REUTERS/Shannon Stapleton
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Laura Dern é a melhor parte da 2ª temporada de 'Big Little Lies'

Sua personagem, Renata, parece feita sob medida para a atriz, especialista num tipo singular de histérica que rouba a cena

Bethonie Butler THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2019 | 03h00

Laura Dern é a grande figura da série da HBO Big Little Lies, que voltou em junho para uma desnecessária, mas imensamente apreciável 2.ª temporada. Sua personagem, Renata Klein – uma confiante mulher de negócios com pendor para mãe leoa –, parece feita sob medida para a veterana atriz, que se especializou num tipo singular de histérica que rouba a cena.

Renata foi uma personagem secundária na última temporada, correndo por fora do núcleo de amigas nas quais se centraliza a série – Madeline (Reese Witherspoon), Celeste (Nicole Kidman) e Jane (Shailene Woodley) – mas mergulhou fundo no círculo (com a Boonie, de Zoë Kravitz) após a morte do marido abusivo de Celeste, Perry (Alexander Skarsgard). As mulheres estão unidas por um terrível segredo: Perry não morreu numa queda acidental, como elas fizeram os detetives acreditar, mas levou um empurrão fatal de Bonnie quando ela o flagrou atacando covardemente Celeste. 

Dern roubou os holofotes na 1.ª temporada, ganhando um Globo de Ouro e um Emmy como atriz coadjuvante. Sua filha na série, Amabella, foi molestada na escola em que cursa o primário e a mãe passou grande parte da 1.ª temporada tentando fazer a menina revelar quem a estava perturbando. Os roteiristas aumentaram a participação de Dern na 2.ª temporada, na qual o marido, Gordon (Jeffrey Nordlinhg), está sendo investigado pelo uso de informações privilegiadas. Seus crimes põem em risco a fortuna duramente ganha de Renata. 

Renata é cortante e precisa, mas Dern se aprofunda ainda mais para explorar o que há por trás da cólera da personagem. Na última temporada, vimos como a bem-sucedida carreira de Renata a separou de muitas das mulheres de sua luxuosa comunidade litorânea, com as quais tem uma turbulenta, mas preciosa aliança. À medida que Renata segue em sua batalha para ser vista e ouvida, ela luta ferozmente para que sua jovem filha também seja vista e ouvida. 

Enquanto isso, os problemas de Gordon com a lei expuseram um dos grandes medos de Renata – o de voltar à pobreza da infância. “Não vou nunca mais ser pobre”, gritou ela ao marido pelo interfone da prisão no capítulo da semana passada. 

De certo modo, Renata evoca a confusamente heroica protagonista de Enlightened, o drama da HBO que Dern protagonizou e foi aclamado pela crítica antes de ser intempestivamente cancelado, em 2013. O mote da série – “uma mulher à beira de um ataque de nervos” – é a descrição perfeita do que Dern faz de melhor. Suas personagens são propensas a emoções intensas, mas nunca injustificadas. Rotular essas mulheres de loucas é errar o alvo. 

“Acho que dá para se ter empatia por ela (Renata) mesmo em momentos que você não espera ter”, disse Dern à Vogue. “É por isso que eu adoro representar.” / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

 

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