBT, Serginho Groisman conversava com os jovens no Programa Livre, derivado do bem-sucedido Matéria-Prima, apresentado pelo mesmo Serginho anteriormente na TV Cultura.

No próximo dia 24, sexta-feira, Malhação comemora 20 anos ininterruptos no ar, com uma abertura especial, reunindo imagens e trilha sonora retrospectivas. A casa passou a chamar sua atração das tardes de 'novela', preferindo abolir o diminutivo para dar maior solidez ao seu produto. Após muitas mudanças cenográficas, agora a trama se desenvolve numa fábrica, onde dividem espaço uma escola de artes e uma outra, de lutas marciais (uma retomada do cenário da academia) - e, para a direção do programa, um dos pontos-chave para o sucesso dessa atual temporada. Outro fator atribuído à alavancada na audiência da atração é o casal Pedro (Rafael Vitti) e Karina (Isabella Santoni), chamado pelos fãs de 'Perina', junção dos dois nomes.

Na TV aberta de hoje, a produção de programas destinados aos adolescentes, no geral, é tímida, mas há faixas de horários e alguns produtos para eles. A Record aposta em Legendários, de Marcos Mion, egresso da MTV e que teria atraído seu público de lá para o canal, enquanto a Band atinge esse público com seu Pânico da Band. A TV Cultura mantém em sua grade Família Imperial e o premiado Pedro & Bianca. A TV Gazeta considera sua faixa jovem a partir das 23h30, quando exibe atrações, como A Máquina, com Fabrício Carpinejar, e Eu Nunca, com Sophia Reis - segundo a emissora, elaboradas por um núcleo de criação formado por jovens. Encrenca, Muito Show e Chega Mais são opções da RedeTV!. Já o SBT aposta em produtos próprios como Chiquititas, que trata do universo infantojuvenil.

Mas, diferentemente de 1995, quando a internet e a TV a cabo no Brasil ainda andavam a passos curtos, em 2015, as emissoras da TV aberta encontram outros 'concorrentes', além de seus pares, na disputa pela atenção dos adolescentes: os canais a cabo, os aplicativos e os serviços por streaming, acessados a qualquer momento em smartphones, tablets e até mesmo no aparelho de televisão. Sem falar nas redes sociais.

Diante dessas múltiplas facilidades tecnológicas, como explicar a longevidade e a atual boa audiência de Malhação junto a esse público? "Eles estão atrás de uma boa história", responde José Alvarenga Jr., diretor de núcleo do programa. "A primeira ideia é de que não era só uma novelinha. É uma novela que tem uma história sólida, equipe de primeira, bem-acabada, e a chave da comédia." Alvarenga chama atenção para outros pontos que explicam o bom desempenho dessa nova fase, após os altos e baixos enfrentados por Malhação no ibope em temporadas anteriores. Entre eles, a cada semana, uma novidade é introduzida na trama, o que antes levava mais tempo para ocorrer. "É a necessidade de colocar mais coisa em menos tempo. Esse é o pensamento."

Outro trunfo é a preparação intensiva do elenco, que teve início antes das gravações e continua com a temporada no ar. "Ali já começou a se estabelecer uma química, principalmente entre os casais. E os autores perceberam esse material", pondera ele. Caso dos personagens de Rafael Vitti e Isabella Santoni. "Quando chegam à cena, os atores já estão muito próximos do que queremos", completa o diretor-geral de Malhação, Marcus Figueiredo.

Mas, apesar das mudanças comportamentais, há assuntos que atravessam gerações. "A morte, por exemplo, é um tema caro aos adolescentes e aos adultos de qualquer geração. A educação pública idem. O amor idem. A questão é o como tratar esses assuntos", diz Emanuel Jacobina, um dos criadores de Malhação, responsável por personagens famosos na novela como Mocotó e Cabeção.

Fanfiction. Malhação está também na segunda tela. E as ações de interatividade na internet ocorrem há tempos, conta Ana Bueno, diretora do GShow, portal de entretenimento da Globo. Agora, a novela é tema do primeiro projeto de fanfiction da emissora. A partir do tema 'Sonhos de Romance', os telespectadores criam suas histórias com os personagens da atração.

Desde que a ação foi lançada, na segunda-feira, cerca de 1600 fanfics já foram enviadas. Mas só uma delas será selecionada, gravada e exibida no GShow (não irá para a telinha por causa de direitos autorais). "Existe uma apropriação desse público que começa a ser exposto à dramaturgia", explica Marcus Figueiredo. Para Ana Bueno, não se pode dizer que a Malhação na internet conduza o adolescente à Malhação na TV ou vice-versa. "Não existe mais caminho de mão única. As fronteiras entre TV e web estão cada vez mais fluidas", acredita ela.

Criador de programas como o já citado Pedro & Bianca, Cao Hamburger diz que talvez o segredo seja não querer manter os adolescentes na frente da TV, mas "considerar a internet, aplicativos, canais de assinatura, entre outros, uma extensão da TV". Antigas produções suas ainda são exibidas na tevê. Como atrair a atenção de adolescentes ao longo dos tempos? "Isso é um mistério", diz ele. "Ninguém sabe se e por que um programa pode agradar tanto a ponto de virar um clássico e permanecer atual por muitas gerações."

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