Madame Bovary por dois gênios franceses

O polêmico romance de Flaubert chega em duas versões, uma de Chabrol e outra de Jean Renoir

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2008 | 22h52

O controvertido romance de Flaubert (1821-1880), Madame Bovary, chega agora ao mercado em duas versões assinadas por dois dos maiores cineastas franceses, Jean Renoir e Claude Chabrol, e distribuídas pela mesma Versátil Home Video. Obra-prima da literatura realista, cujo lançamento resultou num escândalo literário que levou seu autor aos tribunais, Madame Bovary trata de três temas explosivos: o tédio burguês, a hipocrisia do clero e o adultério. No filme de Chabrol, realizado em 1991, Bovary é interpretada por Isabelle Huppert, jovem do campo que se casa com um médico viúvo e provinciano da Normandia.Emma Bovary tenta escapar do tédio lendo romances baratos e mantendo relações extraconjugais com um proprietário de terras e um jovem estudante de Direito. No livro, a crítica à moral burguesa é cortante e associada à repressão clerical. Chabrol recua diante da veemência com que Flaubert acusa a Igreja de subjugar a mulher do século 19, forçando as mais liberadas ao inferno da exclusão, como Bovary, que se deixa enganar por um amante que conhece num baile aristocrático. O romance era considerado infilmável até Renoir assinar sua versão cinematográfica, em 1933. Ele viu em Madame Bovary um veículo para tornar explícito seu desprezo pelos valores burgueses, ao contrapor o mundo de Emma e o dos aristocratas, concluindo que não havia lugar em nenhum dos dois para a trágica heroína. Em ambos os DVDs, Samuel Titan Jr., tradutor e um dos grandes especialistas na obra de Flaubert, comenta as versões de Jean Renoir e Claude Chabrol.

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