TATÁ BARRETO/DIVULGAÇÃO
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Cristina Padiglione
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Lúcios, pai e filho, se encontram na nova 'Escolinha do Professor Raimundo'

Veterano se emociona ao voltar à classe do Professor Raimundo, em episódio inédito que vai ao ar pela Globo; estreia dia 13

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

06 de dezembro de 2015 | 02h00

Exibida pelo canal Viva com grande êxito de audiência e repercussão nas redes sociais, a nova Escolinha do Professor Raimundo ainda tem dois episódios mantidos inéditos para a veiculação da série pela TV Globo. Começa no próximo dia 13, com vaga semanal para sete episódios (incluindo os cinco já vistos na TV paga), nas tardes de domingo. Um desses inéditos traz a preciosa participação de um veterano do elenco original, que contracenava com Chico Anysio. É Lúcio Mauro, que entrará em cena como um servente da escola. Ele faz faxina e organiza a classe para os alunos – um deles, o próprio Aldemar Vigário, aquele que sacava histórias de glórias supostamente vividas pelo mestre em Maranguape, terra natal de Chico Anysio, na tentativa de bajular o professor, que acabava sempre constrangido.
Quando ficou definido que faria o papel, Lúcio Mauro Filho não quis dicas do pai nem pensou em rever as cenas que marcaram toda uma geração. “Ia ficar caricato, e isso eu não queria”, explica ao Estado, em entrevista por telefone. Lucinho, diminutivo natural de quem carrega o nome do pai, queria se apegar exclusivamente à memória afetiva. “Eu adorei, ele é um safado, ele fez perfeito, fez melhor do que eu faço”, diverte-se o pai. “Eu não ia saber fazer os meus gestos, o meu andar... Até a voz, ficou tudo muito parecido”, diz, emocionado.
De fato, o filho se aproximou bem do timbre do pai. Mas uma conversa por telefone já denuncia alguma semelhança vocal entre eles. “Quando eu atendia o telefone em casa, sempre me confundiam com ele. Temos o mesmo metálico na voz”, endossa o herdeiro. A distância de idade e as diferenças físicas é que disfarçam o parentesco vocal. 

O servente agora vivido por Lucião não chega a contracenar com Lucinho. Sua conversa é com Bruno Mazzeo, filho do grande amigo Chico e novo ocupante da cadeira que comanda a classe. “Ele ficou muito emocionado. Disse: ‘Nossa, nunca pensei que eu voltaria a esse cenário’, como se fosse o mesmo ambiente”, conta o filho.
Lucinho nos diz ainda que só Aldemar Vigário e Rolando Lero (Rogério Cardoso, agora vivido por Marcelo Adnet) tinham autorização para improvisar o texto na versão original. O pai confirma. “Eu não tinha texto. Entrava e falava o que eu queria. E o Chico, quando comecei com esse negócio de Maranguape, veio me perguntar: ‘Como você sabe que eu sou de Maranguape?’ Ninguém sabia. Sabiam só que ele era do Ceará, mas fui eu quem colocou Maranguape no mapa”, orgulha-se.
Na nova versão, a diretora Cininha de Paula manteve uma característica do original: os atores só recebem os textos que dirão em cena, ninguém tem o roteiro completo, com diálogos alheios. Assim, a surpresa com a piada ganha frescor e torna autêntico o riso dos colegas de classe. Durante a exibição no Viva, a performance de Lucinho esteve entre as mais comentadas nas redes sociais, ao lado da interpretação de Mateus Solano para Zé Bonitinho (Jorge Loredo no original) e de Fernanda Souza para Tati, personagem criada por Heloísa Perissé.

“No dia seguinte à estreia da Escolinha no Viva, já encontrei gente me dizendo: ‘Adoro você na Escolinha, como se eu fizesse aquilo há anos!”, espanta-se Lucinho. Para ele, o imediato encantamento do público pela nova versão tem um diagnóstico. “Já me falaram que está tão parecido com papai, que é um negócio espírita. E aí junta tudo: o Bruno está parecido com o pai dele, eu estou parecido com meu pai, nós dois juntos, fazendo os personagens dos nossos pais, é uma emoção diferente. Para além de toda a emoção que o público já está sentindo pela Escolinha e pelo comprometimento que todos os atores tiveram, a minha coisa com o Bruno é um plus. É uma coincidência muito rara: dois atores que seguiram a profissão dos pais, que eram amigos e parceiros em uma dupla, reeditaram a dupla, a parceria e a amizade. Acho que isso emociona as pessoas.”
A versão que traz Dani Calabresa como Catifunda, Marcius Melhem como Seu Boneco, Marcos Caruso como Seu Peru, Fabiana Karla como Cacilda, Otaviano Costa como Seu Ptolomeu e Evandro Mesquita como Sambari Love – só para citar alguns – já vem recebendo uma cobrança do público, que quer mais episódios. A Globo e o Viva ainda não confirmam se será possível juntar todo esse elenco por mais alguns programas, mas Lucinho não descarta a ideia – ao contrário. “É quase uma obrigação nossa, dar continuidade a isso.” 

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