Macgyver e Jack Bouer não estão sozinhos

Chega ao fim a 1ª temporada da série Human Target, inspirada no HQ

Entrevista com

Alline Dauroiz - LOS ANGELES

05 de junho de 2010 | 16h00

Sonho de garoto. ‘Fazemos o que todo garoto quer: correr, atirar, dirigir em alta velocidade, ver meninas bonitas e, claro, fazer piada’, diz Chi McBride (segundo, da esquerda para direita)

 

 

Inspirado em um HQ homônimo, Human Target já provou que seu herói, Christopher Chance, segurança particular que assume diferentes identidades e até se faz passar por seus clientes para protegê-los, sabe lutar e fazer truques inteligentes tanto quanto MacGyver ou Jack Bauer. Mas a receita do sucesso da série, que vai ganhar segunda temporada nos Estados Unidos, é o humor, assunto que pautou a conversa de Mark Valley (Chance), e Chi McBride, que interpreta o rabugento Winston, com o Estado.

 

No ar pela Warner, a primeira temporada da série chega ao fim amanhã, às 22 horas, em episódio duplo. Ainda na emissora, chegam ao fim também as séries Trauma (hoje, às 23h) e V (terça-feira, às 22h).

 

É possível dizer que a série é um mix de 24 horas com história em quadrinhos, não?

Mark: De certa forma.

Chi: Acho que é um pouco como as séries de TV que não se veem há uns 25 anos: Miami Vice (1984-89), The A-Team (1983-87, conhecida aqui como Esquadrão Classe A) e Rockford Files (1974, Arquivo Confidencial). Uma série como essa é puro entretenimento. E é para isso que a TV supostamente serve. É tudo o que alguém quer após um dia duro de trabalho.

Mark: Nós não estamos curando o câncer, mas se você passa seus dias procurando a cura do câncer, é um bom jeito de relaxar (Risos).

 

Vocês dão um toque pessoal aos personagens?

Chi: Criativamente falando, tem sido um processo bem gratificante. Não é simplesmente a gente aparecer, receber um papel e fazer. Há uma concepção envolvida e fazemos parte dela, num esforço colaborativo.

Mark: Muitas vezes penso em um comentário espertinho para o Chance, e o Jackie (Earle Haley, que vive Guerrero) diz: ‘Não’ ou ‘Isso foi mais engraçado que da última vez’. Escutamos sugestões e confiamos nos instintos uns dos outros. E Chi tem tino para comédia.

 

É verdade, Chi. Seu personagem nem sorri muito, mas é cômico. Sempre teve esse timing para a comédia?

Chi: Não sei. Nunca tive uma aula de atuação e, normalmente, não digo isso às pessoas porque você nunca sabe se um espertinho vai dizer: "Jura?! Talvez você devesse considerar" (risos). Mas o fato é que isso não é nada científico para mim. Tento agir e reagir naturalmente. Quando um cara muito sério vê algo ridículo, acho que em vez de dizer algo engraçadinho, simplesmente faz assim (olha com cara de desprezo), o que é muito mais engraçado. Uma vez tive uma conversa sobre interpretar vilões com Stanley Tucci, quando estávamos fazendo (o filme) O Terminal. E Tucci faz vilões tão bem porque ele imagina que o cara não pensa que é vilão. Winston é assim: não se acha engraçado.

 

Já foi ferido de verdade em cena, Mark? Tem medo disso?

Mark: Sim, em alguns momentos. Tem cenas em que o carro está mesmo em alta velocidade. Mas o mais assustador é fazer cena de luta. Geralmente tem seis, sete movimentos a se fazer e, se eu, pato, esqueço um deles... Isso aconteceu uma vez, a dublê me chutou bem na cara. Cenas de luta são a coisa mais assustadora.

Chi: Mais do que carro em movimento?

Mark: Claro, porque você pode mesmo levar um soco na cara.

Chi: Você pode levar um soco na cara, mas quando seu rosto está a 10 centímetros da calçada e você está a mais de 70 Km/hora, isso não te assusta mais?

Mark: Bem, isso fica para o meu dublê (Risos). Mas na vida real, a coisa mais perigosa que faço, além de montanhismo, é esquecer o cinto de segurança.

 

* Viagem feita a convite do Warner Channel

 

 

Tudo o que sabemos sobre:
Entrevista

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.