Loucura é tratada com seriedade e humor

Em 'Caminho das Índias', personagens de Bruno Gagliasso e Stênio Garcia entram no universo da esquisofrenia

Etienne Jacintho, Rio, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 20h59

. Famosa por abordar diversas causas sociais em suas novelas, Glória Perez abre, em Caminho das Índias, um debate sobre esquizofrenia, com três personagens centrais. Sidney Santiago e Bruno Gagliasso são Ademir e Tarso, dois jovens esquizofrênicos que recebem tratamento na clínica do dr. Castanho, papel de Stênio Garcia.   Veja também: Caminhos de Glória Tarso é filho de Ramiro (Humberto Martins) e Melissa (Christiane Torloni). O pai o pressiona para ser um homem de negócios e a mãe o idolatra por sua beleza. Ambos fecham os olhos para a condição de Tarso, que só pode contar com a namorada Tônia, vivida por Marjorie Estiano, em estilo Betty, a Feia.   MÉDICO OU LOUCO? - Castanho é o psiquiatra que entra no universo dos pacientes   MUNDO PARTICULAR - Tarso vai sofrer preconceito na própria família   Tarso, ao longo da trama, passará por diversos tratamentos, e Glória utiliza o personagem para mostrar e discutir os métodos considerados tradicionais e a terapia ocupacional, adotada, nos anos 1940, por Nise da Silveira. "O objetivo de Glória é mudar a visão que as pessoas têm do doente", fala Gagliasso, que já está familiarizado com a loucura, pois pesquisou o tema para viver Van Gogh no teatro. "Li muita coisa de Nise da Silveira e, quando Glória me chamou, reli textos, visitei clínicas e o Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro (CPRJ)", conta o ator. O que mais impressionou Gagliasso, durante pesquisas e workshops, foi a questão do preconceito. "As pessoas não têm informações, daí o preconceito. E os doentes sentem esse sentimento. Isso mexeu comigo", fala. "Espero servir de instrumento para Glória lidar com o problema, assim como foi com o Junior (personagem gay do ator em América)." Cada louco com sua mania Dr. Castanho segue a linha de tratamento de Nise da Silveira, fato que encantou Stênio Garcia. "Me sinto útil fazendo esse papel e quero me aprofundar no assunto, pois desejo que essa informação seja nítida para o público", fala o ator, que visitou doentes durante três meses e fez a lição de casa. À jornalista, ele contou a história de Nise da Silveira, inclusive o encontro dela com Carl Jung, nos anos 1950. "Ele ficou bobo com as pinturas de mandalas que os pacientes faziam", fala. "Mandalas são vistas como a busca do equilíbrio psíquico. Foi um momento maravilhoso e o mundo psiquiátrico brasileiro, que gozava de Nise por tratar doentes com arte em vez de choques, ficou mudo." O ator crê que a loucura é relativa. "Caetano (Veloso) é um louco que deu certo; o cara que construiu o Taj Mahal é um louco que deu certo", brinca. Dr. Castanho também terá sua loucura e manias. Uma delas é pular o capacho de seu consultório antes de entrar na sala. O médico conta com uma equipe formada pela psicóloga Aída (Totia Meirelles) e pela assistente social Ciça (Aninha Lima). "A equipe vai ter meios para conduzir a relação com a doença. Vai dar pelo menos mais paciência para quem tem seu louquinho em casa."

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