Luxo musical na madrugada

EM ESTÚDIO: Em produção impecável, mas sem perder o perfil experimental, Som Brasil põe novas vozes em rede nacional para interpretar o repertório dos grandes da MPB

Patrícia Villalba, de O Estado de S. Paulo

03 de julho de 2010 | 16h00

A atriz Camila Pitanga apresenta o Som Brasil

 

RIO - Pelas contas do diretor-geral, Luiz Gleiser, em quatro anos no ar, o Som Brasil lançou na TV cerca de 90 cantores e músicos. "Cantoras como Ana Cañas, Marina de la Riva, Greice Ive, Maria Gadú e Thaís Gulin, além de grupos como o Móveis Coloniais e Vanguart apareceram pela primeira vez em rede nacional com a gente", conta ele, com indisfarçável orgulho, nos bastidores de gravação do programa de julho, que terá Lupicínio Rodrigues como homenageado. Vai ao ar no dia 30, à 1h40 da madrugada, depois do Programa do Jô.

 

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A ideia deste novo Som Brasil, nome que já foi usado pela Globo em outros formatos ao longo de sua história, é das mais audaciosas. Primeiro, Gleiser e sua equipe, na qual estão os maestros Guto Graça Melo e Wagner Faria, escolhem um grande nome da música brasileira como homenageado. Do repertório desta figura, sai a base do show - em geral, 12 músicas, que serão distribuídas entre três grupos ou cantores. A escolha dos participantes depende da afinidade com esse repertório. "Escolhemos as músicas mais conhecidas e as mais importantes do homenageado. É uma acomodação tectônica", define o diretor.

 

Se vivo, o artista homenageado é convidado a participar - e, claro, vai com gosto. Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jorge Benjor foram alguns que tiveram suas músicas interpretadas pela nova geração da música e estiveram lá para prestigiar. Mas o homenageado também pode ser representado por outro artista que remeta de alguma forma à sua obra. Lobão, por exemplo, já representou Raul Seixas. Tony Platão deu uma visão dark a Cazuza.

 

O programa se esmera, aliás, em não fazer escolhas óbvias - Alexandre Pires, por exemplo, está no centro do programa sobre Lupicínio, recheado de "pérolas da fossa e do samba-canção", como explica a apresentadora Camila Pitanga.

 

No estúdio, o expediente não é nada simples, conforme o Estado pôde conferir na gravação que aconteceu no mês passado, nos estúdios do Projac em Jacarepaguá, Rio. Com certeza, Camila anda alguns quilômetros dentro do estúdio até que a apresentação que faz dos cantores em cena, totalmente coreografada entre determinadas frases e alguns compassos, fique perfeita. "O cenário não tem frente e fundo. O telespectador pode sentir como se estivesse dentro do palco, na pele da Camila", diz Gleiser.

 

Show. No estúdio, num cenário móvel, simples e elegante, são acomodados ao mesmo tempo quatro atrações, que se revezam da maneira mais dinâmica possível. O cantor e compositor Paulo Moska, a cantora Eduarda Fadini, especialista na obra de Lupicínio e o cantor e compositor Thedy Correa (lembra do vocalista do grupo Nenhum de Nós?) dão nova cara a clássicos como Se Acaso Você Chegasse e Volta. É claro que a direção do programa intervém para que haja uma unidade entre os músicos e o programa fique homogêneo. "A gente dá uma ajuda, mas evita se intrometer. Até porque o que interessa é a personalidade artística de cada um. É um programa experimental até hoje", explica Gleiser.

 

Na gravação do Som Brasil, é ponto de honra que a captação de áudio seja feita com todo capricho, numa mesa de 96 canais. Os músicos não gravam ao mesmo tempo, mas é como se fosse - então, seria impossível remanejar os canais para atender a todos que estão em cena. É o único programa da Globo que aproveita todo o potencial dessa mesa. A mixagem do áudio leva 14 dias, "de trabalho pesado". Com isso, cada edição do programa, da escolha do homenageado à finalização, leva em média seis semanas. "O pessoal da técnica aqui da emissora ama esse programa. É quando cada um pode fazer o seu melhor", anota Gleiser.

 

Desde o ano passado, o programa é transmitido em HD, com som em sistema 5.1. Para quem tem esse tipo de transmissão, a sensação é bem próxima à de uma sala de concerto. "A ideia aqui é dar um acolhimento que o músico não recebe faz tempo. E não é na Globo, não. É na TV como um todo", resume Gleiser.

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