Liga da Justiça

NA FORMA DA LEI: ESTREIA ‘Pit boy’ terá sua impunidade ameaçada pela ex e seus amigos

Roberta Pennafort de O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2010 | 16h00

 

 

RIO - O assassinato de Eduardo, um amigo querido, motiva um grupo de cinco jovens profissionais a lutar pela punição do culpado, conhecido da galera. Todos são ligados à área policial e de direito - viraram promotora, juiz, delegada federal, advogado e jornalista - e, cada um na sua, mas com a ética e a obstinação em comum, vão trabalhar para que a justiça seja feita. A inscrição em latim na lápide de Eduardo dá o tom da história: Justitia quae sera tamen - justiça ainda que tardia.

 

Na Forma da Lei, a nova minissérie da TV Globo, que estreia nesta terça-feira, depois do Casseta & Planeta Urgente!, tem texto de Antônio Calmon e direção de Wolf Maya. Serão oito capítulos, todos independentes. Além da turma mais jovem, fazem participações veteranos como Paulo José, Eva Wilma, Hugo Carvana, Othon Bastos, Osmar Prado e Vera Macini.

 

Ana Paula Arósio, a promotora Ana Beatriz, é a protagonista, a noiva de Eduardo (Thiago Fragoso), o rapaz morto pelo vilão da trama, Maurício, vivido por Marcio Garcia. Luana Piovani, que vinha fazendo apenas participações esporádicas na TV, por obra de sua dedicação ao teatro, volta à tela como a delegada Gabriela, grande amiga de Ana Beatriz.

 

Leonardo Machado, que fez um papel pequeno em Viver a Vida (era o marido da paciente de Ariane, a personagem de Christine Fernandes, por quem a médica se encantava), é Célio, juiz, louco por Ana Beatriz. A promotora sabe da paixão do amigo, mas é retraída, fechada para o amor por conta da tragédia que viveu. "Ela ficou traumatizada. Com a morte do noivo, fica obcecada em fazer justiça", diz a atriz, fora da TV desde Ciranda de Pedra (2008).

 

Não só Ana Beatriz, mas todo o grupo luta para que Maurício pague pelo mal que fez: na noite em que todos comemoravam o noivado dela e de Eduardo, também colega de faculdade do grupo, Maurício reúne comparsas e espanca o rapaz até a morte. Na frente de todos. Ainda assim, não é preso. É de família rica, filho de senador, crê na impunidade. E continua fazendo das suas - leia-se: praticando mais homicídios. "Maurício é um vilão sem causa, um psicopata, um cara que tem adoração pela violência", conta Marcio, que teve parte da sobrancelha esquerda raspada para simular uma cicatriz, dessas que os brigões colecionam.

 

Nas cenas acompanhadas pelo Estado no mês passado, no estúdio A do Projac, Maurício chega a invadir e destruir a casa de Ana Beatriz para coagi-la a não mais investigá-lo.

 

Nos estúdios, Marcio dribla a impaciência quanto à sua hora de gravar (os habitués do Projac sabem que para cada meia hora de gravação à vera é preciso aguardar, por vezes, horas e horas, por causa das trocas de cenário e de figurinos) conversando com os cinegrafistas e técnicos. E observando câmeras, trilhos, tripés. Afinal, ele agora também é diretor de cinema - fez um curta, premiado, Predileção, e se prepara para rodar um longa, Bed and Breakfast, com Juliana Paes e atores norte-americanos, na Califórnia.

 

Proteção. A promotora e o bad boy foram noivos quando eram bem novinhos, mas ela o abandonou ao descobrir sua má índole. Está aí o motivo da animosidade. As ameaças se sucedem e os amigos se mobilizam para proteger a brava promotora. Gabriela, que é casada e tem dois filhos, não hesita em se instalar na casa dela para que se sinta mais segura. Como os colegas, Luana teve de fazer aula de tiro e de defesa pessoal.

 

"Foi difícil, o barulho (de tiro) é alto, a energia é ruim. Depois que eu gravei a primeira cena, consegui entender mais", revela a atriz, que só fechou com a Globo porque as datas da série casariam com a agenda de sua peça, O Soldadinho e a Bailarina, em cartaz no Rio.

 

Nas gravações na casa de Ana Beatriz, ela e Ana Paula eram só chamego com a cadelinha de Ana, trazida de São Paulo para também ser sua na ficção. As duas atrizes, que começaram como modelo mais ou menos na mesma época, aparecem com roupas de ficar em casa, bem à vontade - a ideia é passar a intimidade entre as duas ex-colegas de faculdade.

 

Para Leonardo Machado, esta é a maior chance que já teve na TV. "Foi tudo por acaso, encontrei a produtora de elenco, fiz um teste e passei", relembra o ator, para quem a série chega em boa hora: "Existe um pensamento que está mudando no judiciário, a justiça vem sendo feita. Li vários processos, acompanhei sessões no Youtube, fui a um júri", conta.

 

Antes de entrar em cena, o ator ainda treinava com o professor uma música no sax, o hobby de seu personagem. O juiz Célio também pratica artes marciais, para a própria defesa. Nas horas vagas, tenta proteger a amiga e paixão antiga do jeito que pode. Ela não é fácil.

 

O elenco conta com espectadores de seriados como Law and Order, Fringe, 24 Horas, Cold Case e CSI. Samuel de Asis, o jornalista Ademir, é fã confesso do gênero. "Adoro, me vicio", fala o ator, que até então só havia feito participações pequenas na Globo. Os ensaios, conta, foram importantes para o entrosamento do grupo. "Vi logo que tinha a necessidade de haver essa união entre a gente. Criamos uma ligação forte."

 

Sem pressa. "Como é um grupo pequeno, a gente se integrou bem", concorda Henri Castelli. Ele faz o advogado Edgar, que se divide entre o trabalho e a vida familiar - a mulher é a consumista Nininha, personagem de Monique Alfradique. Pouco antes de entrar no estúdio, ele ressaltava o ritmo bem mais lento do que o das novelas, ao qual está mais acostumado. "É bem mais calmo, não tem aquela correria..."

 

Não tem?? "Teoricamente não, mas o processo é muito parecido com o início de uma novela", conta Wolf Maya, que teve um mês e meio para o estúdio e externas (em lugares como o Tribunal de Justiça do Rio, no centro). Corre-corre à parte, ele celebra: "É uma delícia reunir essa trupe para contar essa história, que é uma obra-prima. Estamos entre amigos", diz o diretor, sobre o texto de Calmon.

A ideia surgiu de uma formatura a que o autor foi, seis anos atrás, em que os formandos dedicavam a noite a um colega morto no início do curso. Na série, a personagem de Luana é a oradora de sua turma e homenageia Eduardo em seu discurso. É aplaudida quando promete: fará a lei chegar a seu assassino, mais cedo ou mais tarde.

 

De frente

 

"Nessa época em que se fala de ficha limpa, é muito oportuna uma série assim" - Henri Castelli

 

"Sou fã de ‘24 horas’, é a minha referência, gosto do tipo de corte, do suspense" - Marcio Garcia

 

"Nossas personagens pensam como essa nova geração dentro da justiça" - Leonardo Machado

 

"A impunidade é a cara do Brasil. Abro o jornal todo dia e vejo isso, como cidadã" - Luana Piovani

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