Latinos resistem ao 'beijo entre iguais'

Em novelas do México, Chile e Brasil, cenas são escritas e gravadas, mas nunca vão ao ar

Etienne Jacintho, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2008 | 22h51

O que as TVs do Brasil, México e Chile têm em comum? Todas evitam mostrar um beijo gay em novelas, no horário nobre. E, por incrível que pareça, o México é o mais avançadinho nessa questão.Em 1999, a novela La Vida en el Espejo exibiu uma insinuação de um beijo entre pessoas do mesmo sexo. Somente 6 anos mais tarde, Chile e Brasil usaram o mesmo recurso. Aqui, o primeiro beijo gay quase foi mostrado em América (2005), novela de Glória Perez. O beijo de Junior (Bruno Gagliasso) em Zeca (Erom Cordeiro) foi gravado - Gagliasso afirmou que fez mais de sete cenas do beijo -, mas nunca foi ao ar. Os atores e a própria autora ficaram decepcionados, mas a decisão veio da Globo. Tudo o que o público viu foi apenas a insinuação do beijo. No mesmo ano, a novela chilena Complices também censurou o beijo gay. Selinho pode Silvio de Abreu foi o primeiro a fazer o público torcer por um casal gay, Sandrinho (André Gonçalves) e Jefferson (Lui Mendes), em A Próxima Vítima, de 1995. Mas sem beijo. Levantou a polêmica e gerou expectativas que seguem até hoje. Afinal, o selinho entre Clara e Rafaela, personagens de Alinne Moraes e Paula Picarelli em Mulheres Apaixonadas (2003), de Manoel Carlos, foi café-com-leite. E, o casal gay de Paraíso Tropical (2007), de Gilberto Braga, aparecia junto na cama, mas os atores Carlos Casagrande e Sérgio Abreu nunca chegaram a tocar os lábios. No México, terça-feira passada, a Televisa exibiu o episódio da série da Sony Os Simuladores - em cartaz no Brasil, no canal Sony -, em que há um beijão entre dois homens. A atração foi ao ar às 22 horas. No entanto, beijo gay em séries já é algo comum. Só em novela que ainda não pode. E em ?Duas Caras?...O autor Aguinaldo Silva ainda não sabe se o beijo entre Bernardinho (Thiago Mendonça) e Carlão (Lugui Palhares) irá ao ar em Duas Caras, mas garante que já escreveu a cena do "beijo entre iguais" - termo que o autor prefere usar. Ou seja, até sexta-feira, dia que vai ao ar o último capítulo, é capaz que a discussão sobre o tal primeiro beijo entre pessoas do mesmo sexo em uma novela seja encerrada. Na Argentina, essa polêmica é coisa do passado. Em El Tiempo no Para, novela exibida no Canal 9, em 2006, houve mais que somente beijo gay, mas a trama ia ao ar após às 22 horas.

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