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Maestro, uma nota

Série que nasceu desacreditada pela Fox chega ao 2º ano acumulando recordes, novos personagens, mais lágrimas e números musicais

Alline Dauroiz, O Estado de S. Paulo

06 de fevereiro de 2011 | 09h00

Para convencer os executivos da Fox que seu projeto de uma série musical, interpretada por gente pouco ou nada conhecida na TV, era uma boa ideia, o roteirista, diretor e produtor Ryan Murphy teve de ter muita lábia. Depois do sucesso de sua sombria série médica Nip/Tuck, o que esperavam dele era mais uma trama recheada de drama e sexo, sua especialidade. Porém, o que sucedeu foi a incerta Glee, sobre um coral de escola, coisa bem popular nos EUA, formado por alunos considerados nerds e/ou os fracassados da escola - série que chega à sua 2.ª temporada no Brasil, nesta quarta-feira, pela Fox.

"Falei que isso poderia ser um complemento do American Idol (que nos EUA também vai ao ar pela Fox), coisa que eles nunca tinham conseguido", lembra Murphy, em entrevista ao Estado e à imprensa internacional. "Já tinha feito um enorme sucesso e pedi: ‘Deixem-me tentar e, se for o caso, falhar. E eles toparam no ‘vamos ver no que vai dar’."

Quase dois anos depois, as canções interpretadas pelo elenco de Glee viraram febre. No mundo todo, são mais de 6,5 milhões de álbuns vendidos, mais de 17 milhões de downloads e, em outubro passado, com seis singles na lista da Billboard Hot 100, a série bateu recorde dos Beatles em número de canções de um grupo na parada americana. Além, é claro, do recente Globo de Ouro como Melhor Série Musical ou Comédia e o recorde de 19 indicações ao Emmy.

"Imaginava que teríamos umas 5 milhões de pessoas assistindo, e não 13,5 milhões como foi o episódio em homenagem a Madonna", diz o criador. "E lembrar que eu só fiz Glee porque queria ser mais feliz na minha vida pessoal, escrever algo sobre otimismo. Fazer Nip/Tuck era muito duro, tinha um clima muito pesado. Agora, a escolha das canções é uma terapia. Revisito minha infância pelo menos uma vez por semana (risos)", confessa o diretor que se refere ao elenco, carinhosamente, como "as crianças".

Já que sucesso não tem fórmula, Murphy credita a aceitação de sua cria a fatores um tanto subjetivos. Além do aval de grandes artistas pop, como Barbra Streisand, Beyoncé, Rihanna e Neil Diamond, que gostaram da ideia de uma série que apoiasse a arte, o diretor lembra da recente recessão na economia americana. "Foi nas depressões econômicas que os musicais foram mais populares. Eles são puro escapismo."

Mais drama. Sem deixar de lado os números musicais que a tornaram tão famosa, Glee chega à segunda temporada menos irônica e mais dramática e, se você não quiser saber o que vem por aí, é melhor parar de ler este texto já.

Irritantemente perfeccionista, Rachel (Lea Michelle) perde espaço para tramas até então secundárias, com destaque para o problema de bullying que Kurt (Chris Colfer) enfrenta na escola. O drama faz com que o garoto dê seu primeiro beijo (forçado pelo grandalhão que o oprime, diga-se) e mude de colégio. O abuso moral também é representado pela nova treinadora, Beiste (Dot Jones), que sofre com o escárnio da treinadora de cheerleaders, Sue Sylvester, vivida por Jane Lynch - que venceu Emmy e Globo de Ouro pelo papel.

Arrasados pelo fracasso no campeonato regional de corais, os alunos do clube Glee da fictícia McKinley High School tentam se recuperar. Desfalcados, precisam de novos adeptos para se inscreverem no campeonato estadual, em Nova York (uma gravação na cidade também está nos planos). É assim que Finn (Cory Monteith), o quarterback do time de futebol americano e até então galã do grupo, descobre o talento do colega do 1º ano Sam (Chord Overstreet), assim como Rachel (Lea Michelle) descobre o vozeirão da estudante filipina Sunshine Corazon (Charice Pempengo, famosa participante em reality shows musicais).

Outra novidade é a entrada de Blaine (Darren Cris), novo colega e, talvez, futuro namorado de Kurt na nova escola.

As aquisições, além de dar fôlego extra às tramas, são uma saída para um problema recorrente nas séries sobre high school: o que fazer quando as "crianças" se formam?

"Temos de ser honestos com o fato de que pessoas vêm e vão na vida desses professores. Assim, no final da próxima temporada (em 2012), alguns dos personagens vão se formar e ir embora. Porque não tem nada mais depressivo que aquelas séries com um colegial careca."

 

 

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