Globo/Divulgação
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Luis Gustavo imprimia credibilidade a seus personagens

Ator conquistava a confiança do público, que se tornava seu aliado

Ubiratan Brasil , O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2021 | 17h09

Luis Gustavo não figurava no rol dos atores ecléticos, aqueles que desempenham com desenvoltura papéis completamente distintos – sua entonação era praticamente a mesma para diferentes personagens, assim como seu gestual corporal. Mas o que distinguia Luis Gustavo era a verdade que imprimia em cada figura que representava, algo tão especial que imediatamente cativava o espectador e garantia o sucesso de seu personagem.

Parece fácil, mas não é. Basta lembrar de Mário Fofoca, o desastrado detetive da novela Elas por Elas (1982), que solucionava os casos muitas vezes na base da sorte. Criado para ser um personagem secundário, Mário Fofoca logo foi adotado pelos fãs, a ponto de, no auge de sua popularidade, o autor da novela, Cassiano Gabus Mendes, ter a ousadia de dedicar um capítulo inteiro da novela à sua rotina – os demais personagens se tornaram coadjuvantes. O sucesso foi tamanho que inspirou ainda uma série na TV e um filme.

Como Mário Fofoca, Luis Gustavo exibia uma rara e convincente ingenuidade, que o impedia de perceber os erros que cometia e, por isso mesmo, o tornava tão especial. Estabelecer uma cumplicidade com o espectador é um trabalho de anos, de somatório de trabalhos, até chegar no momento em que o ator tem no público seu aliado fiel. No cinemas, foram raras as figuras que ostentavam naturalmente sua credibilidade. James Stewart e Henry Fonda são dois exemplos: a dor que seus personagens sentiam era crível e compartilhada pelas pessoas.

Como Vanderlei Mathias, o Vavá, no seriado humorístico Sai de Baixo, Luis Gustavo apresentava o personagem que, em meio a trambiqueiros e ingênuos, resistia e ainda lutava por uma situação ordeira, dentro da lei, mesmo que isso impedisse alguma vantagem. E o uso de suspensórios só reforçava a imagem de um homem equilibrado. Era preciso um ator como ele, que fosse ao mesmo tempo engraçado e justo.

Mesmo quando representava um malandro, como Beto Rockfeller, na novela do mesmo nome, de 1968, que revolucionou a teledramaturgia brasileira, Luis Gustavo criava a empatia com sua comicidade, um tom coloquial que foi decisivo para estipular novos rumos da novela no País. Com seu estilo de uma pessoa em que todos podem confiar, Luis Gustavo deu credibilidade, na arte, aos personagens de que todos gostam de amar.

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