Maldito zapping!

Guerra do ibope sacrifica até abertura, que mais que apresentar elenco, representa o RG da novela

Alline Dauroiz e Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 22h39

Durante o período em que uma novela fica no ar, sua abertura chega a representar 11 horas de programação. É tempo suficiente para cravar a sucessão de imagens e música na cabeça de meio mundo, a ponto de evocar todo tipo de sensação quando revista anos depois. "Da trama as pessoas acabam esquecendo. Mas a abertura entra para a memória afetiva, e quando você vê, se lembra do que fazia na época, das músicas que ouvia, de quem namorava", observa o designer Hans Donner, responsável pelas aberturas da Globo desde 1975.

 

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O elemento que funciona como embalagem do produto, no entanto, tem sido sacrificado com frequência cada vez maior: culpa do zapping, sinal da luta pela audiência. Na Record, por exemplo, Poder Pararelo estreou no início de abril sem abertura e assim ficou por quase duas semanas.

De acordo com o diretor de Teledramaturgia da rede, Hiran Silveira, foi tudo estratégia de programação. Isso para que você, telespectador, uma vez fisgado, não tenha tempo de pensar em mudar de canal. Assim, a novela foi "colada" ao fim do capítulo de Chamas da Vida e não teve intervalos comerciais. "Costumamos colocar a abertura no fim do primeiro bloco das novelas. Mas, como Poder Paralelo estreou sem intervalos, tinha um bloco só", explica. "Foi uma circunstância."

Na tentativa de neutralizar o efeito do controle remoto, outro item que vem sendo eliminado é a vinheta de encerramento, com os créditos finais. Até pouco tempo atrás, a novela era fechada com a mesma edição da abertura e os nomes dos profissionais da equipe técnica subindo na tela. Surgia então a vinheta da emissora e a vinheta do programa a seguir. Hoje, ou a novela já começa colada na anterior ou, como na Globo, é separada pelo aviso da classificação indicativa. E só. Agora, a Globo também usa dividir a tela dos créditos finais, para anunciar a atração seguinte.

"Isso é fato: quanto maior a duração das vinhetas, mais chance a gente dá para o telespectador mudar de canal", concorda o diretor de Programação da Record, Paulo Franco.

Há 22 anos no departamento de Criação Visual do SBT, o diretor Fernando Pelégio diz não concordar com a nova moda, apesar de segui-la. "Não acho bonito terminar a novela sem uma despedida. Você corta a identificação da emissora, da marca", observa. "No SBT, passamos os créditos finais, mas dependendo do ajuste de horário, somos obrigados a cortar."

ASSINATURA

Contemplar os créditos de elenco, autores e diretores de uma novela consome de 1 minuto a 1,5 minuto de sua abertura. Isso, na Globo e SBT. "Colocamos um nome solitário em realce e outros blocos de dois, três nomes. Mas cada bloco precisa ficar no ar por dois, três segundos, para dar leitura", explica Pelégio, do SBT.

Para a Record, no entanto, 40 segundos são suficientes. Desde 2004, quando a emissora retomou a teledramaturgia, esse é o tempo que duram as aberturas. Isso explica a quantidade de nomes em um mesmo quadro - alguns chegam a ter 11. "Nunca vai dar leitura (de todos os nomes). Mas quem assiste à novela por vários dias vai conseguir ler o nome de todo mundo", explica o diretor de Teledramaturgia da rede. "Se a abertura fosse maior, iria interferir mais tempo na exibição de arte inédita."

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