FABIO ROCHA/TV GLOBO
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Letícia Colin vai da comédia ao drama em nova série: 'Foi um desafio'

Atriz se despede da primeira temporada de 'Cine Holliúdy' e agora encara papel denso em 'Onde Está Meu Coração'

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2019 | 03h00

Até o mês passado, Letícia Colin estava no ar na Globo como a adorável Marilyn, a musa do sertão, na série cômica Cine Holliúdy. A primeira temporada da produção, protagonizada por Edmilson Filho, chegou ao fim já com a promessa de uma nova safra de episódios. O humor leve da série e seus saborosos personagens conquistaram o público – e garantiram a continuidade da saga na TV. “Eu já admirava o cinema de Edmilson. Então, queria muito me misturar com essa galera e aprender, porque é um humor que adoro, me divirto, é brasileiro, tão autêntico e bem feito pelo pessoal do Ceará. Foi um desafio para mim. E tenho amigos, tenho laços muito próximos”, diz a atriz, em entrevista ao Estado

Mas, enquanto Cine Holliúdy estava sendo exibida, Letícia já se dedicava à gravação de outra série, cuja história traz uma atmosfera totalmente oposta. Na densa e dramática Onde Está Meu Coração, série original Globoplay – criada e escrita por George Moura e Sérgio Goldenberg –, a atriz vive Amanda, uma brilhante médica de classe média alta, mas que perde o controle de sua vida após ficar viciada em drogas. “O crack a carrega para essa roda de destruição. Ela não consegue mais dar conta do trabalho dela como residente, deixa de ter o controle da vida dela e passa a viver de ir atrás de mais drogas”, descreve ela. “O crack tem essa característica, é destrutivo, é uma coisa que drena a pessoa. Então, ela vai perdendo tudo, vai se colocando em risco.”

Amanda é filha de David (interpretado por Fábio Assunção), renomado médico, o que, de certa forma, a sufoca. Isso seria um dos estopins para sua jornada de autodestruição. “Ela vive sob uma influência intensa do estresse. É uma médica que sai do ambiente da escola e se depara com o dia a dia duro do hospital, porque ela enfrenta ali a questão da perda da vida humana, diferentemente do distanciamento da sala de aula. Ela também tem essa dificuldade de aceitar que a medicina não dá conta de tudo, que não explica tudo”, pondera. “Acho que tem uma cobrança pessoal dela com a figura do pai, que é muito bom médico, essa coisa de você não se achar boa o suficiente, essa falta de espaço para colocar suas vulnerabilidades em questão, para desabafar. A gente vai perdendo isso com a pressa, com a correria. A gente vai achando que é desimportante acolher as nossas vulnerabilidades. E a droga está totalmente ligada com vulnerabilidade.”

Tal e qual a vida real, a família de Amanda também é afetada por sua dependência química. O casamento com Miguel (Daniel de Oliveira) entra em colapso; seu pai e sua irmã, Julia (Manu Morelli), tentam entender o que está acontecendo; mas é sua mãe, Sofia (Mariana Lima), que não desiste dela. “É a única que fica até o fim, paga dívida da filha, leva para internação. Isso também é o que geralmente acontece fora da ficção.”

Durante a preparação para a personagem, Letícia conta que visitou locais como o Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) e a Cracolândia, em São Paulo. “Eu também encontrava com algumas pessoas que me contavam um pouco sobre suas histórias pessoais. Isso me ajudou muito. Elas me contavam o que sentiam, porque tem um momento em que a pessoa entra e parece que não tem saída, que é muito difícil recomeçar e se levantar pela vigésima vez da vigésima recaída.”

A atriz também encontrou apoio no ator Fábio Assunção, que fala abertamente sobre a própria dependência química. “Nós como atores usamos muito nossas experiências. Se você vai fazer uma história de amor, você revisita seus encontros românticos, e o Fábio tem muita história de vida e isso é muito rico para o ator. Ele tem um coração gigante, e tem um pensamento muito progressista sobre esse assunto: de drogas, tratamento, políticas de drogas”, comenta a atriz. “É um cara que admiro muito. Então, quando alguém tem essa inteligência, essa maturidade para usar essa história pessoal a serviço das coisas, é maravilhoso. E claro que, muitas vezes, eu desabafei, perguntei coisas, queria a opinião dele, mas não acho que tenha sido tão diferente quanto as vezes que perguntei para a Mariana Lima, por exemplo. Todos nós temos histórias.”

Letícia Colin fala sobre a gravidez 

Casada com o ator Michel Melamed – que também está no elenco da série –, Letícia Colin, aos 29 anos, descobriu que estava grávida durante as gravações de Onde Está Meu Coração. Tudo junto e ao mesmo tempo. “Sou uma pessoa muito intensa, muito emotiva e sensível desde criança. Levei minha vida sempre de um jeito muito próximo das minhas emoções, dos meus sentimentos. Não tenho medo de me emocionar. Isso tudo me ajudou a não endurecer, não ter medo, falar ‘ok, uma coisa de cada vez’. Tive calma comigo mesma, os 9 meses são para nós dois, para a mãe e para o bebê. As coisas não são imediatas e blocadas. Vou ter tempo de assimilar, como muitas mulheres fazem: trabalhando, vivendo, pagando as contas.”

Com direção artística de Luísa Lima e supervisão artística de José Villamarim, a série, com estreia prevista para 2020, foi gravada em Santos e São Paulo, em locações externas. Conta ainda com os atores Camila Márdila, Ana Flávia Cavalcanti, Cacá Carvalho, Rodrigo Garcia, Rodrigo dos Santos, Bárbara Colen, entre outros. 

 

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